Coisas que fascinam

Verdade
Javi Garcia foi convocado para o estágio da selecção espanhola e isso foi o suficiente para encher a primeira página da edição de quarta-feira do jornal A Bola. Jogou 21 minutos contra a Sérvia.

Consequência
Del Bosque excluiu o espanhol do Benfica da lista de 23 que irão disputar o Euro 2012 – a coisa deixou de ser assunto.

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Verdade
Hulk foi convocado para o estágio da selecção brasileira; Danilo e Alex Sandro também. Três jogadores de um clube português na mesma convocatória dos canarinhos deve ser inédito, mas mereceu uma referência fugaz.

Consequência
Todos os jogadores do FCP convocados para a selecção brasileira jogaram contra a Dinamarca –  Danilo e Hulk foram titulares; Alex Sandro entrou aos 68 minutos de jogo. O Incrível marcou 2 dos 3 golos do Brasil. A Bola esqueceu o assunto e o Record fez uma referência marginal na sua primeira página dedicada a Di Maria…

As “provas”

Viena, 25 anos

Campeão da Europa

Foi há 25 anos. Os sons que se seguem são gravações feitas por mim, no dia da vitória sobre o Bayern. Agradece-se a ajuda a quem souber o nome do narrador da Rádio Renascença.

O golo do empate, por Madjer:

Gomes Amaro, no Quadrante Norte (Rádio Porto)
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Óscar Coelho e António Pedro, na RDP Antena 1
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Rádio Renascença
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O golo da vitória, por Juary

Gomes Amaro, no Quadrante Norte (Rádio Porto)
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Óscar Coelho e António Pedro, na RDP Antena 1
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Rádio Renascença
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Os últimos 5 minutos de jogo e o pós-jogo nas vozes de Gomes Amaro, Alberto Sérgio e João Veríssimo, no Quadrante Norte (Rádio Porto):
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Anjos e demónios

O meu post de 24 de maio não foi produto de uma reacção instintiva. Tive a clara noção, como noutros momentos em que escrevi a propósito de episódios de vandalismo e estupidez em estado puro protagonizados por adeptos do FCP, que não seria um post “popular”.

Para quem não tenha entendido até agora como funciona o Poncio, fica então esclarecido: o objetivo do que escrevo não é ser “popular”. Escrevo porque me dá prazer viver o meu clube desta forma, escrevo porque estou farto de aturar a mitologia dos 6 milhões, escrevo porque sou bairrista, porque nasci no Porto, vivo no Porto e sou livre. Se quiserem câmaras de eco das posições dominantes nas claques, se buscarem um partidarismo clubista acéfalo, se procuram justificações para o que não tem perdão ou uma extensão amadora das mensagens oficiais da SAD, por favor, procurem outro blog.

Mas, ao contrário do que li nos comentários deste blog e até no Facebook, o post não foi redigido em função da (des)informação veiculada pela imprensa vermelhusca. Mencionei as diversas fontes e referi ter assistido à emissão do Porto Canal em directo. Ou seja, li o que foi dito pelos trombones benfiquistas (Record e A Bola) e o que foi escrito e mostrado por dois órgãos de comunicação social dificilmente identificáveis como hostis ao FCP (o Jornal de Notícias e o Porto Canal).

Sim, é verdade que não tinha visto as imagens do que o Carlos Lisboa fez, mas conceder-me-ão o mérito de conhecer o comportamento da figurinha desde os anos 80, de ter visto “live” muitas coisas parecidas quando ele era jogador, e de ter desde logo dado crédito à tese da provocação. Todavia, disse e repito: não se responde a um acto estúpido com outro acto estúpido. Já fiz coisas parvas no calor dos jogos que disputei (e das quais não me orgulho), mas isso ocorreu quando eu tinha 10, 12, 14 anos. Que eu saiba, não eram miúdos aqueles que responderam às provocações com actos igualmente cretinos. E, institucionalmente, os responsáveis pelo meu clube também não precisam de igualar o nível carroceiro do “leitor presidente candidato”.

Por tudo isto, o essencial do que escrevi ontem permanece válido: aqueles que responderam às provocações, que alguns consideram “gente que se sente”, alimentaram o monstro mediático anti-porto e deram argumentos ao senhor dos pneus. Prestaram um lindo serviço ao clube. A minha única consolação é a de que se trate de um acto retorcidamente inteligente inserido na alegada conspiração portista que visa manter o pateta do LFV ao leme dos Coisinhos.

Vergonha não é perder: triste é não saber fazê-lo

O Poncio deste blog cresceu idolatrando o Fernando Gomes e o Magic Johnson, admirando os remates do Sousa e os lançamentos perfeitos do Larry Bird, as prodigiosas performances do Michael Jordan e as fintas estonteantes do Madjer. Este Poncio jogou inclusive basquetebol “a sério” (vá lá, na 3.ª Divisão nacional, mas onde já existiam equipas profissionais e basquetebolistas norte-americanos) e, desde os anos 80, segue os Lakers com uma devoção (quase…) igual à que nutre pelo FCP – fim da nota biográfica.

A introdução vem a propósito do horripilante espectáculo de quarta-feira, o quinto jogo da final do play-off da Liga Portuguesa de Basquetebol, que deve ter sido o pior jogo de basquete que eu vi na minha vida (e eu creio que ter visto mais de mil). O magro resultado diz quase tudo, mas ver a forma como um conjunto de atletas profissionais (os nossos e, em menor escala, os deles) jogaram sem alma, sem capacidade de superação, sem nervo e, sobretudo, sem jeito, foi bem pior do que o resultado. Se aquelas duas equipas são o melhor que por aqui se arranja em termos de bola no cesto, muito mal vai a modalidade em Portugal.

E, claro, o Porto perdeu o jogo frente ao SLB, bem como o título, no “nosso” Dragão Caixa, com dois mil adeptos azuis (eu não consegui arranjar bilhetes, o que, bem vistas as coisas, foi um golpe de sorte) a puxarem pela equipa. E a derrota final não surpreendeu quem viu o jogo, porque estivemos sempre em desvantagem no resultado, por breves momentos a um mero ponto de distância, durante largos períodos perdendo por mais de dez. A verdade “verdadinha” é que eles foram melhores – menos maus, tendo em conta o resultado – a equipa de arbitragem errou pouco e no final do jogo até se trocaram cumprimentos civilizadamente.

Depois? Bem, sobre o que aconteceu depois as versões variam consoante a fonte. O Record e A Bola dizem que os adeptos do FCP agrediram os atletas do SLB, insultando-os, atirando moedas, isqueiros e até cadeiras. O JN alude às provocações que terão vindo do treinador do Benfica, um velho conhecido destas andanças de confusões com o público chamado Carlos Lisboa. O que é possível ver nas imagens é a carga policial sobre um conjunto de pessoas que arremessam o que têm à mão na direcção dos atletas do SLB.

Indo por partes e voltando ao início do post: eu sou da geração que nos anos 80 esperou quase uma década para ver o Porto derrotar o SLB num campeonato nacional de basquetebol. Uma geração que gramou, no pavilhão ou na TV, muitos títulos seguidos de uma equipa vermelhusca essencialmente formada pelo Carlos Lisboa, por americano naturalizado chamado Mike Plowden e por 2 angolanos (Guimarães e Jean Jaques). E foi preciso juntar um poste americano de alto nível chamado Jared Miller, um extremo triplista de seu nome Kevin Nixon, dois fantásticos jovens jogadores (Nuno Marçal – sim, o que ainda joga, e Paulo Pinto, que infelizmente já faleceu) mais um base capaz do melhor e do pior (Rui Santos) para que o Porto fosse campeão.

Por isso é que me sinto envergonhado com aquela exibição e, sobretudo, com o espectáculo de mau perder que oferecemos ao país via Porto Canal. Nenhuma provocação, por mais parva e absurda que tenha sido justifica as agressões, os arremessos e o impedimento de receber a taça no campo. Afinal, os gajos venceram o campeonato contra o seu maior rival, contra todas as expectativas e, já agora, no terreno adversário: queriam que fizessem um voto de pesar? Não foi por algo do género que quase toda a gente, portistas e até benfiquistas, criticou os vermelhos depois do apagão e da rega da época 2010/2011?

Vai sendo tempo de aprender a perder. De sermos dignos na derrota. De não alimentarmos a imprensa vermelhusca com este tipo de ofertas. E também vai sendo tempo dos responsáveis do nosso clube assumirem que existem portistas que não se sabem comportar, que têm de ser censurados pelos seus actos e que cenas como a de quarta não podem ser branqueadas com a clássica crítica à actuação alegadamente excessiva das forças policiais. O respeito não se ganha somente obtendo vitórias. O nosso clube só sairá da trincheira onde constantemente nos tentam meter quando perceber que para crescer é preciso perder com graça, lambendo as feridas e preparando a próxima vitória.

Quarta foi um dia mau para o basquete nacional. Mas foi um dia ainda pior para o nosso clube. Porque perdemos o jogo. Mas, sobretudo, porque perdemos a compostura.

No caminho certo…

Mais uma manchete do Record que nos enche de esperança para a época que se avizinha: para além do delírio habitual sobre a grandeza dos Coisinhos, a alusão à vitória europeia com apenas 50 anos e mais umas baboseiras sobre conquistas desportivas do tempo das caravelas, ficamos a saber que o Roderick vai voltar para fazer parte do plantel…

São 11 contra 11

Sofrer um golo “logo aos três minutos condiciona muito o jogo”, na opinião de Sá Pinto, confessando esse enorme problema de ter 87 minutos pela frente para marcar um golo. O treinador do Bayern, Jupp Heynckes, já esteve ao telefone com Sá Pinto: “Ó Ricardo, pá, estou solidário contigo. Ontem marcámos demasiado tarde. Devíamos ter marcado aos 3 minutos porque assim condicionávamos o jogo do Chelsea.”
Eu gostei que a Académica tivesse ganho, pela seguinte ordem de razões:
1. O “nosso” Pedro Emanuel começou o campeonato em grande, depois perdeu jogadores-chave, e a equipa acabou a competição a lutar para não descer. Com muitos adeptos já a pedir a sua cabeça ainda o campeonato não tinha acabado, o presidente da Académica foi lúcido e manteve o treinador. Hoje, teve a sua recompensa.
2. Diogo Valente, que pertenceu aos quadros do FC Porto entre 2006 e 2009, nunca teve uma oportunidade de jeito no nosso clube. Eu fui dos que sempre achou que devia ter havido um melhor aproveitamento do talento deste jogador. Gostei da vitória da Académica, também, por ele.
3º Foi impressionante a pressão que os jogadores do Sporting fizeram sobre o árbitro, quer através de inúmeras simulações de supostas faltas – e aqui o artista maior chama-se Capel – quer nos constantes protestos que pediam cartões para os jogadores da Académica. Em geral, os jogadores do Sporting passam os jogos a protestar quando as decisões dos árbitros lhes são adversas. Quando fazem um tackle evidente, levantam os braços como que a dizer “Eu não lhe toquei com os braços”. Quando o jogador se chama João Pereira, o ato é acompanhado do devido insulto a quem estiver por perto.
4º Em Agosto, será, em teoria, menos complicado jogar a Supertaça com a Académica do que com o Sporting. Só tenho curiosidade em saber se o estádio vai ser o do costume.

Para inglês ver e não só

Ganhar um título nos minutos de compensação deve ser uma sensação única. Foi o que aconteceu hoje aos adeptos do Manchester City, que, já nos “descontos”, viam a sua equipa perder em casa 1-2 com um Queen’s Park Rangers reduzido a dez jogadores. Em dois minutos, Dzeko e Aguero viraram o resultado e o terror deu lugar, num ápice, ao delírio. Também nós, portistas, já tivemos um momento “City”, ou pelo menos parecido. Foi em 1986, na receção ao Covilhã, jogo em que chegámos a estar a perder 1-2, mas que virámos para 4-2. Não foi exatamente nas circunstâncias do jogo de hoje em Inglaterra porque, na altura, a viragem do resultado deu-se ainda a meio da segunda parte e o nosso rival, o Benfica, perdia no Bessa por 1-0. Mas ainda recordo a emoção que senti no velhinho “Das Antas”, como se fosse hoje.
Mancini, uma espécie de Vítor Pereira do City, ganhou o campeonato e está em condições de ser campeão nas três principais ligas da Europa, isto, claro, se algum Barcelona ou Real Madrid se lembrar dele nos próximos dez a quinze anos. Um pouco à imagem do FC Porto deste ano, parece que este título do Manchester City se deveu mais à qualidade dos jogadores do plantel do que ao desempenho do treinador (sim, “Vítor Pereira fans”, podem-me enxovalhar). O percurso europeu dececionante de ambas as equipas não ajudou nada à unanimidade positiva dos adeptos em torno dos treinadores, isto sem falar na irregularidade exibicional.
Em Sunderland, Sir Alex Ferguson e os seus rapazes, que, ganhando 1-0, fizeram o que lhes competia, esperaram em campo para saber que tinham perdido o título. De uma coisa eu tenho a certeza: amanhã e nos dias seguintes, não teremos, nos jornais ingleses, manifestações de mau perder. Ferguson não se escusará a endereçar os parabéns a Mancini. Nem um papagaio qualquer do United – se os lá houver – invocará os erros de arbitragem como razão do falhanço do título. E nem o guarda-redes De Gea falará de coisas estranhas que os impediram de chegar ao título. Isto tudo, obviamente, porque jamais qualquer diretor de jornal se reunirá com responsáveis do United para delinearem a política editorial dos próximos dias. Em Inglaterra, as pessoas gostam de futebol e não brincam às conspirações.

Olha que festa mais linda

1. Hulk corre em direção à grande-área e, a um metro da mesma, em posição frontal, é rasteirado por trás por Onyewu. Pelas regras do futebol, cartão amarelo. O árbitro cumpriu.
2. James finta Polga na pequena área, a dois metros da baliza, em posição frontal, e é “varrido” pelo defesa do Sporting, quando se preparava para marcar. Pelas regras do futebol, cartão vermelho. O árbitro cumpriu.
Pelas regras do futebol, Pedro Proença esteve bem nestes dois lances. Já não esteve tão bem quando decidiu tentar equilibrar as forças, à boa maneira portuguesa, expulsando Fernando num lance em que nem sequer houve falta. Pelo meio, durante o jogo, uma série de equívocos em faltas no meio campo que penalizaram o FC Porto.
Pelas regras do Rui Santos, não foi nada disto que se passou. Acabei de o ouvir na antevisão do seu “cantinho dos tristes” na SIC Notícias e passo a transcrever o que ele disse.
“Pedro Proença, do meu ponto de vista, esteve mal. Julgo que houve uma clara dualidade de critérios, mais uma vez, que prejudicou bastante o Sporting. Nos lances das expulsões há um excesso de zelo por parte de Pedro Proença, que não se justifica, sobretudo num árbitro da craveira dele. Estes árbitros, que têm experiência e estão bem cotados a nível internacional, têm obrigação, nos jogos domésticos de ter uma maior amplitude em termos das decisões que são cruciais para o desenrolar de um jogo. Neste caso concreto, eu julgo que o Sporting foi bastante penalizado porque acaba por sofrer a derrota depois das expulsões.”
Palavras para quê? É o antiportismo remunerado ao mais alto nível!