Silly-season em janeiro

Depois de Suk, chega José Peseiro. Em seguida sai Tello (já foi tarde…). Com o novo treinador ao leme, e na ressaca de mais uma pobre exibição – salvou-se a vitória, que era, neste momento, o mais importante – chegam José Sá e Marega. Fala-se em mais um ou outro nome. É uma pré-época em janeiro, um começar de novo. Uma silly-season que bem dispensávamos, mas para a qual somos atirados por força de um janeiro doloroso. E tudo isto acontece a um ritmo estranhamente rápido como se o desespero tivesse tomado conta da lucidez. O que podem trazer estes novos jogadores?
As primeiras indicações mostram um Suk com muita vontade e muita entrega, o que já não é mau no contexto atual. Mas chegará? E o que vale este Marega, para além de ser um espécie de sósia de Jimmy Hasselbaink? Capacidade física impressionante, sim, mas haverá ali qualidade e talento? Quanto a José Sá, trata-se, na minha opinião, de um muito bom guarda-redes. Mas para entrar quando? Fazer monte? Só se percebe esta vinda à luz de uma mais que hipotética saída de um dos dois veteranos que tão má conta de si deram nos últimos jogos. E depois há Gudiño, o natural sucessor de qualquer um dos outros dois.

Tenebroso

Faço minhas as palavras do Helton: Peseiro, ajuda-nos. A única coisa boa deste jogo em Famalicão é que saímos da Taça CTT. É menos uma competição para nos distrair do objetivo de sermos campeões, ganharmos e Taça de Portugal e a Liga Europa. Foi um treino razoável para alguns jogadores que estão a mais neste plantel (Varela, Sérgio Oliveira e Imbula, por exemplo) e uma oportunidade para alguns miúdos da equipa B se estrearem. Eu jogava o último jogo com o 11 titular dos Bês porque os rapazes merecem.

Bem-vindo, mister Peseiro

O José Peseiro vai-me desculpar, mas eu, há dias, citei o seu nome numa conversa de café com amigos portistas. E por que razão haveria ele de me desculpar? É que o objetivo dessa conversa era ver quem lançava o nome mais disparatado para treinar a nossa equipa. Houve desde Manuel José a Jaime Pacheco. Eu disse José Peseiro. Gargalhada geral. (Desculpa, Zé Vítor. Posso tratar-te por Zé Vítor?)
Agora que a coisa está a modos que oficial, José Peseiro é o melhor treinador do mundo e terá todo o meu apoio. São quase cinco meses para mostrar que merece continuar, ou seja, conseguir uma espécie de objetivos mínimos: ganhar a Taça de Portugal e, no mínimo, ficar no 2.º lugar e a morder os calcanhares ao primeiro. Este primeiro tem de ser outra equipa que não os coisinhos.
Se José Peseiro conseguir estes mínimos, sim, poderá continuar em 2016/2017. Se ganhar a Taça de Portugal e a Liga, sou gajo para ir a Fátima de carro. Se acrescentar a isto a Liga Europa, até sou gajo para ir ao Estádio do Colombo e tirar uma selfie, com o cachecol azul e branco, a beijar a estátua do Eusébio.

Desligar

A derrota de hoje é a derrota de um FC Porto em decadência. Falo de uma estrutura composta por pessoas que já erram mais do que acertam e colocam os seus interesses pessoais ao mesmo nível dos do clube. Já houve um tempo em que se ouvia o Presidente falar dos “interesses do FCP em primeiro lugar e acima de tudo”. Hoje, lamentavelmente, já não é assim. Comprar um jogador com o perfil de Osvaldo não lembra ao diabo. Ir buscar um guarda-redes como Casillas quando tínhamos – temos – cá dentro quem faça igual ou melhor é atitude de novo rico que quer impressionar com um carro topo de gama com graves problemas de motor. Olhar hoje para o banco e ter, como primeira opção, um Varela cujo prazo de validade no nosso clube já passou há muito é só um exemplo da falta de capacidade de gestão do plantel que a SAD tem mostrado nos últimos anos. Dar os primeiros minutos na Liga a André Silva contra Sporting e Guimarães, em contexto de desespero, esperando que faça milagres e desperdiçar toda uma primeira volta em quem se podia ir dando minutos ao miúdo para que chegasse a esta altura já com outro calo não é apenas erro de treinador, é erro de toda uma estrutura que não incute no clube a cultura de se apostar nos jovens da equipa B de modo sustentado. O Sporting não tem Williams e Gelsons por acaso. O Benfica não tem Renatos e Gonçalos por acaso.
O jogo de hoje foi o nosso desligar da ficha em relação a esta Liga. A forma como jogamos, sem referência de qualidade na área e com uma defesa que qualquer equipa de segunda apanha põe em sentido, deixa-me muito pessimista para o resto do campeonato.

O "melhor futebol" empatou com o último

Já me indignei tantas vezes com a pressão badalhoca que a lagartagem faz em casa sobre os árbitros que já lhe perdi a conta. Esta é só mais uma. Naquele lance em que o defesa do Tondela tira a bola com a cabeça, todo o banco se atirou ao árbitro-assistente, inclusive Jesus, que agarrou o fiscal pelo braço. Vergonhoso.
No final, o treinador da chicla tem a lata de vir falar da arbitragem, dizendo, do alto da sua sapiência, que os árbitros não estão habituados ao tipo de abordagem que o Rui Patrício fez, por isso não percebem. Ele é que percebe, ele é que domina esta merda toda.
O presidentinho com voz de bagaço foi posto em sentido por um jornalista. Foi bonito de ver o puto sem saber o que dizer, a contradizer-se e a mentir com os dentes todos. E é tão doentio e desonesto que conseguiu ver no gesto de contentamento e na expressão facial do jogador do Tondela por ter sido assinalado penalti, uma confissão de quem conseguiu algo ilegal.

Recuperar as pernas, depois do Bessa

Seis amarelos e um vermelho. Minha nossa senhora, pelos vistos hoje demos um recital de porrada no Bessa. Os do Boavista tiveram direito apenas a um amarelo, coitadinhos, que não tiveram culpa de encontrar pela frente uma equipa de caceteiros como a nossa, que esteve naquele batatal que nem peixe na água. Por acaso achei estranha a forma como o terreno evoluiu de um tapete impecável e resistente à chuva no domingo para um estado lastimável como o de hoje. Mas como só lá fomos para dar bordoada, não tivemos grandes problemas com o estado do relvado. O Boavista, sim, com jogadores de fino recorte técnico como o Uchebo ou o Idris, foi muito prejudicado pelo batatal. Como o crime compensa, lá seguimos em frente na Taça rumo à vitória final. Obrigado ao Hélton por ter guardado aquela emoção toda para último quatro de hora.

Recuperar a confiança no Bessa

Não percebo toda a euforia que vai por aí pelo resultado de hoje no Bessa. Apenas fizemos o que nos era exigido contra uma das piores equipas do campeonato. Não foi bom termos goleado? Claro que foi, mas a convalescença das dores do passado recente deve ser feita com calma e os pés bem assentes na terra. Por exemplo, aqueles “olés” na segunda parte foram tão ridículos quanto desnecessários.
No jogo jogado, destaco as exibições do tridente do nosso meio-campo, muito mais dinâmico e a fazer chegar a bola lá à frente com qualidade. Os falhanços na cara do guarda-redes é que foram os mesmos da era Lopetegui…
Na quarta-feira voltamos ao Bessa para a Taça de Portugal. Espero duas coisas para esse jogo: a mesma atitude por parte dos nossos jogadores e um árbitro que saiba interpretar muito melhor os lances para falta do que o de hoje.