Desta vez, o Mourinho dos Pobres não goleou…

Nós não estamos a jogar nadinha. Mas os gajos sempre que encontram uma equipa que jogue decentemente também encravam.

Só para ver o melão destes cretinos, que estavam à espera do apregoado “vendável de futebol” benfiquista e acabaram com um banho de bola no Minho, já valeu a pena a frustração do jogo de ontem.
Obrigado Domingos por mais este contributo para a nação portista.
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We saw it coming

Era uma questão de ser ontem ou na próxima jornada ou na jornada a seguir. A forma como a equipa está a jogar (ou, neste caso, não está) não transmite confiança aos adeptos. Ontem, por muito que me esforçasse, mesmo depois do empate, nunca consegui acreditar na vitória. Jogadores abúlicos, equipa a oferecer 45 minutos de avanço ao adversário. Parece que estamos no final daquelas épocas em que, já campeões, deixamos o jogo correr… A diferença é que estamos ainda na primeira volta, e há dois clubes à nossa frente. Preocupante. Em Janeiro vamos às compras?

O milagreiro

Porque é um assunto a que eu pensei dedicar algumas linhas. Porque a falta de tempo é lixada. Porque o comentário do JRP reflecte exactamente aquilo que eu penso:

“Independentemente da valia técnica (inquestionável) de alguns jogadores do Benfica, não deixa de surpreender o silêncio da comunicação social e até de muitos adeptos do FCP em relação à fabulosa condição física dos vermelhos. Tenho ouvido muitos portistas rendidos ao Benfica e até maravilhados com o rasteiro do Jesus, mas não os vejo questionar a velocidade estonteante de todo o onze benfiquista, nem tampouco a resistência física que lhes permite ao minuto 75, 80, 85 ou 90 fazerem piques que deixam os adversários a léguas. Aliás, uma crítica interessante que é feita a quase todos os adversários do Benfica esta época é que a defesa destes é sempre lenta. Pergunto-me se será a defesa do adversário lenta ou o ataque do Benfica extraordinariamente rápido… que milagre de Jesus é este que transformou uma equipa igual a tantas outras num portento físico, nos mais fortes, nos mais velozes? Esqueçam os penalties inventados, os golos em fora de jogo ou em falta e observem os outros: os golos advém sempre da capacidade física estonteante do Benfica. Por exemplo, o primeiro do Benfica contra o Nacional. De onde vem aquela velocidade de Coentrão e do Cardoso que em duas passadas ganhou 2 metros à defesa do Nacional. Dois bons exemplos foram no jogo com o Everton. O terceiro e o quinto golo do Benfica são acelerações incríveis feitas nos últimos 15 minutos de jogo, numa altura em que o Benfica já nem precisava de acelerar e podia até gerir o jogo, uma vez que tinha o jogo do Nacional à porta. Para o Benfica desta época não há cansaço, não há tempo de reacção, não há lentidão em nenhum jogador, não é preciso gerir esforço em nenhum jogo. Milagre? Das duas, uma. Ou o controle anti-doping revela alguma coisa, ou qualquer dia o corpinho de um ou mais jogadores vai ter que dar de si. Esperemos que não seja semelhante ao que aconteceu com Feher…
JRP”

Está tudo louco?

Há um ano, sensivelmente, meio mundo portista pedia a cabeça de Jesualdo Ferreira. Tínhamos sido goleados em Londres (lembram-se deste post? e deste?) e derrotados em casa pelo Leixões. Depois, foi o que se viu. Até acabámos por fazer um campeonato jeitoso.
Passado um ano e pico, constato que se apoderou de um certo número de adeptos portistas um estado de psicose histérica (não sei se isto existe, mas soa-me bem) difícil de explicar. Assobia-se os jogadores, assobia-se o treinador, pede-se já a cabeça deste, deseja-se Jesus. Mas o que é isto, meus amigos? Está tudo louco?
Estamos na luta pelo campeonato, pelo que diz O Jogo (se tivéssemos empatado ontem, deixaríamos de estar?), a prestação na Liga dos Campeões está à altura das expectativas e cumprimos na taça. Ontem, frente à Académica, jogámos mal, sim. Mas, e depois? Jogos maus todos têm, meus amigos. Quando menos esperamos, levamos com um Poltava nas ventas. E com meia dúzia de lesionados, é natural que o nível exibicional se ressinta.
Até ao jogo de ontem, em termos puramente ofensivos, “vivemos” de cinco jogadores: Bellushi, Varela, Fucile, Hulk e Falcao. Os dois primeiros já estão lesionados à algum tempo e Fucile seguiu-lhes o exemplo, ontem, logo aos dois minutos (após jogada excelente). Hulk esteve em dia não e a Falcao a bola nunca chegou em condições durante a primeira parte. O resto foi uma amálgama de inépcia, atabalhoamento, falta de classe ou pura baixa de forma. Isto tudo atrelado ao autocarro que a Académica resolveu estacionar em frente à sua grande-área, na opinião da imprensa sempre isenta, um exemplo de “brilhantismo táctico” e “superior conhecimento do adversário”. Ainda não vi nenhum órgão de comunicação social referir-se à forma como a Académica, antes de sofrer o primeiro, usou e abusou do anti-jogo. Jesualdo preferiu apenas insinuá-lo, elegantemente, dizendo que o único objectivo da Briosa era não sofrer um golo do FC Porto. A imprensa, essa chamou-lhe “táctica brilhante”. Fosse contra um clube que eu cá sei e tínahmos os Delgados e os Guerras da imprensa de sarjeta a queixarem-se ao pobre futebol português em que as equipas não jogam de igual para igual com os grandes.
Na segunda parte, contando com o natural sermão de Jesualdo no balneário, abrimos a frente de ataque (era o mínimo, contra uma equipa que jogava apenas em meio campo) com Farias e pusemos em campo o jogador do plantel que, provavelmente, neste momento, tem maior fome de bola e força física e mental para empurrar a equipa para a frente: Guarín. Marcámos o primeiro e, de repente, a Académica quis atacar (vá-se lá saber porquê) e os seus jogadores até queriam que os nossos andassem mais depressa na marcação dos livres e lançamentos (ironia do destino…). Ganhámos com toda a justiça, sem aquele sofrimento que o resultado pode sugerir ou um ou outro jornalista mais zeloso quer insinuar.
Por tudo isto, não entendo os assobios aos jogadores e ao treinador. Nervosismo face à ditadura vermelha da imprensa? Era o que faltava. Até parece que não estamos já calejados ao longo de anos de sucessivas euforias galináceas. Eles estão a golear? E depois? No momento em que escrevo este texto, estamos em igualdade pontual e reduzimos a diferença para o primeiro. O resto é conversa.
Se eles estão a jogar melhor do que em épocas anteriores (algum dia teria de ser), se estão a ganhar jogos, devemos encarar isso como incentivo ao nosso próprio desempenho e nunca entrar em crise existencial porque jogámos mal um jogo e vemos uma certa imprensa fazer uma campanha propagandística sem precedentes a favor deles. Façamos o nosso trabalho e respeitemos os nossos jogadores e os nossos técnicos. Se não o fizermos nós, quem o fará? Lamentar que não seja Jesus o nosso treinador? Tenham juízo. Não querem um Luís Filipe Vieira, já agora?
PS – Deixo para o fim a revelação que prometi: o poncio, meu amigo e escriba neste Pobo, faz hoje anos. Vá lá dar os parabéns a este grande portista!

Histeria

Parece que virou moda perguntar-se sobre o Benfica em todas as conferências de imprensa do país. Há dias foi alguém do Sporting que teve de dizer qualquer coisinha sobre o assunto. Esta semana foi o Fucile a ser apanhado. Não há um jogador que tenha a lata de devolver a pergunta com algo como “Não me quer antes perguntar onde está a sua mulher neste momento?”

"Que la chupen y que la sigan chupando"

A frase do título não é da minha autoria. Tive de recorrer a um insigne pensador argentino do final do século XX, início do século XXI, para expressar o que me vai na alma em relação à imprensa portuguesa. No dia em que o tetracampeão jogava a competição mais importante de clubes a nível mundial, os jornais desportivos decidiram trazer para assunto do dia um director desportivo a elogiar o seu próprio treinador, um jogador russo que não quer receber enquanto estiver lesionado e um jogador português em Inglaterra a dizer que Paulo Bento é dos melhores do mundo (também tu, O Jogo?). Por isto, e pela vitória de hoje, “Sigan mamando”.
Quanto ao jogo, não havia necessidade de tanto sofrimento. A diferença existente entre as duas equipas é muito maior do que o resultado sugere. Fomos irregulares ao longo do jogo, com momentos de letargia pura e fases de massacre às hostes adversárias. Adversário que foi, desde que vejo futebol, a primeira equipa que vi a conseguir marcar um golo numa meia parte sem ter feito um único remate. “Atéláidis” sem rematar à baliza, pensei eu, ao intervalo. E nós, ao fim de 45 minutos, já íamos com dezanove remates, oito deles à baliza, e o mesmo resultado prático que os cipriotas.
Pela positiva, destaco Hulk, claro, o homem do jogo. E ainda os três Fs: Falcao, Fernando e Fucile. Este último é já, para mim, o melhor defesa-direito do FC Porto desde João Pinto.
Pela negativa, Mariano, claro, não só pela expulsão estúpida, mas também pela falta de clarividência na maior parte dos lances em que interveio. Também abaixo do que pode fazer esteve Rodríguez, este com atenuantes devido à lesão recente. Melhorou na segunda parte, mas Jesualdo preferiu retirá-lo de campo e manter Mariano… Guarín entrou bem e agora, se Bellushi continuar ausente, é dar-lhe a oportunidade de ser titular para ver o que sai dali. Eu estou confiante.