O papa, o bispo da confissão vermelhusca e o negociante de pneus

Um homem, uma missão, um clube
Diz o Ricardo Costa que, não obstante a posição do ex-Presidente da Liga de Clubes, “Em bom nome do funcionamento da Liga, decidimos continuar”. Este anormal pensa que anda toda a gente a dormir ou então é o único que ainda não percebeu que o primeiro a apresentar a demissão deveria ter sido ele. Mas como ainda nada está garantido para o clube da gaivota, vai ficando. É estúpido mas é coerente.

Luís Filipe Vieira na SIC: «Nunca reatarei relações com o FC Porto»
Não tive o privilégio de ver a entrevista conduzida pelo MST na SIC porque preferi observar a forma como a esposa do Seabra tentou em vão encravar o PdC com a “fruta” das escutas. Mas ao ler a homepage do Record, confesso que não consegui suster as lágrimas. Depois da aprovação do PEC, da renúncia do Hermínio, da tragédia no Haiti, das enxurradas na Madeira… não é que o negociante de pneus fecha as portas um entendimento tão desejado por nós!? Enfim, o mundo está quase a acabar.

O monstro voltou

Hulk e a história aldrabada de um campeonato disputado nos túneis
Para quem tinha dúvidas sobre a diferença que faz um “FCP com Hulk” de um “FCP sem Hulk”, a resposta, que vale mais do que as médias de pontos que se apresentaram para provar que o Porto até faz mais pontos sem o avançado brasileiro, foi dada na primeira oportunidade. Hulk é ainda um jogador imaturo, individualista e tacticamente negligente. Mas em especial contra equipas fechadas na sua defesa ou quando o jogo colectivo dos dragões não funciona, uma ou duas arrancadas e dois ou três pontapés são o suficiente para resolver um jogo.
O Porto venceu o Belenenses por 3-0 mas o resultado poderia e deveria ter sido mais desnivelado, ainda que o golo do Rolando resulte de um fora-de-jogo não assinalado. A verdade é que o Hulk poderia, com melhores decisões e maior colaboração dos seus companheiros, ter prduzido mais golos. E ainda estou para perceber o que é que foi assinalado para anular aquilo que seria o 2º golo do Falcao e a 3ª assistência do Hulk…
Força amigos do Record que o Rui Costa faz anos…
A imprensa vermelhusca já perdeu a vergonha na cara há já muito tempo. Como não bastavam as capas com os jogadores do SLB a propósito de toda e qualquer barbaridade, agora até o aniversário do Rui Costa é assunto para fazer manchete… Mas o pior de tudo foi aquela suposta citação dos “companheiros de selecção argentina” que apelava à vitória do SLB sobre o Braga.
Só uma pergunta: aquele S.O.B. ainda não se demitiu?!…

Um apito nunca vem só

O Hermínio já lá vai, saindo como virgem ofendida. O Ricardo Costa, vergonhosamente, ainda não se demitiu nem apareceu para explicar o inexplicável. Nada altera o facto do Porto ter estado indevidamente privado de um dos seus jogadores mais determinantes durante 14 jogos, mas o que não deixa de ser profundamente ridículo é a forma como esta gente se vitimiza quando, na sombra, orquestraram o enfraquecimento dos 2 maiores adversários do clube do seu coração. Não foi à toa que o SLB veio rapidamente tecer os maiores elogios ao responsável máximo da Liga cessante “pelos bons serviços prestados ao futebol português”. Nós sabemos a que “serviços” e que “futebol português” eles se referem…

Esta decisão da Federação não é, ao contrário do que muitos parecem querer agora fazer crer, “política”. Um dos mais conhecidos e independentes especialistas em direito desportivo, o Meirim, já tinha referido no jornal Público que só muito retorcidamente se poderia classificar os stewards da forma que o Ricardo Costa e os seus amigos da liga o fizeram com o intuito de obter o enquadramento para um castigo pesadíssimo.
O Porto não perdeu o campeonato só por causa da indevida suspensão do Hulk e do Sapunaru. Mas é legítimo supor que a disponibilidade do brasileiro resolveria muitos jogos e evitaria a perda de muitos pontos. Não se trata de um jogador qualquer: apesar de individualista, pouco evoluído tacticamente e ingénuo, é tão somente um dos jogadores mais desiquilibradores do nosso campeonato. E se é um facto que o poderíamos ter perdido por lesão ou por outra razão qualquer, o que é verdade é que o FCP ficou privado do seu contributo devido a uma decisão tendenciosa, tomada por um conselho presidido por um indivíduo que exibiu sem pudor o seu anti-portismo e que, não satisfeito com isso, privou ainda o Braga de um dos seus jogadores mais determinantes.
O Benfica poderia ter vencido este campeonato de uma forma minimamente limpa, mesmo descontando os erros de arbitragem tendencialmente a seu favor e a origem mais do que suspeita da montanha de dinheiro que serviu para comprar os Saviolas e os Ramires sem vender ninguém. Porém, quiseram ir mais longe, não correr riscos e, como o Orelhas disse em tempo não muito remotos, “fazer as coisas por outro lado”. Esqueçam o brilhantismo táctico do parolo do Jesus ou as acobracias sul-americanas das vedetas benfiquistas – este campeonato ficará na história desportiva do país como o “campeonato dos túneis” e do Ricardo Costa.

Quanto tempo falta para acabar a época?

Começa a ser “normal” a forma como o FCP 2009/2010 encaixa 3 ou mais golos sem resposta. Sofrer muitos golos quando se joga no risco, na lógica de marcar mais um golo do que o adversário, pode ser “normal”. Quando se joga “conservadoramente”, tantos golos sem troco são a evidência de falta de atitude competitiva, falta de organização ou falta de qualidade – no caso deste Porto, a razão do que acontece nos últimos tempos é uma mistura das 3.

Apesar do que referi, será justo dizer que o SLB não fez nada que justificasse chegar ao intervalo com 2 golos de vantagem. O primeiro foi uma anedota e o segundo só existe porque o guarda-redes abdicou da barreira, estava mal colocado e teve o azar do remate ser forte. Na verdade, o Porto teve as duas melhores ocasiões de golo da primeira parte. Do lado do Benfica, foram 2 bolas à baliza do Nuno e 2 golos.
Imagino o dilema do Jesualdo ao intervalo: vamos para cima deles e arriscamos uma goleada ou continuamos a jogar de pé para pé, construindo lances repetidamente do mesmo modo, até que um deles resulte no golo que relance o jogo? Dúvidas à parte, a questão era mais com quem do que como. Sem Hulk, sem Varela e sem Mariano, sobrava Orlando Sá, que como toda a gente já viu pela amostra é a versão juvenil do avançado corpulento e inábil tipo Hugo Almeida. O resto era paisagem: dois defesas mais Guarin, Valeri e T. Costa.
E o tio Jesualdo fez o que podia: tirou um inexistente Rúben Micael (é impressionante a forma como passou de catalisador da mudança a acomodado) e o amarelado Miguel Lopes, colocando no terreno o lógico Fucile e a arrastadeira Valeri. Com o SLB confiante e o Porto descrente, a segunda parte foi-se arrastando entre as ameaças de contra-ataque benfiquista e a inconsequência das investidas portistas. Para terminar o que começou mal e nunca se endireitou, o SLB marcou o terceiro já nos descontos.
Duas notas finais para dizer o seguinte:
  • em condições normais (com todos os jogadores disponíveis e sem o stress de uma sequência de resultados penalizadores), o Porto teria argumentos para vencer o Benfica. Sem alma, sem 2 dos nossos melhores e com um banco que é uma miséria, só por mero acaso venceríamos a taça da bejeca;
  • o Bruno Alves é muitas vezes criticado somente por saltar mais alto, por ser mais forte, por se impor fisicamente; mas hoje teve uma actuação vergonhosamente desleal, ao nível dos grunhos que partem cadeiras e roubam nas estações de serviço – aquela sequência de agressões ao Kardec e ao Cardozo é inadmissível, inaceitável e só serve para criar uma péssima imagem dele e do Porto. É preciso ser digno na derrota para se poder ser magnânimo na vitória.

Notas sobre a taça da bejeca e a Euroliga

Já o disse antes e repito-o: para quem investiu o que o FCP investiu esta temporada, vencer a Taça da Liga é menos do que um troféu de consolação. Ou melhor, não traz consolo nenhum. É impossível transformar uma eventual vitória numa competição secundária na salvação de uma época tão mediocre. Nem mesmo que essa vitória seja sobre o SLB. Vencer a Carlsberg Cup será um mero acto de decência; perder será mais do mesmo, daquilo que temos visto esta época.

Quanto ao resto, parece-me que os tristes benfiquistas que visitam este blog não conseguem perceber mesmo nada e acreditam que a vitória sobre o Marselha não deixou claro que o SLB de Jorge Jesus treme perante qualquer equipa mediana da europa futebolística. Porém, como engolem tudo e acreditam em títulos como “Exibição de sonho no Velodróme” e coisas similares, compreendo a parvalheira geral. Estão a 2 eliminatórias da final da Liga Europa e, a julgar pelos festejos e pelos ecos da imprensa portuguesa, parece que já venceram o troféu. Acredito que o Liverpool lhes devolverá a realidade do que são, mas nem era preciso tanto.

Um empate de Lucho

Há coisas impagáveis na vida e uma delas é ver os adeptos do SLB engolir em seco no seu quintal. Que me desculpem os portistas de Lisboa, mas ontem diverti-me à grande a comemorar o golo do Marselha num café do Parque das Nações apinhado de “galinhas” à espera de uma goleada. Para aquilo ser perfeito, só faltou o Lucho acertar na bola decentemente e fazer o seu golito. Seja como for, depois da depressão dos 5-0, nada melhor do que vê-los descer à terra.

Aos Ulisses e aos Camisola10 que ironizaram com o facto de estarmos a caminho da “Euroliga” só posso dizer que essa competição parece estar para lá das vossas capacidades. Porque apesar de tudo, o Marselha não é o Arsenal, nem o Manchester, nem o Chelsea. Perder nunca é bom, mas é preciso ter em conta quem vencemos para que o ridículo não transborde.

How low can you get?

O meu post precedente já encerrava uma espécie de profecia: quem leva 3 deste Sporting (quando precisava de ganhar) nunca seria grande obstáculo para uma equipa como o Arsenal, que, na minha opinião, é uma espécie de “Barcelona musculado”. Tem muita técnica, muito passe, muito envolvimento e um poder físico notável, ainda que um central como o Campbell já esteja fora de prazo.

De permeio, o episódio do empate-quase-derrota no Dragão com o Olhanense foi apenas um fait divers: aquela malta já perdeu toda a noção do ridículo e nem percebe que, seja qual for a diferença pontual, um jogador do Porto não entra em campo para fazer número e para deixar passar o tempo.
Chegados a Londres, tivemos direito a mais uma asneirada do Jesualdo, igual a tantas outras inovações que ele já operou em jogos cruciais: o pobre do Nuno André Coelho, que tem vindo a ser o 4º central do plantel, foi lançado na posição 6, dada a ausência do Fernando e reiterada falta de acerto do Tomas Costa naquela missão. Claro está, sem hábitos naquela posição e com meia dúzia de jogos nas pernas, um jogo como aquele era mesmo o que o rapaz precisava – aos 3 minutos de jogo já era o 3º central e o Porto jogava acantonado na sua grande área.
Foi um sinal errado que o treinador transmitiu à equipa (defender, defender, defender, quando havia muito pouco a defender pois bastava um golo para inverter a frágil vantagem do FCP), que ficou logo ali partida em dois: 3 tipos na frente e o resto do pessoal encostado às cordas. Tal como ao Guardabel, estava inovação táctica fez-me lembrar algo de parecido que, tanto quanto me lembro, o Oliveira fez num jogo com o Manchester United em que enfardamos 3 ou 4.
Sendo realistas e olhando para os conjuntos a despeito dos seus “momentos”, o Arsenal é muito mais equipa do que o Porto. Aliás, é bem mais em individualidades e custa-me a crer que algum dos jogadores do actual Porto tivesse lugar neste Arsenal (talvez o Bruno Alves, dada a veterania do Campbell). Mas uma equipa com a camisola azul e branca não joga para enfardar uma média de superior a 3 golos por jogo!!! É mau demais para ser verdade.
Por fim, uma menção ao que é este Porto: para lá do Jesualdo ter chegado ao fim do seu ciclo mas continuar por lá, a época começo a ser perdida (as Taças que restam são migalhas) durante o Verão: o Porto adquiriu muitos segundos planos, contratou dispendiosamente gente como o Prediguer (que eu quase nem vi jogar) e deixou sair dois jogadores fantásticos: o Lucho e o Lisandro. Depois tivemos o fenómeno “túnel”, a suspensão do Hulk (que perdeu quase um ano da sua carreira e parece ter regredido como jogador, tal é o seu estatuto de apêndice táctico) e com umas borraditas do Jesualdo se compôs a parvalheira competitiva em que nos encontramos.
Mas, sublinhe-se, a culpa não é só do treinador: há gente que parece jogar sem vontade (o Bruno Alves é um deles), há gente que engata um jogo em cada 10 (como o Mariano) e há quem tenha andado de lesão em lesão, sem nunca atingir o nível exigível: Fernando e, sobretudo, Rodriguez. Aquilo que me parece sobrar desta época é a surpresa da utilidade do Varela, a aquisição tardia do madeirense (que é bom mas não faz milagres) e, acima de tudo, a confirmação da única contratação atempada e de qualidade indiscutível que foi o nosso ponta-de-lança colombiano. Álvaro Pereira leva um suficiente mais, o Meireles oscilou entre o óptimo e o medíocre quando deveria ser o líder e o resto… do resto nem vale a pena falar. Em suma, foi muita asneira junta num período tão curto. Se a isto somarmos um Braga anormalmente regular e um SLB a jogar o tudo por tudo quer no campo quer na Liga temos a receita perfeita para o nosso desastre.