Vinte anos de burrice

Digam-me uma coisa. Estão a ver um treinador a ganhar apenas por 1-0, e a permitir que um jogador que está de saída do clube marque um penalti como prémio de despedida, arriscando que este jogador falhe e o resultado se mantenha num perigoso 1-0? Impossível. Só se for um jovem treinador em início de carreira.

A sova do mestre André

Eu era o miúdo que não sabia reagir à pressão, que tinha de ser expulso quando empatava, que não se sabia comportar. Afinal, o graúdo faz figuras piores. Deixo ao vosso critério a análise e a consideração, mas registo com curiosidade a discrepância brutal das decisões tomadas e a preponderância que lhes foi dada.”
O que sei foi apenas o que vi nas imagens televisivas. Há proteccionismo [ao Benfica] evidente em determinado tipo de situações, por parte de alguma comunicação social. Não é novo, é cultural, e é isso que nos faz chegar ao sucesso. O F.C. Porto agradece.
Este rapaz vai ser Presidente do FC Porto. Escrevam isto.

Jesus agride

O site oficial do segundo classificado quer fazer de nós parvos, mas ainda temos olhinhos na cara que conseguem ver o que é óbvio. E o que foi óbvio ontem, perante as câmaras televisivas, foi que Jorge Jesus agrediu Luis Alberto, do Nacional. Pareceu-me um soco, mas admito que possa ter sido uma chapada. A cara do Luis Alberto quase que fazia uma rotação de 360 graus. O próprio Luis Alberto tenta ripostar, mas não chega a Jorge Jesus, que, entretanto, foi afastado por Rui Costa e Javi Garcia. Pouco me interessa que o treinador diga que “afastou” o jogador ou que o jogador diga que “foi empurrado” pelo treinador. O que as televisões filmaram é claro e só não vê quem não quer. Esperemos para ver o que vai acontecer.

O gordo joga muito

Dizia um tipo umas filas atrás de mim: “O gordo joga muito!”. E repetia. Referia-se a Walter, o brasileiro que hoje fez uma boa exibição no Dragão. A TSF elegeu-o como o melhor jogador em campo (Hulk apenas jogou uma parte) e eu sou capaz de concordar. Walter é muito bom de bola. Recebe, toca, dribla, sempre com muita qualidade. Só lhe falta mais velocidade, qualidade que acredito poder alcançar com uma pré-época decente. Mantenho, porém, a reserva em relação ao seu afastamento dos convocados em determinados jogos, o que não deixa de ser estranho tendo em conta a escassez de pontas-de-lança do plantel. Espero que não haja aqui razões estranhas ao futebol.
O jogo de hoje foi fácil. O Beira-Mar foi mauzinho (não sei se jogou sem alguns titulares) e nós fomos pouco ambiciosos na segunda parte. Se, por um lado, compreendo a necessidade de poupar jogadores nucleares para outros voos, por outro, acho que devemos sempre jogar no máximo das possibilidades e meter a bola lá dentro o maior número de vezes possível. Ainda por cima, hoje, a segunda parte calhou para o meu lado e não vi nenhum golo perto. Não se faz. Fica uma primeira parte de grande nível, com o tridente atacante, James-Walter-Hulk, em grande estilo, secundados por um Moutinho do costume (ou seja, muito bom), um Fernando a dizer a Guarín que se calhar o lugar é mesmo seu, e um Souza mais discreto e menos empreendedor que os outros dois. Na defesa, gostei finalmente de Emídio Rafael, e se este jogo significar que temos ali um valor em evolução, retiro tudo o que disse sobre ele nos jogos anteriores (e que não foi nada simpático). Do outro lado, tivemos um Fucile mais interventivo do que no último jogo para o campeonato, mas ainda assim a precisar de um desfibrilador em certos momentos do jogo para ver se acorda. No meio, jogou aquela que é, para mim, a dupla de centrais do futuro (próximo). Com Maicon ganhamos altura. Com Otamendi ganhamos classe e poder de corte. Com os dois ganhamos velocidade. Desculpa lá, Rolando.
Já agora, o Walter já emagreceu desde que chegou a Portugal.

Só eu sei porque não ganhámos em Alvalade

O Paços acabou de fazer em Alvalade aquilo que nós teríamos feito se o Maicon não tivesse sido expulso. Grande exibição dos pacences, banalizando uma equipa do Sporting que já é conhecida precisamente por ser banal. Não sei se o Paulo Sérgio sobreviverá a este resultado, mas o mais certo é o Sporting, como clube “diferente” que apregoa ser, contratar mais uma pessoa para os quadros directivos, em vez dessa coisa vulgar e popular de “chicotadas psicológicas”.
PS – Fui ver agora mesmo a ficha do jogo do Guimarães-Olhanense e vi lá o tal de Jardel que o segundo classificado contratou. Portanto, confirma-se a pouca vergonha de toda esta situação. O que acharia Platini disto?

El Guaro

Freddy Guarin expressa, através do seu twitter, toda a alegria que lhe vai na alma pelo jogão de ontem. El Guaro, como lhe chama Falcao (curiosamente, “guaro” é o nome de uma bebida alcoólica muito popular na América Latina), fez ontem um jogo perfeito em termos ofensivos, com dois grandes golos e acções de construção importantes, deixando-nos completamente inebriados com tamanha contribuição. Guarín parece ser mais um exemplo de que, no nosso clube, o jogador de futebol encontra o espaço ideal para evoluir. Um clube que “faz” jogadores de futebol, que os promove e lhes dá estabilidade. Fui um dos muitos que vaticinaram um futuro cinzento para Guarín no nosso clube, mas, nestes casos, gosto mesmo de perder a razão.
Por outro lado, também devemos ter consciência que, em termos defensivos, Guarín está uns furos abaixo de Fernando, e não me admiraria nada que, dentro de um ou dois jogos, o brasileiro voltasse à titularidade – sendo Belluschi e João Moutinho intocáveis. Quem fica a perder neste jogo competitivo interno é Ruben Micael, um jogador de muito bom passe e inteligente a armar jogo, mas que perde para os restantes na capacidade física (velocidade e explosão).
Voltando ao jogo de ontem, o melhor em campo foi o colombiano, mas muito perto dessa distinção andou João Moutinho. Um amigo meu com quem via o jogo perguntava-me “O Moutinho já jogava assim no Sporting?”. E acho que é uma pergunta legítima porque é de tal forma elevada a qualidade que este jogador põe no jogo da nossa equipa que custa a crer que o Sporting tenha desperdiçado desta maneira um jogador destes, ainda por cima para um rival directo. Ou então voltamos à conversa do primeiro parágrafo e da capacidade que o nosso clube demonstra em fazer evoluir os jogadores.

Para acabar a semana a sorrir

Funes Mori deixou de ocupar as manchetes de A Bola a partir do momento em que o segundo classificado “desistiu” de o contratar e foi aventada a hipótese de o FC Porto estar interessado nele. Normal. Agora, a estrela chama-se Fernández.
Ao mesmo tempo, destaca-se o facto de Rodrigo – lembram-se? aquele craque do Real Madrid que foi contratado por uma pipa de massa para ser… emprestado ao Bolton – estar a brilhar em Inglaterra. Eu que não percebo nada de bola, decidi ir ver com os meus próprios olhos o que de relevante este moço tem feito na Premier League e qual não é o meu espanto quando vejo que, após 22 jornadas, o nome de Rodrigo aparece em 9 jogos , 3 deles apenas como titular. E de onde vem todo este brilho? É que o jovem marcou, finalmente, o seu primeiro golo em Inglaterra, anteontem, no empate caseiro contra o Wigan. O jornal A Bola correu logo a escarrapachar na primeira página “Rodrigo brilha em Inglaterra“. Mais: “Avançado contratado pelos encarnados ao Real Madrid por 6 milhões confirma valor“. Isto não dá vontade de rir?

Ano Mariano

Estou à vontade para escrever isto, porque já o critiquei muito no passado, mas gostava mesmo que este 2011 fosse o ano de Mariano Gonzalez. Nunca fui jogador de futebol, mas não me consigo imaginar dez meses impedido de fazer o que mais gosto na vida, seja por que razão for. Neste caso, o regresso daquele que ainda há dias um locutor de rádio apelidava de “patinho feio” (porquê insistir nestes epítetos?) assume especial significado porque ele é dos mais antigos no plantel e Villa-Boas não se cansa de elogiar as suas qualidades humanas. A sua inscrição na Liga é também uma prova, mais uma, de que o nosso clube não deixa cair ninguém e sabe retribuir a dedicação e o profissionalismo dos seus jogadores. Como sempre soube. Para Vítor Baía ver.

O fogo de Anselmo

Este Anselmo já me anda a meter uns nervos há uns anos. Com tanta exportação para campeonatos russos, cipriotas, romenos, não há nenhuma alma que ainda tenha levado este Anselmo? O homem decide sempre aparecer em grande contra nós. Foi ao serviço do Estrela da Amadora, agora pelo Nacional, que nos impõe a primeira derrota da época. Uma derrota que não prova nada (por exemplo, que afinal somos fraquinhos, como já li por aí…), mas dá que pensar. Por exemplo, teremos nós, na defesa, alternativas de qualidade aos titulares? Não. Teremos nós um número de pontas-de-lança decente no plantel? Não. Será James Rodriguez um prodígio como se tem dito até agora? Não. Pelo menos ainda não vi nada nele que mereça esse epíteto. Ficam as perguntas no ar, agora que descemos à terra.