Pobreza franciscana

Acho que, com exibições do calibre da de ontem, é uma questão de tempo até dizermos adeus a mais um campeonato, não? A não ser que janeiro traga novidades. Não, não estou a falar de contratações. Estou a falar, por exemplo, da saída deste treinador. Isso é que era uma novidade boa.
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Gelo

Olha-se para um jogo como o de hoje e fica-se com a sensação que já nada nos surpreende. Já se encaram estes momentos de delírio do nosso treinador como normais e sabemos que, mais cedo ou mais tarde, as coisas vão correr mal. Provavelmente vamos acabar na Liga Europa. Provavelmente vamos sair sem honra e glória da Liga dos Campeões. No campeonato vamos continuar a ganhar três ou quatro jogos seguidos para depois empatarmos com um Moreirense qualquer num dia não. Porque esta equipa tem demasiados dias não, principalmente quando o treinador resolve inovar. E qual foi a inovação de hoje? Deixar, tão somente, o melhor médio da equipa no banco. André André, que nem jogou no fim de semana, teve direito a banco. Ele que é só o jogador em melhor forma do nosso plantel. A única ressalva nisto é que não percebo nada de futebol e apenas sei se os jogadores jogam bem ou mal. Mas isso é subjetivo. Se calhar, para o nosso treinador, o André tem estado apenas razoável, mauzito até. Se calhar o André André anda na noite ou é um tipo indisciplinado no balneário e que não se aplica nos treinos. Alguém que pergunte ao senhor Lopetegui.

Incontestável

A UEFA divulgou, através da sua conta no Twitter, os dez melhores clubes a disputar a Liga dos Campeões. Atenção: isto não é uma classificação baseada nos últimos 5 anos. Nem nos últimos 10. Nem 20. Isto é uma classificação que vai buscar todo o historial da Taça dos Campeões Europeus/Liga dos Campeões.
E contra todas as expectativas dos 6 milhões, o FC Porto aparece à frente dos coisinhos. Por pouco, mas aparece. E com a vantagem de tudo ter acontecido na era da TV a cores. Como seria se aqui estivessem contabilizados outros troféus internacionais? Não queremos saber. Por agora, basta isto para os calar.

Lista dos 10 melhores clubes:

1. Real Madrid, 729 pontos (10 troféus).
2. Bayern Munique, 565 pontos (5 troféus).
3. FC Barcelona, 508 pontos (5 troféus).
4. Manchester United, 455 pontos (3 troféus).
5. AC Milan, 404 pontos (7 troféus).
6. Juventus, 387 pontos (2 troféus).
7. F.C. Porto, 325 pontos (2 troféus).
8. Benfica, 313 pontos (2 troféus).
9. Liverpool, 297 pontos (5 troféus).
10. Arsenal, 286 pontos (0 troféus).

Jesus ensina Vitória a falar

Rui Vitória, na flash-interview, sob pressão e visivelmente nervoso, teve um lapso de discurso que o levou a dizer que tinha havido um penalti contra o seu clube não marcado. A frase foi rápida, mas Vitória corrigiu imediatamente. Percebe-se que o treinador dos coisinhos se dá mal com discursos beligerantes, reações a quente e protestos contra arbitragens. Jorge Jesus aproveitou-se deste lapso na conferência de imprensa para dizer que, “se até o treinador deles o diz, sim, houve um penalti sobre o Sulimane“. Ele que é o rei dos pontapés na gramática e que, segundos antes, tinha dito “O Téo, não pu-lo a jogar…”. Enfim, tudo na mesma.

Taça

Por acaso acho que o Ilusão sofre penalti. É nítido que, no momento do cruzamento, e vendo que a bola vai cair na zona do central dos coisinhos, o João Pereira vai contra ele intencionalmente e provoca-lhe a queda. Teria sido, provavelmente, o 2-2, teria havido mais polémica, possivelmente mais porrada, expulsões, quem sabe. Foi pena.
No jogo jogado, a lagartagem mereceu ganhar porque foi superior na maior parte do jogo e já vão em três vitórias consecutivas contra os do outro lado da segunda circular. A moral está em alta, Jesus falta de alto, mas ainda não jogaram contra o FC Porto. Os coisinhos, a jogarem assim, vão ser trucidados nos oitavos de final da Champions. E nem precisam de apanhar um Bayern.
Nós cumprimos a obrigação, com destaque natural para os dois golos de Bueno, jogador de qualidade que já merecia mais oportunidades no campeonato. Também achei boa a prestação do lateral-direito venezuelano, Victor Garcia. Talvez seja boa ideia apostar nele de modo consistente para o plantel da próxima época, como alternativa válida a Maxi Pereira. É nosso, está cá há vários anos, está identificado com o clube e não precisamos de ir gastar dinheiro noutro lateral.

Vindo eu, vindo eu, com um melão de Skenderbeu

O Sporting foi humilhado, hoje, na Albânia, ao ser goleado pelo Skenderbeu por 3-0. Estamos a falar da mesma equipa que tinha levado 5-1 e sobre a qual recaem suspeitas de ter facilitado “um bocadinho” nesse jogo por suposto envolvimento em corrupção de apostas desportivas. Lembro que o ponta-de-lança conseguiu ser expulso com dois amarelos nos primeiros vinte minutos. Hoje, enquanto ouvia o relato pela rádio, os jornalistas da Antena 1 diziam que a equipa albanesa estava a mostrar uma atitude em campo muito diferente da demonstrada em Alvalade. Pois…
Este jogo mostra três coisas: 1. Jesus continua a ser medíocre na Europa. 2. Não é só Rui Patrício que joga mal com os pés. O animador de balneário brasileiro não lhe fica atrás. 3. Os meninos de Jesus e da academia, afinal, não asseguram uma rotatividade eficaz.
“São situações que é futebol”, disse Jesus na conferência de imprensa. Estou inteiramente de acordo, inclusive na forma como tentou substituir um jogador que estava no banco (quando estava para entrar Marcelo Boeck, o número do jogador que a placa mostrou para sair foi o 9, de Slimani, que estava no banco). Mas o árbitro estava atento e não permitiu a marosca. É futebol. E situações.

Passear em Telavive

Só tínhamos de ganhar este jogo. Face à diferença abismal entre as duas equipas, qualquer resultado que passasse pela não vitória seria uma tragédia. Fizemos, no geral, um bom jogo e só abanámos um pouco – e mesmo assim nada de especial – quando o Bruno Paixão grego resolveu inventar.
Lopetegui apresentou uma surpresa no onze inicial – Evandro – e a equipa, bem organizada e com atitude, construiu uma vitória tranquila que apenas peca por escassa. Podíamos e devíamos – com um pouco mais de concentração – ter construído um resultado histórico no âmbito da Liga dos Campeões. E só espero que os golos que falhámos hoje não nos venham a fazer falta num hipotético desempate por goal-average que pode muito bem vir a acontecer.
Nos meus destaques pessoais incluo Layun, um jogador que parece ser mesmo um achado à moda antiga do FCP. Raça e qualidade, duas características que este mexicano tão bem combina. O golo é de um predestinado, mas a forma como põe intencionalidade em cada passe, cruzamento ou remate é desconcertante. Muito bem, e choramos por mais.
Tello e André André também cabem nos destaques. O espanhol fez o primeiro jogo decente da época – e já não era sem tempo. E segundo não sabe jogar mal e é já imprescindível naquele meio-campo. Danilo e Maxi também estiveram em plano acima da média.
A nota menos vai para Aboubakar, que hoje parecia o Raul Jimenez dos coisinhos. Para além dele, apenas Casillas, naquela reposição de bola – entretanto corrigida com defesa – destoou um pouco.
Estamos em primeiro lugar com 10 pontos, [modo ironia on] matéria mais do que suficiente para a imprensa lisboeta exultar de alegria. Acham que não? Afinal, se o fazem com quem chega aos 9 pontos, que fará connosco? [modo ironia off]