Blatter-Messi-Ronaldo

Há algumas coisas que eu gostava de dizer sobre o triângulo amoroso Blatter-Messi-Ronaldo:
1. Não gosto do Ronaldo. Nunca gostei e não é deribado a este episódio que vou passar a gostar. Falo dele enquanto pessoa, do que conheço pela TV, das histórias que vou lendo sobre ele. Como jogador é fabuloso, diferente de Messi, mas, ainda assim, estratosférico. Acho mesmo que será o melhor português que já vi jogar (não vi jogar o Hernâni, nem o Pavão).
2. O sr. Blatter tem direito a ter uma opinião, mas, pelo cargo que ocupa, talvez não fosse aconselhável emiti-la um público. Quis fazê-lo, tudo bem. Mas quis ir mais longe. Perante uma audiência jovem, universitária, Blatter pensou que tinha o direito de fazer stand-up comedy. “Iá, posso já ser um velhote, mas a malta jovem vai curtir-me à brava porque eu sou tótil cómico”, pensou. Não é. A malta riu-se moderadamente, mas foi de espanto pela figurinha do senhor. Não teve piada aquela imitação do Ronaldo comandante (já agora, comandante só há um, e joga no FCP), muito menos piada teve a referência ao dinheiro gasto cabeleireiro.
3. Levantou-se uma onda de indignação em Portugal pelo que disse Blatter. Falou o Futre, falou o Jesus, falou o Fonseca, falou o Jardim, toda a gente teve direito a sovar o tipo. Até A Bola o mandou calar. Entretanto, já há petições na net exigindo a sua demissão. Vá, acordem. O Presidente da FIFA está-se a marimbar para as indignações lusas. Pediu desculpa, sim, mas faz parte do protocolo. O que ele quer é os bolsos recheados e o copo sempre cheio. E que ganhe o Messi, claro.

O garnisé

Miguel Torga escreveu um conto de que gosto particularmente (creio que n’Os Bichos) intitulado “Tenório”.  Tenório era nessa história um galo cuja vida vai sendo narrada na perspetiva de que existe um ciclo de ascensão, apogeu e queda, no caso, traduzido na vida de um pinto que observa a soberba do galo dominador da capoeira, a forma como as galinhas o bajulam, bem como o momento de cair em desgraça e acabar no tacho, sem que o nosso Tenório perceba que a sua história será similar.

E para que serve este interlúdio literário, perguntais vós? E eu explico: em primeiro lugar, para assimilarem que se pode falar de bola sem se ser burgesso, mas, no caso, para que percebam as razões “profundas” do titulo deste post.

Findo o momento “boião de cultura”, falemos de bola: ontem foi, essencialmente, o primeiro dia da descida à terra de um garnisé chamado Bruno de Carvalho. Não do seu treinador ou sequer da sua  equipa, que nunca se colocaram em bicos de pés, mas única e exclusivamente do garnisé. O garnisé é uma espécie ridícula de galo “wanna be”, de queijo “tipo serra”, de Datsun com escape barulhento e aileron colorido. É uma espécie de presidente de clube falido a fingir que é grande. É um candidato a campeão da segunda circular a dar-se ares de gajo que disputa a Champions.

Antes do garnisé do sbordem já muitos presidentes tinham tentado aquele “número”: vamos dizer mal do Pinto da Costa, cortar relações, dizer que não cedemos ao sistema e os adeptos acéfalos aclamar-nos-ão em extase. Porém, nem o Pinto cede (deve ser de se chamar eternamente “Pinto” – relembrem a parte cultural…), nem os adeptos dos nossos rivais ficam quietinhos quando, depois da bazófia inicial, os resultados desportivos desfazem as ilusões.

O jogo? O jogo teve aquilo que se previa: eles querem mas não sabem mais e nós só corremos contra o prejuízo. Marcamos um golo e começamos “a gerir” à Jesualdo. Sofremos um golo e lá fomos tentar repor a ordem natural das coisas. Marcamos dois, ora essa. Correu bem, sim senhor. Mas não havia necessidade. Valeu pela expressão de amuo do garnisé.

Nunca voltes ao lugar onde já foste feliz

Rui Beloso canta “As Regras da Sensatez” (letra de Carlos Tê) e começa assim: “Nunca voltes ao lugar onde já foste feliz“. Ora cá está: era da mais elementar sensatez que o Hulk se recusasse a jogar no Dragão e nos poupasse àquele espétaculo degradante de fazer gato-sapato da nossa defesa. Bem, na verdade, o incrível não marcou qualquer golo. “Apenas” assistiu para o golo do Kerzakov e aqueceu o tempo todo as mãos do Hélton. Mesmo assim já não foi pouco. Portanto, amigo Hulk, tinhas era de seguir o exemplo do Eusébio que, um dia, se recusou a jogar, pelo Beira-Mar, contra os seus coisinhos, mas, não conseguindo levar a dele avante, disse logo que não marcaria qualquer livre ou penalti contra o clube do seu coração. Aprende com o homem da toalha, ó Givanildo!
Em sentido contrário ao título deste artigo, vimos ontem o guarda-redes Roberto regressar ao sítio onde se fartou de fazer aquele clube infeliz. Como já disse o André Pinto, no excelente comentário no texto anterior, a imprensa tenta desviar as atenções para a falha do espanhol (que, apesar das condições, não deixa de ser uma falha…) quando, a bem da verdade desportiva, deveria referir a mentira que precedeu o golo: o canto não era canto.

Favorecimentos do Estado ao FC Porto

Desculpem, enganei-me no título. Queria dizer “Benfica” em vez de “FC Porto”. Isto vem a propósito das declarações de Manuel Vilarinho ao site de A Bola, nas quais fica provado por A+B que, na Luz, os milagres existem. Diz ele, a propósito da construção do Estádio dos coisinhos:
“O estádio era algo que todos queriam. Talvez no Conselho Fiscal houvesse alguém que não quisesse, mas na Direção todos queriam. Debatíamo-nos com um problema, porém. Não havia dinheiro. A certa altura, João Soares teve uma intervenção decisiva, chamou os interessados. Depois, no Banco Espírito Santo, Pedro Neto disse-nos que esta obra tinha de nascer porque era o melhor para o Benfica e um trampolim para sairmos da crise. Fomos os últimos a começar e os segundos a acabar. O Mário Dias tinha a filosofia de que o dinheiro ia aparecer. Tínhamos era de começar. Foram muitas noites sem dormir.”
Quem é esse filósofo milagreiro, de nome Mário Dias? Alguém tem o seu contacto? A sério, precisava, assim, de repente, que “aparecesse” uma razoável quantia de dinheiro na minha vida. Assim, meio milhãozito chegava. Mudava de carro, dava umas prendas à família e ainda ia buscar de volta o Hulk.

Porto-Zenit

Cheguei há bocadinho do Dragão com a sensação de que, este ano, não somos equipa de Champions. Se calhar, tentar fazer um figurão na Liga Europa talvez não fosse descabido de todo…
Estamos todos satisfeitos pela entrega, a garra, a solidariedade, a bravura que a equipa mostrou hoje em campo, mas o que me interessava mesmo eram os três pontos. Ou, dadas as circunstâncias, o empatezito que nos mantivesse no 2º lugar, já agora, empate que merecíamos, na minha opinião. Mas quem tem Hulk arrisca-se a ser feliz a qualquer momento, e foi o que aconteceu. Agora, domingo, espero sinceramente que não precisemos de jogar com dez para mostrarmos aquelas mesmíssimas qualidades…

Um cordeirinho em pele de lobo

Eu tinha jurado para comigo mesmo nunca escrever sobre Nuno Lobo, o presidente da Associação de Futebol de Lisboa. Em primeiro lugar porque não escrevo sobre coisas insignificantes. O shampô que Jorge Jesus usa ou a extensão sonora dos agudos de Rui Gomes da Silva quando está com os azeites são matérias para me despertarem mais interesse. Em segundo lugar porque não conheço o senhor, ou melhor, não conhecia. E quando digo que não conhecia é porque nunca tinha ouvido falar de tal personagem até ao episódio de violência bárbara, macabra e selvagem a que a vítima foi sujeita no Estoril. Sabia que existia uma Associação de Futebol de Lisboa, mas desconhecia o nome do seu presidente. Até que o Caldeira lhe aqueceu as costas.
Hoje surgiu na imprensa a notícia de que a AFL, através da FPF, fez queixa à UEFA do FCP, de Pinto da Costa e de Adelino Caldeira. De Pinto da Costa por injúrias. De Adelino Caldeira por agressão nas costas. Do FCP porque vence títulos a um ritmo impressionante e estas merdas não se admitem, pá. Aliás, o Pobo do Norte sabe que em cima da mesa esteve a hipótese de uma queixa contra António Nicolau d’Almeida, que, no dia 28 de setembro de 1893 teve a desfaçatez de fundar o Foot-Ball Club do Porto, mas Rui Gomes da Silva terá convencido Nuno Lobo de que era complicado trazer o acusado até ao tribunal.
Confesso que os meus olhos soltaram um brilhozinho intenso quando li a notícia. É que a malta já tinha saudades de uma queixazinha à UEFA, depois das contribuições humorísticas que todas as anteriores queixas trouxeram ao anedotário nacional. E pensei logo que o que Michel Platini mais quer agora, que está ocupado com a mirabolante ideia de convidar o Brasil e a Argentina para o Campeonato da Europa, o que ele mais queria agora era que um chabalo qualquer lhe viesse fazer queixinhas porque, em Portugal, levou um cachaço.
Bem, vamos ver no que isto vai dar. Entretanto, e como gosto da saber de quem estou a falar, fui pesquisar sobre esta personagem e saquei algumas fotos do mesmo, incluindo a alegada transcrição dos alegados comentários alegadamente racistas que o alegado Lobo escreveu alegadamente no Facebook. E perdoem-me esta confusão de “alegações”, mas não tenho tempo – nem dinheiro – para ir a tribunal responder por difamação.
Para além do já conhecido conteúdo racista destas palavras, é de salientar o apurado sentido da realidade do amigo do jovem, prevendo a humilhação do “braguinha”, e do próprio Lobo, certo de vingarem a derrota do Villareal aos pés do FC Porto, que ele apelida de “clube da sempre 2ª cidade de Portugal”.
Encontrei algumas imagens do dia fatídico. Esta, por exemplo, é de uma entrevista à CM TV (o que quer que isso seja), cujo título é “Violência no Estoril-Porto”. Como se pode ver, o rapaz está irreconhecível, completamente desfigurado, faltando-lhe cerca de um quarto do maxilar e dois terços da espinha dorsal…
E como é que tudo aconteceu? Diz Nuno Lobo que “Na altura do primeiro golo do Estoril, levei um murro, uma palmada forte nas costas que me projetou para a frente, até me amparar no muro da tribuna presidencial. Foi uma agressão do senhor Adelino Caldeira, não sei se com a mão fechada ou aberta“. Acho da mais extrema importância determinar se foi com a mão fechada ou aberta, se foi murro ou palmada. É que se foi palmada, muito bem, é bem possível que a força motriz não tenha sido a suficiente para fazer voar o jovem. Se foi com a mão fechada, não se percebe como foi possível não o ter mandado mesmo abaixo da tribuna. Desculpa lá, Adelino, mas isto não abona nada a teu favor.
Na imagem seguinte, segundos após a agressão, vê-se Nuno Lobo a chamar os amigos: “Ó pessoal, acabei de ser agredido! Ei! Ninguém me ouve? Socorro! Fui agredido!”. Paulo Bento pensa “Mas que mal fiz eu para ficar sentado ao lado deste garnizé?”. Adelino Caldeira pensa seriamente dar-lhe um biqueiro que o faça sentar e Pinto da Costa envia um sms à esposa a perguntar se quer ir ao cinema hoje à noite.
Na próxima imagem, já se vê Nuno Lobo sentadinho, enquanto Adelino Caldeira lhe tira as medidas por forma a encaixar da melhor maneira, numa próxima oportunidade, o seu sapato 43 na cabeça do jovem. Pinto da Costa continua a trocar sms com a sua adorável esposa, a dona Fernanda.
Nesta última imagem, enquanto Adelino Caldeira mantém aquele olhar amistoso e Pinto da Costa prossegue a troca de sms fofinhos, Nuno Lobo fixa o seu olhar no vazio. É já um olhar lívido, quase agonizante, de quem vê o horror no horizonte e a ele não tem maneira de escapar. Ele sabe que ao mínimo gesto hostil ao FC Porto poderá ter de apanhar os dentes com os braços partidos, tarefa para a qual, nota-se, ele não está minimamente preparado. Felizmente o jovem foi sensato e manteve-se bem comportadinho no seu lugar. Agora segue-se a batalha judicial que a UEFA terá de decidir e que vai, com certeza, prender a atenção de mundo futebolístico internacional.

Pensamentos soltos

Alguns pensamentos soltos, porque não me apetece escrever muito.
1. Herrera merece continuar a ser aposta. Gosto de Defour, mas como suplente. O mexicano é mais ofensivo, é mais forte fisicamente e tem um raio de acção mais largo do que o belga.
2. Quintero fez hoje aquilo que eu acreditei que ia fazer contra o Atlético de Madrid. Umas entram, outras não. Que jogue mais vezes e mais tempo.
3. Ghilas não jogou. Mais uma vez.
4. Luís Freitas Lobo estava à espera de algo verdadeiramente especial no fim do jogo. E teve-o…
5. O terceiro classificado tremeu que nem varas verdes contra 10. Sim, este ano temos é de nos preocupar com o Sporting.