Apanhar a toalha do chão

Esta capacidade de regeneração que o futebol nos traz é fantástica. No domingo à noite chorávamos que nem umas madalenas o afastamento do título, recuperávamos velhas acusações a Lopetegui, perguntávamos a Indi “Como foi possível?”, púnhamos em causa a SAD e insinuávamos o fim do período de validade do nosso Presidente. Vinte e quatro horas depois, desligávamos a TV segundos após Paixão apontar para a marca da grande penalidade e abríamos a boca de espanto, uma hora a tal depois, com os noticiários a darem destaque a um tal Sérgio Oliveira. Ontem à noite, esquecíamos tudo e sorríamos com um miúdo de apelido célebre a mostrar que está destinado a ser grande como o pai – ou ainda maior, quem sabe. Em quatro dias, estivemos no inferno, mas voltámos para ver se ainda conseguimos um lugarzinho no céu esta época. Apanhemos a toalha do chão.

Seis seguidas

Perdem-se campeonatos em jogos como os de ontem. Um campo impróprio que favorece quem joga na raça, no choque, no ressalto. O Penafiel fez isso, e bem, conseguindo reduzir num lance em que a nossa defesa fez lembrar os tempos de Paulo Fonseca: jogadores a atrapalharem-se, desorientação, falha técnica.
Por momentos, pairou a dúvida sobre o resultado final, mas o génio de Jackson Martinez resolveu, junto à linha de fundo, um problema complicado, conseguindo criar as condições para o terceiro golo, que acabou com as dúvidas.
Mais uma etapa cumprida. E vão seis seguidas.

El mejor del mundo

Aquele grito em castelhano vai vender mais uns milhares de camisolas, com a imagem de Cristiano Ronaldo estampada por cima de um “Sí” gigantesco a fazerem a moda dos próximos tempos. Não me admiraria nada que isto fosse um golpe comercial fabricado pelo marketing madridista.
A “promessa” de apanhar o Messi vai ser aproveitada pela imprensa catalã e, já agora, pelos argentinos, que vão ver aquela referência como um prestar vassalagem ao verdadeiro, na opinião deles, melhor jogador do mundo. E vão cobrar-lhe estas palavras daqui a um ano.
À parte estes dois pormenores, nada de surpreendente esta eleição e inteiramente justa. Ronaldo é uma máquina.

Porto e Sporting – duas vitórias robustas

Hoje fechei os olhos e imaginei que estávamos a jogar contra os coisinhos. Foi mesmo bom. Depois, abri os olhos e vi que era o último classificado, ainda sem vitórias. Não menosprezando esse dado objetivo da posição que o Gil ocupa, é preciso dizer que jogámos bem e marcámos cinco grandes golos. Os motores demoraram a aquecer, mas, quando aquilo arrancou definitivamente, foi um massacre autêntico. Ainda estava 0-0 e eu dizia a um amigo, no meu sempre saudável otimismo, “Isto vai ser uma seizada”. Foram seis golos, no total, por isso acertei. Só não gostei da forma como sofremos o golo. Acorda, Alex Sandro, que estás aqui, estás a ser ultrapassado por um Angel com asas.
Tudo indica que a crise no Sporting acabou hoje com a vitória sobre o Estoril. Afinal, o futebol ainda é futebol e os resultados ainda ditam as regras. Pelo caminho, fica a imagem de um presidente fraco que falhou precisamente onde deveria ter mostrado força e personalidade. Fica a imagem de um clube onde há quem faça biscates e saia chamuscado. E fica a imagem de um clube onde a estratégia de comunicação para o exterior é no mínimo ridícula.
Em relação ao jogo, achei que o Sporting jogou muito bem. Mas, acima de tudo, gostei de ver o clube que pugna pela moralização no futebol e não admite atrasos em campo das equipas adversárias ter um jogador que se faz expulsar propositadamente, falseando a verdade desportiva, para poder jogar o jogo que mais lhe convém.

Desejos para 2015

A ordem é irrelevante e a importância é subjetiva. São doze desejos do Pobo do Norte para 2015.
1. Que o Gaitán tenha, já este fim de semana, uma entorse no dedo mindinho do pé esquerdo que o impeça de jogar até final da época.
2. Que se acerte, de uma vez por todas, na forma como se escreve o nome do treinador do Zenit. Será com um ou com dois “éles”? Tem hífen ou não?
3. Que o Hélton e o Opare tenham oportunidade de jogar para, também eles, serem campeões.
4. Que o Bruno de Carvalho faça “like” na página de facebook do Pobo do Norte e passe a publicar os seus comunicados na nossa página. É um bocado difícil, esta segunda parte da frase, nós sabemos.
5. Que o António Oliveira consiga dizer “Lopetegui”. Ou então que o Miguel Guedes regresse ao Trio de Ataque.
6. Que os árbitros auxiliares frequentem ações de formação em “A lei do fora de jogo no futebol” e esqueçam tudo o que aprenderam na formação de agosto 2014, “A lei do fora de jogo nos jogos do Benfica”.
7. Que o Deyverson e o Miguel Rosa joguem todos os jogos da segunda volta. Incluindo “aquele”.
8. Que o Jackson volte a marcar penaltis. Porque gostamos de o ver marcar penaltis. Porque até a falhar penaltis o cha cha cha tem estilo.
9. Que o Brahimi passe a bola.
10. Que o Manuel José volte para o Egito (ou “Egipto” para quem se revolta com o acordo ortográfico).
11. Que o Dragão tenha um “detetor de assobiadores aos 10 minutos de jogo (ou quando o Adrián Lopez não domina a bola)” e lhes barre a entrada.
12. Que o Cristiano Ronaldo pare com aquela cena de lamber os lábios quando está a ser entrevistado. Que nojo.
Estes são os nossos desejos para 2015. E os vossos?