O balanço possível

Nesta época, Lucho fez 19 jogos pelo Marselha na “Ligue 1″(15 dos quais no 11 inicial), pelo que só pode ter regressado ao Dragão na perspectiva de jogar na equipa titular. Em condições normais, o argentino vai liderar a equipa e atirar com o belga para o banco de suplentes. Creio que ganhamos muito com a troca.

Quanto ao Janko, terá realizado 15 jogos no campeonato holandês, 10 dos quais no 11 inicial, tendo marcado 7 golos. Tenho imensas dúvidas que este austriaco tenha lugar na equipa inicial do FCP, mas se o Kleber continuar a revelar-se incapaz de meter a bola na baliza, enfim, dêem uma oportunidade a este “pinheiro”.

Guarin e Belluschi foram para Itália, como se previa. A saída do colombiano não me perturba mas lamento a perda do criativo Samurai – não temos nenhum jogador como este no nosso plantel e acredito que a sua ausência será notada. O pequeno argentino fez 16 jogos esta época e foi titular em 10 deles, o que significa que teve influência, para o bem e para o mal, na época menos feliz que a equipa tem realizado.

Por outro lado, Guarin quase não jogou (apenas 7 jogos e 2 deles apenas como suplente utilizado), tenha sido por força das lesões, das opções do treinador ou apenas resultado de questões pessoais como a expectativa que alegadamente tinha de sair no verão de 2011.

A verdade é que, apesar da boa imagem que ficou deste corpolento médio na recta final da época passada, Guarin contribuiu relativamente pouco ao longo das 3 épocas anteriores: considerando apenas o campeonato nacional, em 2008/2009 fez 15 jogos sem nunca ter sido titular, em 2009/2010 alinhou 18 vezes mas só foi titular em metade destas aparições, e no ano passado, não obstante o brilhantismo da parte final da temporada, só entrou na equipa após a lesão do Belluschi, tendo sido titular 12 vezes e suplente utilizado em mais 10 jogos. E foi sempre um jogador inconstante, no qual nem Jesuado, nem AVB e muito menos VP confiavam. Talvez porque é algo lento e porque tanto fazia grandes passes (como o que deu o golo da final em Dublin) e fantásticos golos, como cometia erros grosseiros em zonas proibidas (lembram-se do passe de morte para o Messi no jogo da Supertaça Europeia?).

No próximo jogo, felizmente, VP vai mesmo ter de retirar o Maicon da lateral direita porque tem apenas  2 centrais disponíveis, o que abre caminho para a entrada definitiva do Danilo como lateral direito titular. Do mesmo modo, Lucho vai ter de jogar e com Fernando de volta, é mesmo Defour que terá de sair – Moutinho é fundamental e sê-lo-á ainda mais com a menor disponibilidade física do trintão argentino. Na frente, se o Hulk não puder jogar, que dêem mais uma oportunidade ao Kleber. Estamos agora mais longe do primeiro lugar do que do terceiro – é mesmo altura para mudar alguma coisa.

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Vítor Pereira e a eficácia comunicativa

Uma coisa é todos concordarmos que Vítor Pereira tem lacunas sérias ao nível da eficácia do seu discurso. E nem vale a pena compará-lo a Villas-Boas, que é um caso de excelência a esse nível, talvez apenas equiparado a um Mourinho ou um Guardiola, para falar nos treinadores mais mediáticos. Outra coisa é considerarmos que ele ontem esteve mal nas declarações que fez, o que, na minha opinião, não aconteceu. Foi, de facto, a análise correta, a que ele fez no final, e que o poncio reproduziu: nós fomos maus na primeira parte, jogámos com o coração na segunda, o Gil foi digno, lutador e eficaz. e a arbitragem vergonhosa, prejudicando-nos exemplarmente.
O que corre mal no discurso de Vítor Pereira não é quando jogamos mal, porque aí ele sabe bem identificar o que fizemos mal (apesar de nunca ou raramente o termos visto assumir o mea culpa, como, por exemplo, acontece com Mourinho quando as coisas correm mal, numa atitude, acima de tudo, de proteger os jogadores). O que corre mal no seu discurso é quando jogamos assim-assim, ou benzinho, e o nosso treinador reage como se tudo estivesse bem e fossemos capazes de comer Barcelonas e Madrids ao pequeno-almoço. Isso é o que me irrita e sempre irritou em Vítor Pereira: a sua tendência para sobrevalorizar o que de menos mau temos feito nesta época (digo “menos mau” porque as coisas REALMENTE boas foram muito poucas).
Depois, tem havido, ao longo desta época, erros de palmatória na forma como aborda algumas questões colocadas pela comunicação social. Um exemplo: a forma desproporcionada como se atirou a Jorge Jesus, logo no início da época, quando o treinador do Benfica achou que tinha sido mal marcado um penalti a nosso favor, na primeira jornada. Logo aí achei que Vítor Pereira tratava de emular Villas-Boas e o seu discurso agressivo e contundente (com efeitos positivos para dentro do balneário), numa atitude típica de principiante que espera a primeira oportunidade para se afirmar perante os próprios adeptos. Houve outros exemplos. O slogan desgastado do “Somos Porto” e a promessa de que a equipa estaria em constante evolução e que os nossos adversários teriam muito com que se preocupar são alguns. Mais recentemente, irritou-me solenemente a resposta “Quanto a isso, só tenho uma coisa a dizer: Porto, Porto, Porto, Porto”, a propósito da frase de Jesus em que este dizia que o FC Porto quer muito ganhar a Taça da Liga.
É claro que este texto não teria sido escrito se estivéssemos bem, se a equipa não parecesse perdida em campo, se Vítor Pereira tomasse as opções corretas na formação do 11 titular e na leitura de jogo, se a SAD, mais concretamente o Presidente Pinto da Costa, não tivessem gerido tão mal a contrução do plantel. A ver vamos se, em janeiro, e com Lucho e Janko, ainda vamos a tempo de alguma coisa…

Maus, dignos e vergonhosos: o princípio do fim?

O início da segunda parte prometia fazer acender a esperança de um resultado menos negativo mas Paixão tratou de a matar em dois lances: em primeiro lugar não viu penalty claríssimo sobre Kleber e logo a seguir permitiu que um jogador em fora de jogo se isolasse para marcar o terceiro.

Quem quiser perceber como se perdem ou se ganham campeonatos, relembre como o SLB venceu o Feirense (um golo legal invalidado ao adversário e muita sorte) e como fomos hoje derrotados.

Por uma vez, Vítor Pereira disse o essencial na flash interview: “a nossa equipa má, o Gil Vicente digno e a arbitragem foi vergonhosa”.

Paixão, galo e inépcia

Ao intervalo, perdemos por 2 em Barcelos, fruto de dois lances inventados pela incompetência do Bruno Paixão (uma falta inexistente que resultou no livre que deu o primeiro golo e um fora de jogo não assinalado que antecedeu o lance do penalty) e de mais uma exibição demasiado má, com muita posse de bola e quase nenhum lance de perigo.

Danillo ficou de fora outra vez e a falta de Fernando nota-se mais do que a de Hulk. A coisa está preta.

Existe dinheiro para um ganso mas não para uma ave de rapina?

Este “mercado de janeiro” tem uma importância crucial para o nosso clube, porque constitui uma oportunidade de minimizar alguns erros na formação do plantel, nomeadamente, contratar um avançado que possa ser, pelo menos, uma alternativa ao Kleber. Porém, a precoce saída da Champions e as perdas que desse insucesso desportivo decorrem parecem ter contribuído para aprofundar os problemas financeiros que se adivinham por detrás das notícias do jogadores de outras modalidades com salários em atraso, das ameaças dos clubes a quem adquirimos recentemente futebolistas, etc.

Mas como o Porto, tal como a generalidade dos clubes dos campeonatos periféricos, precisa do sucesso desportivo para valorizar os seus jogadores, vender agora é um acto de gestão potencialmente menos positivo e urge criar condições para que, no mínimo, sejamos campeões aqui nesta terrinha chamada Portugal. A Liga Europa é uma competição relevante, sobretudo por este ano terem ido lá parar ainda mais equipas importantes, e pode ser outra montra crucial. Todavia, a prioridade é voltar a “apagar a Luz”.
A 3 dias do limite para inscrever novos jogadores, as notícias que vão sendo veiculadas na imprensa desportiva não auguram nada de bom: ter Lucho de volta, por muito que eu aprecie o argentino e que veja nele o líder que vai faltando no balneário portista, a verdade é que os nossos problemas são outros e esta entrada de um jogador que terá, na melhor das hipóteses, mais 2 anos de bom futebol nas pernas, significaria a saída de um ou dois jogadores mais jovens e rentabilizáveis (Guarin, Belluschi ou até alguém mais determinante no nosso meio-campo).
A alegada proposta por Ganso parece-me ser um delírio, por este ser um jogador hiper valorizado, desejado pelos gigantes europeus e já com lugar cativo na canarinha. Tendo em conta aquilo que FCP pagou pelo Danilo e pelo Alex Sandro, este nunca viria por menos de 25 a 30 milhões. Pior ainda são as notícias que dão conta de que Liedson seria alvo de abordagem. O desespero e a falta de recursos são tão sérios que ponderamos contratar um jogador na pré-reforma?

Apagão à vista

Danilo finalmente jogou e o pouco que teve tempo para fazer foi bom (para quem não conhece as rotinas da equipa e treinou apenas alguns dias com os novos colegas de balneário). O jogo foi mais difícil do que o placard final parece fazer crer mas a verdade é que os coisinhos obtiveram o mesmo resultado e suaram muito mais.

O nosso meio-campo continua algures entre o “hiperdinâmico carrossel” e o “toda a gente a correr sem nexo”. A esquerda vive bem só com o Álvaro Pereira mas o Varela está a melhorar e o Kleber lá fez alguma coisa que se visse (golos fica para depois…). O árbitro também se fez notar: inventou uma falta que resultou num golo e um amarelo que impossibilita o dragão em melhor forma de alinhar no próximo jogo – Fernando fica de fora em Barcelos.

Claro que estou muito mais preocupado com o tema que o Record noticia (juntamente com os habituais estratosféricos elogios ao playmaker com look de homem das cavernas da segunda circular):
“QUEBRADO CICLO SEM SOFRER” (golos no Dragão, alegadamente).
Aliás, nem vou dormir bem esta noite com a angústia. Porque pelo que vi ontem do jogo com o Gil Vicente, se o Pinto nos arranjar um “matador” decente antes do final do mês, os amigos destes gajos vão ter de apagar a Luz outra vez…