Sinais de retoma

Começo por um apontamento humorístico, mais um dos muitos que a nossa comunicação social nos oferece. A Bola online publica uma série de fotos do jogo FC Porto-Rio Ave e, numa delas, coloca a seguinte legenda: “Varela levanta-se depois de perder a bola para Gaspar“. A imagem é esta e, com alguma atenção (não é preciso muita) podemos observar o público nas bancadas de braços no ar (estarão a festejar a perda de bola do Varela?) e a cara de chateado do Gaspar (“eh pá, que chatice, voltei a roubar a bola ao Varela”). O Varela, esse prepara-se para correr, não sei para onde, possivelmente festejar um golo que o jornalista de A Bola não sabe que aconteceu.

Este jogo trouxe-nos alguns sinais de retoma que, sendo previsíveis, não nos deixam ainda confiantes quanto ao momento da equipa. Desde logo, a subida de forma de Meireles, Rodríguez e de Hulk e os regressos de Fucile e Varela. Eles foram os responsáveis pela melhoria exibicional em relação aos jogos com o Belenenses e com o Marítimo (em relação a este último, não era difícil melhorar…). Criámos oportunidades e chegámos a encostar o Rio Ave às cordas. O problema chamou-se, mais uma vez, finalização. E neste capítulo, Falcao esteve em destaque pela negativa. Começo a pensar se teremos ali uma espécie de Pena. Depois de um período fulgurante, a queda… Será? Por mim, continuo a achar o Radamel o melhor que temos no plantel para aquela posição e o seu trabalho durante o jogo é muito útil.

Sinais de preocupação vieram de Fernando e de Álvaro Pereira. Do primeiro, não lhe conhecia esta faceta de falhar tantos passes. Parece mais interventivo na contrução de jogo, mas mais sôfrego. Quanto ao lateral uruguaio, quanto mais avança o campeonato, mais me lembro de Cissokho… A incorporação de Maicon no eixo da defesa foi uma surpresa para mim. Não tendo sido posto à prova de modo intensivo, não esteve particularmente bem no passe. Não foi por este jogo, mas entre ele o Nuno André Coelho, prefiro o português…

Foram três pontos importantes, porque podem signficar o encurtamento da distância para o primeiro classificado, que para já, é de três pontos. Três pontos que cada portista disposto a enfrentar o frio desta noite mereceu em pleno (excepto os que foram lá para assobiar).

Nem aquece nem arrefece

1. Perdemos um jogo que não envergonha perder. Ainda assim, fiquei com a ideia de que jogámos nos nossos limites (Hulk no banco à parte…) e de que o Chelsea optou por não ser tão letal como poderia ter sido se quisesse (deixando de fora Essien e Lampard, por exemplo). Com aqueles dados no tabuleiro, de parte a parte, merecíamos chegar ao intervalo a ganhar e ao fim do jogo empatados.

2. Rever Deco ao vivo foi emotivo. Para sempre nos corações portistas. Ricardo Carvalho também, claro.

3. O árbitro e o fiscal-de-linha que acompanhou o nosso ataque na primeira parte nunca nos deixaram chegar tão longe quanto queríamos. Já não me irritava assim com um árbitro estrangeiro desde o Markus Merk.

4. Precisamos urgentemente de Fucile, que traz à equipa duas coisas que Sapunaru não tem: eficácia defensiva e agressividade atacante.

5. Bellushi tem de ser sempre titular, mesmo que apenas dure 45 minutos. E Jesualdo que não venha outra vez com a história de que o argentino está a passar por um processo que leva o seu tempo de adaptação aos novos colegas e a um novo futebol . Colocá-lo no banco contribui para essa “adaptação”?

6. O que me interessa agora é saber se no campeonato vamos ter “mais do mesmo” ou se este jogo e o regresso de Varela podem significar alguma coisa de positivo. É que o Rio Ave é uma das melhores equipas deste campeonato.

PS – Soube hoje que morreu Ailton, antigo jogador do FCP na década de 70 (e que também passou pelo Sporting e pelo Boavista). Para quem não conhece, é o da ponta, ao lado do Gomes, nesta foto.

Abraços e promessas

Foi notícia ontem que Pinto da Costa, um fervoroso crente na religião católica apostólica romana, encontrou Jesus. Parece que deram um abraço fraterno e que o mundo voltou a fazer sentido. Muitos foram os que se atreveram a ver naquele abraço uma espécie de “beijo de morte” do nosso Presidente. Outros vislumbraram ali já um acordo para um futuro contrato. Há quem veja ali também a angariação de mais um sócio.

Hoje, o jornal A Bola revela, orgulhosamente, e talvez para descansar o adepto lampião mais chocado com a cena, aquilo que Jesus disse a Pinto da Costa: “O Benfica vai ser campeão”. Ou seja, mais uma banalidade. O que A Bola não revela, porque não consegue (ou não lhe interessa), é o que Pinto da Costa disse a Jesus. E isso sim, seria grande cacha jornalística! Até porque o que a foto publicada na primeira página sugere é precisamente o nosso grande Presidente a dizer algo que provoca o riso a Jesus. Que lhe terá dito Pinto da Costa, enquanto fita o chão (ou os sapatos de verniz de Jesus)? Aceitam-se sugestões.

É curiosa a frase que surge por baixo do título principal, “Treinador encarnado brincou falando a sério”, uma frase que nada traz de novo, nada revela de importante, mas, servindo-se do paradoxo, protege na perfeição o emissor.

Lamaçal

O jogo com a Oliveirense foi adiado. Obrigado, pela primeira vez, Bruno Paixão (mas ainda temos muito a haver). A poucos dias de recebermos o Chelsea, num jogo da elite europeia, fomos obrigados a ir a um campo de lama para que o árbitro fizesse aquilo que os responsáveis pelo nosso futebolzinho deviam ter feito antes. E alternativas não faltavam. Marcar o jogo no Estádio do Algarve, por exemplo.

Ó Jesualdo, viste aquele Meireles?

Aquele médio que jogou, fez jogar e marcou o golo de Portugal, ontem, na Bósnia, era capaz de ser uma grande contratação para o FC Porto. Chama-se Raul Meireles e parece que anda perdido em campo quando joga no campeonato nacional. Ó mister Jesualdo, não podíamos ir buscá-lo? Ou a alternativa será trazermos o treinador que o põe a jogar assim, Carlos Queiroz?

Fiquei muito feliz com o apuramento de Portugal para o campeonato do mundo ainda para mais com a contribuição decisiva de dois jogadores do FC Porto e participação de um contingente de ex-jogadores do tetracampeão: Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho, Pepe e Deco. Assim, temos a garantia de uma manchete de A Bola mais patriótica e menos… vermelhusca.

Não vi o jogo da primeira mão, mas, pelo que vi ontem, esta Bósnia era mais fogo de vista do que outra coisa. Vi ali dois jogadores de nível equivalente ao nosso: Dzeko e Pjanic. O resto era muita crença e pontapé para a frente. Sempre que conseguimos pôr a bola a rolar no lamaçal, mostrámos que estamos num patamar bem acima do dos bósnios.

O ambiente era frenético, mas veio confirmar o adágio de que “cão que ladra não morde”. Só não consigo perceber como é que a FIFA permite que se jogue naquelas condições um jogo de tão grande importância. E a agressão ao fiscal-de-linha foi incrível. Só faltou entrar em campo um bósnio e agarrar o pescoço do homem, como se vê, por vezes, em certos campos terceiro-mundistas.

E agora estamos na África do Sul, de onde Carlos Queiroz foi chutado há uns anos. Entrar pela porta grande vai saber-lhe bem.

Tão natural como a sua sede

Nem sei por onde devo começar. Se pela vontade que tive de atirar o comando à televisão quando criámos a primeira oportunidade de golo aos oitenta e tal minutos, se pela vontade de ir dormir logo após o apito final do árbitro, se pelo sorriso incrédulo ao constatar que o Bellushi é a quarta ou quinta opção de Jesualdo para o meio campo de ataque.
O que vi hoje na Madeira foi muito mau. Do pior que me lembro. E já não me lembro de uma exibição destas. O mais assustador é que encaro isto com naturalidade, tendo em conta os últimos jogos. O que surpreende, no FC Porto actual, é o jogar bem.
O padrão é este: a equipa não joga unida, os jogadores não correm, o meio-campo não é criativo; o adversário suplanta-nos do ponto de vista físico e marca primeiro do que nós; acordamos a dez minutos do fim, criamos três ou quatro oportunidades que desperdiçamos.
Nem me apetece escrever mais nada. Vou dormir.

O Zbordin morreu

Paulo Bento nunca foi aquilo que quiseram fazer dele, um grande treinador. Nem mesmo quando Nani, de Inglaterra, assegurou que poucos há no mundo melhores que ele. Hoje demitiu-se. Há que dizer que foi uma demissão com dranguilidade, sem precipitações, sem cabeça quente… Precisamos de um Sporting (o zbordin morre hoje) forte para depenar as galinhas daqui a duas jornadas. O FCP agradece.