Tudo normal

Fiquei agora a saber que o Fábio Faria não vai jogar na Luz daqui a meia-hora. Que conclusões podemos tirar daqui? Que o Rio Ave se vê privado de um dos seus maiores valores na defesa por culpa do próprio jogador, que admitiu que iria ser muito complicado gerir a questão de jogar contra o seu futuro clube. Declarações nunca antes ouvidas no nosso futebol e que, estas sim, põem em causa a verdade desportiva. Quando o próprio jogador, no final desta semana, veio dizer, indignado, que tinham posto em causa o seu profissionalismo e não iria prestar mais declarações, devia lembrar-se do que disse e do que o seu pai disse nas rádios deste país. Foi pressionado? Ninguém o obrigou a falar. Aparentemente, o país desportivo olha para isto com naturalidade. Um jogador é contratado antes do campeonato acabar, diz explicitamente que vai ter dificuldade, se jogar, em gerir a questão, e, no dia do jogo, não pisa o relvado. Maior “transparência” do que isto é impossível.

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Sinais de retoma

Começo por um apontamento humorístico, mais um dos muitos que a nossa comunicação social nos oferece. A Bola online publica uma série de fotos do jogo FC Porto-Rio Ave e, numa delas, coloca a seguinte legenda: “Varela levanta-se depois de perder a bola para Gaspar“. A imagem é esta e, com alguma atenção (não é preciso muita) podemos observar o público nas bancadas de braços no ar (estarão a festejar a perda de bola do Varela?) e a cara de chateado do Gaspar (“eh pá, que chatice, voltei a roubar a bola ao Varela”). O Varela, esse prepara-se para correr, não sei para onde, possivelmente festejar um golo que o jornalista de A Bola não sabe que aconteceu.

Este jogo trouxe-nos alguns sinais de retoma que, sendo previsíveis, não nos deixam ainda confiantes quanto ao momento da equipa. Desde logo, a subida de forma de Meireles, Rodríguez e de Hulk e os regressos de Fucile e Varela. Eles foram os responsáveis pela melhoria exibicional em relação aos jogos com o Belenenses e com o Marítimo (em relação a este último, não era difícil melhorar…). Criámos oportunidades e chegámos a encostar o Rio Ave às cordas. O problema chamou-se, mais uma vez, finalização. E neste capítulo, Falcao esteve em destaque pela negativa. Começo a pensar se teremos ali uma espécie de Pena. Depois de um período fulgurante, a queda… Será? Por mim, continuo a achar o Radamel o melhor que temos no plantel para aquela posição e o seu trabalho durante o jogo é muito útil.

Sinais de preocupação vieram de Fernando e de Álvaro Pereira. Do primeiro, não lhe conhecia esta faceta de falhar tantos passes. Parece mais interventivo na contrução de jogo, mas mais sôfrego. Quanto ao lateral uruguaio, quanto mais avança o campeonato, mais me lembro de Cissokho… A incorporação de Maicon no eixo da defesa foi uma surpresa para mim. Não tendo sido posto à prova de modo intensivo, não esteve particularmente bem no passe. Não foi por este jogo, mas entre ele o Nuno André Coelho, prefiro o português…

Foram três pontos importantes, porque podem signficar o encurtamento da distância para o primeiro classificado, que para já, é de três pontos. Três pontos que cada portista disposto a enfrentar o frio desta noite mereceu em pleno (excepto os que foram lá para assobiar).