That Indi look

Preparem-se. Este homem vai espalhar o terror pelos avançados adversários.

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Do mundial (X)

1. Do segundo dia de quartos-de-final, nada de surpreendente houve a registar. Ou melhor, poder-se-ia esperar um pouco mais de uma Bélgica que tão boas individualidades tem, mas, na realidade, aconteceu-lhes o mesmo que à França. Na hora da verdade, contra uma seleção mais experiente, caíram, sem que se pudesse falar sequer em vitória moral ou qualquer coisa parecida que as fizesse sair do mundial em relativa glória (como aconteceu com a Colômbia).

2. Sempre disse, já dos tempos dos coisinhos, que Witsel era um jogador sobrevalorizado. É bom jogador, mas não é um craque à escala planetária (como eram, no seu tempo, por exemplo, um Enzo Scifo ou um Jan Ceulemans) como quiseram fazer dele. Apesar da qualidade técnica, de passe, principalmente, e de aparecer bem na área para finalizar, acho-o lento e afastado do jogo em grandes períodos de tempo. Quanto ao “nosso” Defour, só posso dizer que foi realmente uma pena não se ter valorizado para ainda nos render uns trocos.

3. A Argentina também não me convence por aí além, mas, lá está, com Messi tudo pode acontecer (de bom) a uma seleção. E se Di María estiver num dia daqueles (já não vai estar mais, o que é uma pena) e o Higuaín resolver acertar na baliza…

4. A Costa Rica foi surpresa, mas não chegou a sensação. Teria sido sensação se tivesse eliminado a Holanda. Não eliminou, nem o merecia. A Holanda foi melhor, porque tem jogadores melhores. Mais pragmático que isto não posso ser. Por falar em pragmatismo, não haveria muito para dizer sobre o jogo para além das defesas do Navas se Van Gaal não tivesse substituído o guarda-redes para os penaltis e proporcionasse, assim, assunto para mais trinta minutos de debate, opinião, análise nos programas televisivos.

Do mundial (IX)

1. É por isto que nunca hei de gostar do Brasil de Scolari: com 2-0 e vinte minutos para jogar, começaram a despejar bolas para a frente, sem nexo, algumas para fora, outras para o “quintal”. O Brasil a atirar bolas “para o quintal”. O Brasil a jogar à Ramaldense (com todo o respeito pela coletividade de Ramalde). Este Brasil não seduz, este Brasil morde os calcanhares ao adversário até ele cair. Este Brasil não quer massacrar os adversários, este Brasil quer acima de tudo rezar. E que o jogo acabe rapidamente, logo que se apanha a ganhar. Não gosto disto, mas é disto que o Brasil de Scolari é feito.

2. A Colômbia deu 45 minutos ao Brasil, mas também foi forçada a isso. Este é o Brasil mais agressivo – no bom sentido – de que me lembro, o que tornou o jogo de pé para pé dos colombianos uma tarefa quase impossível. Sempre no limiar da falta (ou mesmo em falta), o “exército” de Scolari não deixou a Colômbia respirar e o golo madrugador ajudou, e muito, a desorganizar os jogadores de Pekerman. O selecionador da Colômbia parece ter qualquer coisa contra Jackson Martínez, que, hoje, nem terceira opção foi. Começou o jogo Ibarbo (um mistério para mim, a titularidade deste homem), depois entrou Ramos e, finalmente, Bacca, supostamente quem deveria disputar o lugar com… Jackson. Outro homem que esteve abaixo do que costuma fazer, e disto se ressentiu o jogo de ataque da Colômbia, foi Cuadrado. Com Guarín, no lugar de Aguilar, percebeu-se a intenção de dar mais força ao ataque, mas o ex-FCP passou ao lado do jogo. Correu mal a Pekerman.

3. Poder-se-ia dizer que a falta que dá origem ao livre de David Luiz não existiu. Ou que o fora-de-jogo marcado no golo de Yepes foi assinalado muito tarde (só quando a bola entrou). Mas acho que até aí a Colômbia teve azar. O árbitro teve uma tarefa muito difícil e foi preciso muito sangue frio e tolerância para não desatar a distribuir amarelos a torto e a direito com tantos nervos à flor da pele. Um Xistra varria, hoje, este jogo a amarelos e duplos amarelos.

4. Paulo Sérgio, jornalista da RTP, viu três jogadores colombianos no aquecimento, dois deles Jackson Martínez e Quintero, mas o que lhe saiu foi isto: “Três homens colombianos a aquecerem. Um deles é Carlos Bacca”. Quando Quintero entrou, o homem pareceu surpreendido, como se, de repente, se lembrasse que o miúdo também foi ao mundial. Isto não é propositado. Isto é mesmo incompetência de alguém que está formatado para determinados jogadores de determinados clubes. Não consegue melhor. É mesmo assim.

5. Na hora da verdade, a jovem França não aguentou a parada. Apesar do resultado escasso, nunca me pareceu que a vitória alemã estivesse em perigo. E, depois, quem tem um gigante na baliza (em tamanho e em qualidade) “arrisca-se” a não sofrer golos. Aquele braço estendido, no último minuto, a parar o remate de Benzema, foi o símbolo da força desta Alemanha. E que grande jogo vem aí com o Brasil.

Do mundial (VIII)

1. Está a ser o Mundial dos guarda-redes. Ochoa, Eneyama, Mbolhi, Howard, Ospina, Neuer, Courtois, Júlio César, entre outros. A destoar: Akinfeev e Casillas (Rui Patrício só jogou um jogo).

2. Está a ser o Mundial dos prolongamentos. Este último, entre a Bélgica e os EUA, valeu por todo o campeonato. Que grande jogo, que festival de ataque, que lição de querer e talento. Está a ser, também, um Mundial que não aconselha a que se saia do estádio cinco minuto antes do fim do jogo já que muita coisa se tem decidido nos últimos instantes. E muitos guarda-redes têm subido à área adversária para tentarem a sorte.

3. Está a ser o Mundial dos árbitros auxiliares, vulgo, bandeirinhas. Ainda não ouvi ninguém referir isto, mas está a ser impressionante a qualidade destes homens, sempre muito bem colocados e a tirarem foras-de-jogo milimétricos quase sempre com acerto. As arbitragens, em geral, têm estado muito bem, mas o meu aplauso vai para os homens da bandeira.