Alerta: matematicamente ainda podemos descer

Ontem, o carro funerário teve de fazer inversão de marcha e regressar à base: o FC Porto ganhou. Um mísero 3-0, é verdade, nada comparável à “copiosa derrota por 3-1” contra o Zenit, como eu ouvi o Paulo Cintrão da TSF dizer. À noite, vi o Rui Santos afirmar que, lá por ter ganho 3-0 a uma Académica que ofereceu “fraca resistência“, o FCP ainda não se livrou da crise! Conclusão: aquele resultado deve ter sido só para enganar e o Pedro Emanuel deve ter preparado a equipa para perder, certamente. Para além disso, deu para ver todas as cáries do Rui Santos.
É enternecedor o modo como esta comunicação social nos leva ao colo. Querem outro exemplo? Todos os comentários à derrota com o Zenit – e ainda ontem ouvi o sportinguista Pedro Gomes, também na TSF, a bater na mesma tecla na antevisão do jogo de Coimbra – têm forçosamente de referir que “até podia ter sido por mais“. Todos nós sabemos, que “podia ter sido por mais“, mas a constante repetição dessa ideia, SEMPRE que se refere o resultado daquele jogo, apenas serve os interesses de quem nos quer ver bem lá no fundo. Não nos deixemos iludir. Continuamos a ser atacados por todos os lados e, como sempre, responderemos em campo.
PS – Que motivações terão estado por detrás do comunicado do Standard de Liège sobre os negócios Mangala e Defour? Nunca tinha visto um clube tomar este tipo de ação. Nem nunca tinha visto fazer-se a comparação entre negócios e clubes, por sinal, clubes em guerra em Portugal. Estamos atentos! E sabemos perfeitamente de onde elas vêm!
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Gracias por todo, Radamel

Tudo faz sentido. O rumor de que o Atlético poderia ser o destino de Falcao. O silêncio do jogador em relação ao assunto, intercalado por tweets inócuos. O regresso da Copa America e a não titularidade. As declarações “inesperadas” no final do jogo em Guimarães. A recepção de uma proposta para análise. A aceitação da proposta. Tudo muito natural. Um processo que eu acredito piamente estar a ser delineado por todas as partes já há algum tempo. Por isso recuso-me a ver em Falcao um traidor, ou alguém que desmereça qualquer consideração. Nada disso. Falcao é já, a par de Gomes e Jardel, um dos maiores pontas-de-lança do FC Porto que este país viu. E houve um clube que pagou 40 milhões por ele. Esse clube, pouco me interessa, ainda que eu ache que Falcao merecia melhor. Obrigado por tudo. Venha o próximo, que o nosso destino é ganhar.

Mercado único

Vivemos dias agitados no que diz respeito ao mercado futebolístico. As movimentações têm sido tão surpreendentes que a malta agradece, para alegrar um bocadinho o espírito. Ainda para mais, depois do “mais-do-mesmo”* em que o início de campeonato se tornou.
(*o FCP ganha, o SLB e o SCP não ganham. O SLB é beneficiado pela arbitragem e o SCP berra contra o árbitro.)
Ricardo voltou ao campeonato português depois de alguns anos em Espanha e Inglaterra. Já tínhamos saudades de ouvir aquele timbre único de voz. Ainda há pouco o vi na TV a falar e não consigo deixar de o considerar uma boa pessoa. É daqueles jogadores que, por mais que queiramos, não conseguimos odiar, ao contrário de um Simão Sabrosa, só para referir um exemplo. Ricardo já não está naquela fase de causar pena – isso foi na altura em que ligava para os programas em direto a queixar-se de perseguição – mas numa fase em que esperamos, com curiosidade, para ver o que vai sair dali. Por mim, desejo-lhe todo o sucesso do mundo contra o SLB e o SCP, e que seja igual a si próprio contra o FCP. E que vá à seleção, como tanto anseia, uma vez que, ao que se sabe, continua amigo de Paulo Bento e fez mais jogos do que o Quim na última época.
De Aveiro vem a bomba do defeso, para já, na minha opinião: Javier Balboa assinou! O ex-ex-craque do Real Madrid, ex-futuro craque do SLB, e atual craque a treinar sozinho, chega ao Beira-Mar, depois de ter sido, um dia, aposta forte de Rui Costa, como mostrava a capa de A Bola há sensivelmente três anos. Creio que esta foi, a par de Freddie Adu, uma das contratações mais badaladas dos últimos anos no emblema do Centro Comercial Colombo. Estou curioso, também, para ver o que vai fazer este moço da Guiné-Equatorial.
De Espanha, vêm notícias que o Granada recebe três jogadores do SLB. Carlos Martins, Jorge Ribeiro e Júlio César. Ou melhor, quatro, porque se fala também em Jara. Carlos Martins disse que estava “muy contento” porque estava na melhor liga do mundo. Lá se foi a grandiosidade do clube do Centro Comercial Colombo. Dizem as más línguas que a súbita colocação dos jogadores no Granada por parte de Luis Filipe Vieira terá que ver com a construção do novo estádio do clube espanhol. Mas eu não percebo a ligação. São apenas as más-línguas.
Outra saída que me enche de espanto é a de Nuno Coelho para o Beira-Mar, depois de ter sido contratado à Académica, há dois meses com pompa e circunstância. O facto de ter passado pelo FC Porto, que não o tinha aproveitado, apimentou a transferência. O próprio Nuno Coelho dizia que “O facto é que nunca me foi dado o devido valor. Segui a minha vida e o que importa é que agora cheguei ao Benfica“. Pois é, Nuno. Chegaste, mas já foste. No Beira-Mar dar-te-ão o devido valor, ao lado do Balboa.
Do nosso lado, o empréstimo de Castro parece a solução certa para um jogador que vai ter futuro no nosso clube, e que, por isso mesmo, tem de jogar assiduamente. Em Espanha, não só encontra uma liga muito competitiva, como tem praticamente lugar cativo no onze do Sporting de Gijon. Castro, agora posso dizê-lo, depois de ter sido cético em relação às suas capacidades, vai ser imprescindível no futuro do FC Porto.
Em relação às entradas de Mangala e Defour, quem ler, hoje, a primeira página de A Bola, não vai saber que foram contratados pelo campeão nacional e vencedor da Liga Europa. Pode ser que daqui a algum tempo sejam obrigados a trazê-los para a primeira página… Confiamos sempre na qualidade dos observadores do FC Porto e, neste caso, não temos que duvidar que se tratam de grandes jogadores. A questão, neste momento, é saber quem vêm eles substituir. Se, no meio-campo, é mais ou menos assente que Ruben Micael e Fernando vão sair, na defesa, a incógnita é grande, com Sereno a vir à baila (espero que não o vendam definitivamente, porque acredito muito neste jogador), mas com Rolando e Otamendi também referenciados como tendo muito mercado. Para além disso, nas laterais, parece que temos excedente de jogadores. Digo, parece, porque, por exemplo, Danilo pode jogar no meio-campo (e prefere, segundo o próprio, ainda que aquele tipo de declarações, a “exigir” jogar aqui ou acolá, me soem a um certo vedetismo…) mas, mesmo assim, ficaríamos com Sapunaru e Fucile para a direita e Álvaro, Alex Sandro e Rafa para a esquerda. A possível saída de Álvaro Pereira é talvez, de todas (excetuando Moutinho) a que mais aflige o adepto portista, porque é muito difícil de substituir. A não ser que Alex Sandro revele capacidades compatíveis com o dinheiro que pagámos por ele. E é bem que revele! Aguardemos por mais novidades, que isto está animado.

Grande exibição, derrota estúpida

Fizemos provavelmente a melhor exibição dos jogos da pré-época e, no final, perdemos. Não estamos abalados na nossa confiança, mas fica sempre um sabor amargo, até porque ficar com tantas derrotas na pré-época como o segundo classificado da época passada, e com tão abismal diferença na qualidade de jogo, é de certa forma humilhante.
Já deu para perceber que o Fernando não contará para a nova época, mas o pior é que ele já não está connosco ainda a época passada não tinha acabado. Erros sucessivos (um que inclusivamente poderia ter posto em sério risco a conquista europeia) e declarações infelizes após o final da taça fizeram dele um jogador que eu espero ver rapidamente vendido. O Sousa tem-me surpreendido positivamente no lugar e ainda temos Guarín e Castro (e, ao que parece, Danilo). O erro de Fernando no segundo golo do Lyon é só mais um dos últimos erros sucessivos por distração. E digo isto ciente de que estamos a falar de um dos melhores número 6 do mundo, na minha opinião.
Mas falemos do que de positivo se viu neste jogo por parte do FC Porto. E foi muito! Desde logo, na defesa, onde Fucile fez um grande exibição, principalmente a atacar, uma vez que teve pouco trabalho na defesa. No meio, destaque para Otamendi, muito certo nas suas acções defensivas e a sair com intencionalidade para o ataque.
No meio-campo, tanto Ruben Micael como João Moutinho rendilharam o nosso futebol. Ruben só precisa de ser mais rápido quando acossado pelo marcador direto. De resto, aqueles pezinhos de lã fazem maravilhas com a bola. De Moutinho não vale a pena dizer nada que já não se saiba. É o líder da equipa e está tudo dito.
No ataque, continua a ser um privilégio imensurável termos connosco um craque da dimensão de Hulk. Depois, na falta de Falcao, caça-se com Kléber, o que não tem dado assim resultados muitos diferentes. Hoje, ficou provado, para quem ainda não acreditava, que o brasileiro não é apenas o “empurra-bolas”, um cabeçeador, um finalizador. Kléber sabe o que fazer com a bola nos pés, e a jogada do golo de Rúben Micael mostra isso mesmo. Do outro lado, um Varela empreendedor, mas menos decisivo na hora de criar perigo. Será por aqui que James Rodriguez terá de tentar entrar na equipa, digo eu…
Em termos globais, gosto da forma como esta equipa se apresenta fisicamente, em primeiro lugar. Depois, estamos a jogar um futebol de olhos postos na baliza, sem receios, sem esperas. Toda a equipa joga em bloco, defende alto e recupera cedo a bola. Aparentemente, pouco ou nada mudou em relação ao futebol que apresentámos na era de Villas-Boas, e isso é o melhor elogio que se pode fazer, neste momento, a Vítor Pereira. E ainda faltam Falcao, Álvaro Pereira, Guarín, e os restantes reforços…
PS – Uma grande vénia a um senhor que um dia envergou a nossa camisola e que hoje marcou um golo, abdicando de o festejar. Seu nome: Lisandro Lopez.

Os meus amadores são melhores que os teus

Ontem, após a vitória por 10-1 ao Gutersloh, lembrei-me que o segundo-classificado-a-21-pontos tinha dado 9-1 à selecção de Friburgo (um conjunto de rapazes escolhidos aleatoriamente nas ruas do cantão suiço do mesmo nome) e achei que A Bola podia fazer uma manchete com qualquer coisa do tipo “Os meus amadores são melhores que os teus e, no entanto, marcámos mais um golo“. Só me lembrei disto, porque eles há dias lembraram-se de espicaçar a rivalidade existente entre os dois clubes com aquela manchete genial do “Coentrão ao preço de Falcao“, como se os jogadores, os contextos, as histórias, os intervenientes, etc, fossem comparáveis. O Gutersloh, é importante dizê-lo, tem um nome que apenas Jorge Jesus é capaz de dizer correctamente. Por falar em Jorge Jesus, hoje ouvi esse grande teórico da bola, chamado Rui Santos, dizer que o treinador do Benfica “está no corredor da morte“. Ó sr. Rui Santos, não se arranjava aí uma metáfora mais simpática para o treinador da chicla? Até eu fiquei com pena do homem, quase tanta pena quanto a que tive ao ver aquela fífia do Jardel, no jogo com o Servette. O Benfica, pelos vistos, começa cedo a dar-nos alegrias.
Quanto ao nosso clube, andávamos já a ressacar por imagens dos nossos campeões e dos reforços. Do jogo com os amadores ficam algumas ideias que prometem animar as tertúlias portistas: a violência com que Hulk continua a marcar golos, a velocidade atómica de Christian Atsu, a qualidade de Djalma e Kléber, a força e entrega de Castro, a presença de Walter. Nenhum destes, à excepção evidente de Hulk, deverá ser titular, se o plantel se mantiver, mas fica a certeza que o futuro está assegurado. Queremos mais!