Quase a descambar

O jogo aconteceu demasiado cedo para que o pudesse ver em directo, por isso escrevo conhecendo o resumo alargado e os relatos que dele fizeram vários sites.

Quero crer que esta quase humilhação (sim, porque o número de oportunidades que os russos tiveram para fazer o 4-1 foi mais do que suficiente) se fica primordialmente a dever, como disse o VP, à estúpida expulsão do Fucile e à infeliz lesão do Kleber.

Seja como for, são 3 jogos sem vencer, depois de vários jogos vitoriosos mas pouco conseguidos. Concordo com os que neste espaço referem que não é tempo de correr com o treinador, que estamos à frente na Liga interna e a 1 só ponto do primeiro na Champions, mas o momento não é definitivamente bom e qualquer resultado diferente de uma vitória em Coimbra irá colocar a equipa e o seu treinador numa posição extremamente delicada.

No fim-de-semana, sem Kleber (e se existir alguma lucidez no espírito do VP, sem Fucile) e face a uma equipa que vem fazendo um campeonato muito acima das expectativas, veremos que resposta dará Hulk e companhia. É nestes momentos que se vê quem tem ou não classe para suportar a pressão, quem sente a obrigação de vencer e não treme. A Vitor Pereira só peço que não invente mais – e que coloque o Walter no eixo do ataque, porque é uma forma de lhe mostrar que é opção e uma oportunidade de ganhar um jogador para, pelo menos até Dezembro, existir uma alternativa ao Kleber.

Mais 2 pontos para as urtigas

É assim que se perdem campeonatos. Para lá da habitual tolerância para os comportamentos violentos de Javi Garcia, Maxi Pereira e Cardozo, perdemos por culpa própria. Fizemos mais remates, tivemos mais bola mas criamos escassas oportunidades. Pior ainda, a equipa quebrou depois do 2-1. Hulk entrou cheio de energia mas pouco ou nada fez depois dos primeiros 20 minutos. E perdeu a bola em zona comprometedora no lance que resultou no golo do Cardozo. O SLB foi feliz porque soube jogar no nosso erro e revelou estar melhor em termos físicos, algo que foi evidente nos últimos 20 minutos. Gostei da exibição do Fernando, que voltou a ser o médio defensivo de que precisamos. Quanto aos demais, com oscilações e muitas falhas, quase todos tiveram os seus momentos. Mas soube a pouco.

O princípio de alguma coisa

O jogo de amanhã não decide rigorosamente nada, ao contrário dos míticos 5-0 de 2010, que liquidaram as aspirações lampiónicas com estrondo e nota artística. Esperar qua a história se repita não vale a pena, os tempos são outros e o Porto não tem “(ainda?) o ritmo de vitórias fulgurante com que atropelou o mestre da chicla e da táctica. Seja como for, a exibição e, sobretudo, o resultado do FCP-SLB de amanhã será muito importante para a afirmação de Vítor Pereira. Porque todo o crédito que ganhou com a abordagem inicial ao jogo com o Barcelona foi desperdiçado em vitórias magras e, especialmente, nas desastradas opções do Feirense-Porto. VP tem muito a perder amanhã e muito pouco a ganhar – um eventual empate seria motivo de festa na Luz – a nossa vitória é uma obrigação.

À distância de uns dias, a desgraçada exibição de domingo pode parecer responsabilidade absoluta de VP, produto de uma primeira parte em que não conseguimos sequer criar oportunidades de golo e de muitas trapalhada nas substituições. Mas é preciso olhar mais fundo e perceber que o problema essencial deste Porto da época 2011/2012 não será porventura a vontade de “inventar” do seu treinador, o desejo de dar um cunho pessoal a uma equipa que joga no modo AVB. O problema fundamental da nossa equipa é não ter alternativas para o eixo do ataque, é esperar que Kleber seja instantaneamente aquilo que nem Falcao foi quando cá chegou, é não contar com Walter, mesmo quando é o único avançado disponível no banco e a equipa está em vias de perder pontos face a um adversário frágil.

Por outro lado, não se percebe o que está a fazer o Iturbe no plantel. Se não era sequer para ser convocado, deveria ter sido emprestado. Mas se o consideram um investimento de rentabilização imediata e que, como James, deve ser introduzido na equipa lentamente, se não for contra os Feirenses desta Liga contra quem será que o vão colocar a jogar? São muitas perguntas com uma única certeza como resposta: o plantel tem lacunas na frente e na lateral direita, onde Sapunaru parece ter voltado a ser um jogador banal que só em Janeiro terá substituto credível (e, vá lá, o início de época do Fucile está a ser bem melhor do que é costume). Se surgirem lesões, castigos ou Kleber não se tornar rapidamente no matador de que precisamos, vai ser difícil ganhar a Liga e sairemos da Champions mais cedo do que era suposto. Espero estar enganado.

A arrogância inglesa

Como diz Jorge Jesus, o “Manchester Ónaite” é uma grande equipa. Mas o “United” ficou em casa. Este “Ónaite” que se apresentou na Luz foi uma espécie de equipa de pré-epoca à procura da melhor forma e com um gajo de 37 anos a ensinar os miúdos como se faz. O Benfica acaba por ter uma sorte tremenda: como se não bastasse ter como adversários um Basileia que em Portugal jogaria, com dificuldade, para entrar na Europa e um clube romeno que ninguém conhece e cujo nome é impronunciável, apanha um Manchester United em poupanças devido ao confronto com o Chelsea que vem aí. Isto somado à habitual arrogância inglesa quando nos visitam – lembram-se da vitória sobre o Liverpool por 1-0 em que Benitez deixou no banco Gerrard? e da nossa vitória por 2-1 sobre o Arsenal, no Dragão, com alguns dos titulares ingleses de fora? – deu numa oportunidade de ouro para o Benfica ganhar aos campeões ingleses, o que só não aconteceu por acaso.

Sai da frente, Shaktar

Não podia ter começado melhor a nossa campanha europeia. Defrontámos o nosso adversário direto na luta pelo primeiro lugar no grupo e ganhámos. Um grande jogo até às expulsões. Um jogo de Liga dos Campeões. Já tinha saudades deste ambiente, o nosso ambiente natural.
Mas, apesar da vitória, não gostei de tudo no jogo de hoje.
Não gostei da falha do Helton. E não gostei pela simples razão de que já não me lembrava da última dele, o que era bom sinal. E agora vou lembrar-me desta por alguns tempos. É claro que isto não põe em causa o facto de o Helton continuar a ser o melhor guarda-redes a atuar em Portugal, continuar a ser o melhor que tivemos depois de Baía, continuar a ser um símbolo do nosso clube e uma voz de comando do balneário. E o apoio que os adeptos lhe prestaram após a falha de hoje dispensa outras interpretações.
Não gostei da forma como “gerimos” o resultado depois do 2-1. Com o Shaktar reduzido e 10 e, depois, a 9, esperava “prego a fundo” da nossa parte rumo a um resultado mais dilatado. É que a questão do confronto direto é importante, e um eventual azar na Ucrânia pode colocar o 1º lugar em sério risco. Preferimos um jogo de “rodriguinhos”, de lateralizações, com poucos olhos no golo. O adversário arrastava-se e punha-se a jeito para a estocada final, mas essa nunca chegou. A saída de Hulk – questões físicas? – tirou-nos o poder de explosão e as entradas dos incipientes Djalma e Varela nada acrescentaram. Restava James, que já não tinha quem o acompanhasse.
Não gostei definitivamente da nossa defesa à zona nos cantos e não percebi o que levou o treinador a optar por essa postura. Foi desesperante ver os ucranianos a voarem à vontade e cabecearem, com perigo, de todas as formas e feitios, e os nossos defesas, estáticos, à espera que a coisa corresse bem por um feliz acaso. Fiquei irritado e espero que o treinador corrija esta aspeto.
Estou para aqui a queixar-me de um monte de coisas e até parece que perdemos o jogo. Mas o grau de exigência de um portista deve ser este. Querer a perfeição. Querer mais. É óbvio que achei que fomos superiores ao Shaktar e que temos uma equipa que dá garantias de sucesso. Hulk marcou um golo soberbo. James Rodriguez está a confirmar-se como imprescindível. João Moutinho e Defour fazem uma parceria que promete, e ter Bellushi no banco é um luxo. Álvaro Pereira põe em ebulição toda a ala esquerda. E Fernando volta a ser o “polvo” que todos conhecemos. Parece que, neste último caso, o jogador parece estar finalmente com a cabeça no sítio. Ainda bem.
Uma palavra para o árbitro, que não teve coragem de marcar dois penaltis num curto espaço de tempo contra a mesma equipa. Temos de o pôr a ver o vídeo do último jogo arbitrado por Duarte Gomes.

O medo da euforia

Em primeiro lugar, e por respeito a todos os leitores do Pobo, queria expressar as minhas desculpas pela pouca frequência de posts, da minha parte. Acreditem que, se pudesse, escrevia todos os dias neste espaço. E acho que também falo pelo meu amigo pôncio. Ainda assim, tentaremos ser mais assíduos, agora que a competição navega a todo o vapor e há tema de conversa todos os dias.
Depois de ter visto o “trabalho” de Duarte Gomes na Luz, ontem, lembrei-me que Jorge Jesus gosta de árbitros que mantenham o critério. Como bem se lembram, foi isso que ele disse de Olegário Benquerença, depois do nosso jogo em Guimarães – o da gravata ao Sapunaru, que motivou o penalti. Ontem, Duarte Gomes manteve o critério: assinalou dois penaltis, depois de as bolas terem batido na barriga de El Adoua e na cabeça de NDiaye. Tal como em 2007, quando um penalti fantasma, com a bola rematada por esse craque inesquecível chamado Bynia encontrou a cabeça de Wagnão, do Estrela da Amadora, e permitiu ao Benfica empatar, a poucos minutos do fim, e ir para prolongamento. Jogava-se a taça da cerveja e o árbitro era… Duarte Gomes. “Pertanto”, o critério mantém-se e Jorge Jesus deve estar contente.
O Sporting, a 15 minutos do fim do jogo em Paços, já procurava treinador. No final do jogo, Domingos agradeceu aos céus e à pequenez do nosso campeonato, onde uma equipa como o Paços de Ferreira, a ganhar por dois, consegue perder em 15 minutos. De qualquer maneira, creio que o destino de Domingos está traçado. É uma questão de tempo.
Quanto a nós, até tenho medo de dizer o que me vai na alma depois daquela segunda parte contra o Setúbal. Medo, porque quando a expectativa é demasiado elevada, a dor na queda é proporcional. Eu sei que o Setúbal é uma equipa envelhecida, com vários jogadores trintões, mas o nosso volume ofensivo e a qualidade do mesmo foi tão grande que me vi a festejar, em maio, um novo título e uma carreira brilhante na Champions.
E que dizer de Defour? Bem, digam vocês.

Angústia para o jantar

Os presidentes do Benfica e do Sporting almoçaram juntos, hoje, mas o encontro devia ter acontecido ao jantar de modo a poderem partilhar a angústia de verem o FC Porto golear e voltar à liderança. A mesma angústia que deve ter assaltado a redação de A Bola, que lida com esta vitória do FC Porto com uma frieza quase “robértica” na hora de sofrer o frango da praxe. Senão leia-se o título da edição online: “Dragões retomam liderança isolada”. Aqui não há “goleia”, “esmaga”, “arrasa” ou “atropela”. A contenção é nítida e obrigatória, porque o clube que fez as manchetes dos dias anteriores voltou a olhar para cima na classificação.
O primeiro parágrafo também é engraçado: “Depois da pausa para a disputa da Supertaça da Europa (derrota com o Barcelona por 0-2), o FC Porto retomou esta terça-feira o trilho das vitórias, batendo o UD Leiria na Marinha Grande por 5-2, com bis de James Rodríguez e de Kléber (Varela fechou a conta), enquanto André Almeida e Diego Gaúcho marcaram pela equipa da casa. Os dragões são novamente líderes isolados.” Note-se, mais uma vez o pudor com que se trata uma goleada: “batendo o UD Leiria“. Mas o pormenor delicioso desta prosa é a recordação – sim, porque uma derrota do FC Porto é sempre um acontecimento – a recordação da “derrota com o Barcelona por 0-2“. A alegria e o alívio que devem ter sido naquela redação quando Messi e Fabregas marcaram ao vencedor da Liga Europa!
A União de Leiria tem uma equipa fortemente candidata à descida, com alguns jogadores emprestados pelos coisinhos. E aquele que mais se destacou foi Shaffer, um defesa-esquerdo que também já fez manchete de A Bola, e que hoje, no flash-interview considerou que fez um “buen juego”. Mas todos nós, que o vimos em campo, sabemos que o que ele queria dizer era: “Fui comido pelo Hulk, pelo Bellushi, pelo Fucile, pelo Defour, de todas as formas e feitios, e sobrevivi para contar”.
A nossa atitude foi a melhor possível: grande pressão logo no meio-campo adversário, recuperação rápida da posse de bola, e talento para dar e vender, apesar do lastimável estado do relvado. E, no que toca a talento, o destaque vai naturalmente para James Rodríguez, que encheu o campo. A seguir-lhe o exemplo, tivemos um Bellushi a querer lembrar a Guarín que não tem o lugar assegurado. Estas foram a duas melhores exibições de uma prestação global que só nos pode deixar confiantes em relação a esta época.