Um passo atrás

Em primeiro lugar, uma mensagem para a lampionagem que buzina nas ruas: uma vitória sobre o FC Porto sabe sempre bem, sim senhor, mas o campeonato só acaba em Maio.

Jesualdo disse durante a semana que sabia que o Ramires ia jogar. A aparente segurança que mostrou sobre a forma como o adversário estava a preparar o jogo foi ela própria um bluff. Jesualdo, pelos vistos, não sabia nada. O que eu queria era que ele soubesse pôr a equipa a ganhar na Luz. E não soube. A chamada de Guarín pode ser criticada, mas o que mais me custou foi ver a forma como a equipa não conseguiu construir jogo ofensivo. A colocação de Guarín em campo revelou a preocupação de Jesualdo com o estado pesado do terreno, mas o colombiano passou pela Luz, como diz o Bruno Prata, como um “peixe fora de água”. E foi Jesus quem menos se preocupou com o estado do terreno e até colocou em campo jogadores que tratam bem a bola.

Para mim, a chave do sucesso do Benfica esteve na forma como defendeu. E, neste particular, como soube anular a acção de Falcao, quando este procurava receber em condições e fazer tabelas com médios vindos de trás. Nunca conseguiu. Os defesas adversários não deixaram respirar os nossos jogadores – David Luiz fez provavelmente o seu melhor jogo desde que está em Portugal – e nós nunca encontrámos o antídoto para fugir a essas marcações.

Em contraste com essa nossa incapacidade de fazer circular a bola, o Benfica fê-lo em algumas ocasiões, pelos menos mais do que nós, dada a mobilidade dos seus jogadores. Os nossos foram muitos estáticos e foram sempre surpreendidos por antecipação. É certo que nenhuma das equipas fez um bom jogo, mas, no final, fica a ideia que o Benfica foi melhor. E aproveitou a única oportunidade que teve.

Individualmente, no FC Porto, talvez Rodriguez tenha sido o melhor, num jogo em que é difícil destacar alguém que tenha jogado bem. Pela negativa, custa-me muito ver e admitir o eclipse de Hulk, um jogador que tem de crescer muito, principalmente do ponto de vista psicológico, se quiser valer, vá lá, metade da cláusula de rescisão que o seu contrato tem.

PS – Não falei do árbitro, que não viu o fora-de-jogo na jogada que precede o golo, não marcou um penalti de César Peixoto sobre Hulk, ainda na primeira parte, para além de ter sido permissivo com a dureza encarnada. Mas quando jogamos assim, dá pouca vontade de reclamar seja do que for. E, sim, o Rodríguez também fez penalti.

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Frase do dia

Raul Meireles disse hoje que “diferente é estar no terceiro lugar“, quando foi questionado se seria diferente defrontar o clube do bairro do Alto dos Mínhos apenas com um ponto de atraso. “Por isso estamos a fazer de tudo para voltar à normalidade”, acrescentou o nosso grande Raul.

E é com este espírito de conquista que vamos sair da Luz com uma vitória. Vai uma aposta?