Os médios da seleção

E de repente a seleção enche-se de médios. Miguel Veloso tem sido o titular na posição 6, mas há que contar com William Carvalho, que encheu os campos da época futebolística interna. Depois, há Raul Meireles a fazer de Abel Xavier para dar aquele toque kitsch-exótico à coisa. E Fernando, o melhor de todos na difícil arte de tirar a bola ao adversário, mas com vistas curtas no que diz respeito ao ataque. E agora? Agora, como se não bastasse esta malta toda, entra em cena Tiago, titularíssimo do finalista da Champions e provável campeão de Espanha. Que hipóteses terão Adrien, Josué ou Ruben Amorim, por exemplo?

Patriotinhas

Eu gosto muito do meu país, mas não alinho em ondas patrioteiras de nível rasteiro. A Bola de hoje afirma, na primeira página, com toda a imparcialidade que se lhe reconhece – que a “UEFA quer Juventus na final“. Isto porque a Juventus formalizou uma queixa contra o argentino e a UEFA está a analisar o caso. A Juventus tem o direito de o fazer e a obrigação de o provar. A UEFA tem a obrigação de proceder conforme os regulamentos e averiguar. Aos coisinhos resta-lhes estar de consciência tranquila, partindo do pressuposto que é tudo invenção dos italianos. Por isso, não se percebe – ou se calhar percebe-se – toda esta histeria do pasquim em causa.
De repente, dei por mim a sorrir. Esta UEFA, que agora é criticada pelos coisinhos e pelo seu jornal de estimação pela celeridade na condução do processo, é a mesma UEFA que analisou as queixas desta malta contra o FC Porto e a quem foi pedida rapidez na expulsão do nosso clube da Champions. Portanto, a bem do futebol, a bem da transparência, a bem do cumprimento dos regulamentos, a bem do fair-play, acho que todos os benfiquistas deviam aceitar que este caso se decida rapidamente.

Falta muito para isto acabar?

A melhor coisa que podia ter acontecido aos coisinhos, hoje, foi a expulsão de Steven Vitória. Até esse momento, estávamos por cima, íamos criando sucessivas situações de perigo para Oblak e adivinhava-se que um golo pudesse surgir. Como disse Luís Castro, depois da expulsão, eles recuaram e fecharam-se. Se a jogar com 11 defendiam com 6 ou 7, a jogar com dez passaram a defender com 9 (sem contar com o GR). A partir daí, foi incompetência nossa. Portanto, nada que já não soubéssemos. Lentidão, previsibilidade, mediocridade. E um Quaresma diminuído fisicamente, que nada acrescentou ao jogo da equipa e que mostra, mais uma vez, a sua faceta de prima donna. Depois, entra Quintero, que fica a jogar longe de Jackson. E Ghilas, que vai para a linha. Estamos para sempre presos ao 4-3-3 – por decreto diretivo – ou haverá alguma vez uma hipótese de se mudar?

Defour

Sinto-me envergonhado por ter dado tanto benefício da dúvida a este jogador. Sinto-me envergonhado por tê-lo defendido quando me diziam que não era jogador para o FCP. E por ter achado que era uma questão de o pôr a jogar regularmente, que logo iria “explodir”. Ontem, foi vergonhosa a sua exibição. Nem um passe de rotura, nem um corte, nem uma jogada de envolvimento. Passes para o lado, para trás, para o lado, alguns sem precisão, sem força, enfim… O Herrera foi mau, mas este conseguiu ser pior. E só lhe dedico um artigo porque não me esqueço dos choradinhos na imprensa a reclamar a titularidade e as ameaças “olhem que me vou embora”. Vai, faz um grande Mundial e não voltes.

Tragédia sevilhana

Aquilo que nos aconteceu hoje, nos primeiros 30 minutos, podia ter acontecido em Nápoles. É preciso não esquecer o que sofremos naquele jogo, antes de conseguirmos dar a volta ao resultado. Por isso, esta tragédia em Sevilha não foi propriamente uma surpresa. Foi muito triste, mas não foi inesperado. Os erros de hoje foram os erros de Nápoles, só que em Itália tivemos mais sorte. E hoje não tivemos Fernando e Jackson Martinez.
Esta é a derrota de um conjunto de dirigentes que falhou em toda a linha na construção do plantel para a época 2013-2014. Que não foi capaz de encontrar, por exemplo, duas alternativas minimamente credíveis para os nossos dois laterais brasileiros que, há dois anos consecutivos, jogam sem parar. Esta é a derrota de um plantel limitado, de um plantel construído de forma pouco sagaz, de um plantel órfão de um líder em campo. É a derrota de uma SAD que “reforça” a equipa em janeiro com “velhas glórias” porque já perdeu o domínio sobre o mercado jovem português. É a derrota de um Presidente que, pela primeira vez, reage e desce ao nível dos os comentadores televisivos portistas. É a derrota de uma SAD que prefere processar judicialmente um comentador portista num jornal inimigo em vez de olhar para dentro. É a derrota de uma SAD que se descontrola em direto, na TV, perante todo o país. É a derrota de um Presidente que vem apostando em jovens treinadores consecutivamente, sem qualquer estatuto no futebol, sem perceber que o “fenómeno André Villas-Boas” só acontece quando o rei faz anos (e, já agora, com Hulks e Moutinhos no plantel). Enfim, poderia continuar aqui a enumerar situações que hoje me vêm à memória, mas o melhor é ficar por aqui.

Ligados à Europa

Com as baterias apontadas à Liga Europa, fizemos, hoje, na primeira parte, uma boa exibição do meio-campo para a frente, com uma eficácia que deitou por terra qualquer veleidade defensiva da Académica. Na defesa, só não sofremos nos primeiros 45 minutos porque tivemos um gigante (não apenas em tamanho) chamado Fabiano. Abdoulaye parece querer acusar a onda negativa transmitida pelos adeptos em relação às suas mais recentes exibições. Reyes, por outro lado, afirma-se de jogo para jogo, mas não dispensa um patrão ao seu lado. Gosto da dinâmica e criatividade que Quintero dá ao jogo da equipa, gosto da clarividência – ainda que lenta, por vezes – de Herrera. E gosto de ver um Ghilas a crescer, também, seja no centro do ataque, seja nas alas.
Quinta-feira vamos passar um mau bocado em Sevilha, mas estou confiante. O onze, no meu entender, deveria ser este:
Fabiano
Danilo, Mangala, Reyes e Alex Sandro
Defour, Herrera e Josué (mas eu sei que o treinador vai pôr o Carlos Eduardo de início)
Varela, Ghilas e Quaresma