Fazer as coisas por outro lado

Hoje, soube-se que Hermínio Loureiro se reuniu com a PJ devido a ameaças a árbitros por parte de um grupo de adeptos de “um clube de Lisboa” (é enternecedor este pudor quando se fala do Benfica). Parece agora ter vindo a público que esses adeptos provêm de sítios tão díspares como Paredes, Rio Tinto, Tondela, Nordeste, Lisboa e Ponta Delgada, o que só vem confirmar que o Benfica é mesmo um clube que abrange todo o território. É a chamada “coacção total”.

Esta situação lembra-me aquelas escutas em que Luis Filipe Vieira foi apanhado, – quer dizer, foi escutado, apanhado, não – a dizer que não se preocupava com os árbitros porque estava “a fazer as coisas por outro lado”. Ora aqui está um método certamente eficaz – vejam-se algumas arbitragens que este ano levaram a tantas goleadas infernais -, reunir uma dezena de chabalos, certamente dispostos a ganhar umas massas, a troco de infernizar a vida dos árbitros que vão estar nos jogos da “máquina trituradora”. As pessoas são fortes até certo ponto. Quando lhes falam da família e dos filhos, nada mais importa. Decide-se o jogo nos primeiro 10 minutos com penalti e expulsão e tem-se a família a salvo.

A ganhar nos entendemos

Um clube ganhador. O nono campeonato consecutivo em hóquei em patins. O segundo campeonato consecutivo em andebol. Estamos a uma vitória da final de basquetebol. Hoje, a Taça de Portugal em futebol. Um clube que ganha em todas as frentes, que habitua os seus adeptos a festejar todos os anos.

Somos o FC Porto. Contra tudo e contra todos. Contra uma imprensa que ignorou este jogo. Contra jornalistas que não escondem a sua azia quando ganhamos, que não escondem o seu ódio ao FC Porto. Contra os Valdemares Duartes, os Manhas e os Baptistas deste esgoto jornalístico português.

Para a história deste jogo fica uma vitória tangencial que será desvalorizada amanhã nos jornais. Estes passarão ao lado da arbitragem vergonhosa de Pedro Proença: tolerante para com a dureza excessiva dos jogadores flavienses na segunda parte, o árbitro não assinalou um penalti sobre Raul Meireles, não assinalou a mão do jogador do Chaves antes de marcar o golo, expulsou o Bruno Alves num lance que não justificava esse desfecho.

O resto foi natural. Níveis de motivação para este jogo q.b., dois golos aproveitando os erros de um adversário naturalmente mais fraco, e depois o relaxamento próprio das equipas de Jesualdo. Fica a décima-quinta Taça para o nosso palmarés e a certeza de que alguns dos que pisaram o relvado hoje com a camisola do FC Porto não o voltarão a fazer na próxima época. Uns porque não têm valor para este clube, outros porque o seu valor merece uma folha salarial mais generosa.

PS – Acabei de ver o resumo do jogo da TVI e o jornalista disse que houve mão do Guarín no primeiro golo (hã?) e nada disse sobre a mão do jogador do Chaves no golo. Palavras para quê?

Túneis para os festejos

Num iniciativa inédita, o Pobo do Norte indica aos adeptos benfiquistas do Porto os melhores locais para festejar a conquista do campeonato dos túneis. As opções não são muito variadas, mas há duas que são de qualidade. Em primeiro lugar, temos o túnel de Ceuta, com boa iluminação, boa circulação de ar. Tem a vantagem de terminar junto ao Hospital de Santo António, onde poderão ser assistidos depois de tanta emoção pelo terceiro campeonato em vinte anos. Em segundo lugar, há o túnel de Faria Guimarães, um bocadinho estreito, é certo, mas com extensão assinalável. Cabem lá todos, tenho a certeza. Logo à frente, têm o parque da Quinta do Covelo, recentemente remodelado, onde poderão descansar e, quiçá, deliciarem-se com a verde pastagem que aquele parque oferece. Quem é amigo, quem é?

Com quantos jogadores se pode alinhar contra o SLB?

No Dragão foi o que se viu: Fucile expulso por ter sofrido uma falta passível de grande penalidade enquanto que o Di Maria, o Coentrão e o Luisão ficaram em campo até ao fim, depois de múltiplas acções merecedoras do 2º amarelo, ou mesmo do vermelho directo.

Hoje voltaram a jogar contra 10, durante quase 80 minutos… e o melhor central do Rio Ave não jogou por opção do próprio. Para além das espertezas dos túneis e dos fieis serviços da disciplina da Liga, neste campeonato o Benfica jogou uma dezena de vezes contra adversários em inferioridade numérica.
Que justiça existe afinal neste título? A de terem feito mais pontos que os outros? A de terem marcado mais de uma centena de golos esta época? Ninguém se esqueceu das habilidades da vitória de 2005 e ninguém se esquecerá do que se passou em 2009/2010.
E, já agora, aqueles que no momento em que a suspensão do Hulk foi reduzida fizeram “médias” para provar a “inutilidade” do seu contributo, por favor, actualizem as contas – o Porto venceu todos os jogos desde que o incrível voltou.

Tudo normal

Fiquei agora a saber que o Fábio Faria não vai jogar na Luz daqui a meia-hora. Que conclusões podemos tirar daqui? Que o Rio Ave se vê privado de um dos seus maiores valores na defesa por culpa do próprio jogador, que admitiu que iria ser muito complicado gerir a questão de jogar contra o seu futuro clube. Declarações nunca antes ouvidas no nosso futebol e que, estas sim, põem em causa a verdade desportiva. Quando o próprio jogador, no final desta semana, veio dizer, indignado, que tinham posto em causa o seu profissionalismo e não iria prestar mais declarações, devia lembrar-se do que disse e do que o seu pai disse nas rádios deste país. Foi pressionado? Ninguém o obrigou a falar. Aparentemente, o país desportivo olha para isto com naturalidade. Um jogador é contratado antes do campeonato acabar, diz explicitamente que vai ter dificuldade, se jogar, em gerir a questão, e, no dia do jogo, não pisa o relvado. Maior “transparência” do que isto é impossível.