Andamacaçar

Quando era puto e brincava às caçadinhas, esta era a palavra mágica: “andamacaçar!”. Muitos anos depois, apetece-me dizê-la ao treinador do… ora deixa cá ver… 1, 2, 3, 4… 5º classificado (e com hipóteses de, ainda hoje, descer mais um bocadinho). Jorge Jesus volta a moralizar as tropas, repetindo até à exaustão “estamos cada vez melhor” ou “estamos a melhorar de jogo para jogo”. Mas não lhe adianta nada. A nove longos pontos de distância está o FC Porto, a jogar bem, a marcar grandes golos e a sofrer poucos ou nenhuns. E com Hulk, o homem do momento. Ou Luís Filipe Vieira, Rui Costa e companhia desencantam forma de fazer eclipsar o Incrível para a segunda metade da época ou arriscamo-nos a ser campeões depois do Natal. A armadilha do túnel foi brilhante, mas já ninguém cai nela. Também não acredito que David Luiz seja incumbido da missão de lesionar gravemente um colega de profissão, ainda para mais depois de tanta amizade revelada no estágio da selecção brasileira. Tem de ser uma situação muito bem engendrada para nos tirarem o fenómeno Hulk. Não que a equipa deixasse de ganhar sem ele em campo, facto que já aconteceu esta época, o que indica a superior qualidade do plantel, mas, com Hulk, aquele jogo que, por vezes, não sai, ou está teimosamente empatado, pode, de repente, ficar resolvido.
Ontem, contra a Olhanense gostei muito de João Moutinho, da forma como torna simples o complicado e põe sempre a equipa a jogar em progressão, fazendo-o, ainda para mais, com muita classe. Outro destaque, na minha opinião, tem de ir para Álvaro Pereira, finalmente o defesa-esquerdo que já fez esquecer Nuno Valente (Cissokho não conta para estas contas).
Uma última palavra para o facto de Moretto ter sido recebido no Dragão com vaias, assobios e insultos. Eu não percebo. Sinceramente, estava preparado para lhe dedicar um forte aplauso, admitindo até a hipótese de levar um estandarte com a frase “Obrigado, Moretto!”, devido ao facto de, em primeiro lugar nunca ter vindo para o FC Porto, em segundo lugar ter sido o protagonista de episódios tão hilariantes da história futebolística deste país. Quem não se lembra daquele Janeiro divertido no SLB? E ainda assobiam o gajo?

Tudo combinado

O título deste texto refere-se obviamente à forma como marcámos o segundo golo, uma jogada de laboratório, daquelas em que tudo está combinado e sai na perfeição (mesmo com o árbitro a atrapalhar). Contra uma equipa de muita qualidade, em que se vislumbra algum FCP do futuro, tivemos de correr e suar muito. A vitória foi natural e até pecou por escassa, mas, ganhando 1 a zero ou 8 a zero, a colheita pontual é a mesma.
Em termos individuais, Bellushi foi para mim o melhor em campo. Com pezinhos de lã e olhos nas botas, este jovem que veio da Grécia foi o farol que iluminou o caminho da baliza (que bonita metáfora!). A seguir, Falcão e Hulk, o primeiro por ter bisado, o segundo por ter acertado no poste uma porrada de vezes. Hulk atravessa um período de aversão ao golo, mas o volume do jogo atacante do FC Porto passa sempre por ele e pela sua capacidade de explosão. Sim, erra muitas vezes e falha mais do que nós queríamos, mas temos de ser um pouco condescendentes para com um jogador que joga sempre no risco e com os olhos postos na baliza.