O gordo joga muito

Dizia um tipo umas filas atrás de mim: “O gordo joga muito!”. E repetia. Referia-se a Walter, o brasileiro que hoje fez uma boa exibição no Dragão. A TSF elegeu-o como o melhor jogador em campo (Hulk apenas jogou uma parte) e eu sou capaz de concordar. Walter é muito bom de bola. Recebe, toca, dribla, sempre com muita qualidade. Só lhe falta mais velocidade, qualidade que acredito poder alcançar com uma pré-época decente. Mantenho, porém, a reserva em relação ao seu afastamento dos convocados em determinados jogos, o que não deixa de ser estranho tendo em conta a escassez de pontas-de-lança do plantel. Espero que não haja aqui razões estranhas ao futebol.
O jogo de hoje foi fácil. O Beira-Mar foi mauzinho (não sei se jogou sem alguns titulares) e nós fomos pouco ambiciosos na segunda parte. Se, por um lado, compreendo a necessidade de poupar jogadores nucleares para outros voos, por outro, acho que devemos sempre jogar no máximo das possibilidades e meter a bola lá dentro o maior número de vezes possível. Ainda por cima, hoje, a segunda parte calhou para o meu lado e não vi nenhum golo perto. Não se faz. Fica uma primeira parte de grande nível, com o tridente atacante, James-Walter-Hulk, em grande estilo, secundados por um Moutinho do costume (ou seja, muito bom), um Fernando a dizer a Guarín que se calhar o lugar é mesmo seu, e um Souza mais discreto e menos empreendedor que os outros dois. Na defesa, gostei finalmente de Emídio Rafael, e se este jogo significar que temos ali um valor em evolução, retiro tudo o que disse sobre ele nos jogos anteriores (e que não foi nada simpático). Do outro lado, tivemos um Fucile mais interventivo do que no último jogo para o campeonato, mas ainda assim a precisar de um desfibrilador em certos momentos do jogo para ver se acorda. No meio, jogou aquela que é, para mim, a dupla de centrais do futuro (próximo). Com Maicon ganhamos altura. Com Otamendi ganhamos classe e poder de corte. Com os dois ganhamos velocidade. Desculpa lá, Rolando.
Já agora, o Walter já emagreceu desde que chegou a Portugal.
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O fogo de Anselmo

Este Anselmo já me anda a meter uns nervos há uns anos. Com tanta exportação para campeonatos russos, cipriotas, romenos, não há nenhuma alma que ainda tenha levado este Anselmo? O homem decide sempre aparecer em grande contra nós. Foi ao serviço do Estrela da Amadora, agora pelo Nacional, que nos impõe a primeira derrota da época. Uma derrota que não prova nada (por exemplo, que afinal somos fraquinhos, como já li por aí…), mas dá que pensar. Por exemplo, teremos nós, na defesa, alternativas de qualidade aos titulares? Não. Teremos nós um número de pontas-de-lança decente no plantel? Não. Será James Rodriguez um prodígio como se tem dito até agora? Não. Pelo menos ainda não vi nada nele que mereça esse epíteto. Ficam as perguntas no ar, agora que descemos à terra.

Ontem

Académica – equipa muito bem organizada, com jogadores de qualidade. Grande evolução em relação à Académica que costumamos ver. Vila-Boas, uma boa opção para nós?

Guarín – este rapazjá teve oportunidades suficientes para se afirmar. Não consegue. É limitado. É burro (incrível o penalti que fez e que o Proença nos perdoou). É para despachar no final da época.

Ruben Micael e Varela – Com eles foi outra coisa.

Nuno – será que não consegue agarrar uma bola à primeira?

Orlando Sá – Esforçado, mas nada mais. Percebe-se por que era suplente do Braga. Não se percebe por que o fomos contratar.

Mariano – Os mesmos vícios de sempre. No entanto, um golão. Dêem-lhe sempre a braçadeira.

Árbitro – Jesualdo já tinha avisado que não podemos jogar no limite do fora-de-jogo. Temos de dar um ou dois metros aos defesas pelos vistos. Já enoja tanto golo mal anulado.

Agora é para comer as galinhas no estádio que lhes deu um campeonato. Vai saber bem.

Roubalheira Nacional

Daqui a muitos anos ainda se discutirá o golo que Olegário Benquerença não deu ao Benfica naquele célebre jogo com o FC Porto, mas arbitragens como a que hoje se viu no Estádio da Luz serão esquecidas. Tudo isto com a preciosa colaboração da comunicação social do costume.

Um golo mal invalidado a Rodrigo, um penalti assombroso de David Luiz (que raio de imunidade tem este jogador?) e expulsões perdoadas a Luisão (agressão) e a Maxi Pereira (entradas para vários amarelos) fazem a história de um jogo em que se confirmou a ideia de que a derrota do tetracampeão naquele estádio, antes do Natal, foi muito mais demérito seu do que mérito do terceiro classificado da época passada.

Uma sugestão à Liga: fazer desta taça uma espécie de Taça de Lisboa com um Sporting-Benfica todos os anos para atribuir o caneco.