Quando a bolha rebentar…

Estivemos muitas semanas a ouvir que o SLB ganhava imperialmente, o seu futebol encantava e que esmagava os adversários. O pobre do líder da Liga somente vencia penosamente, batia os seus adversários a custo e exibia-se exausto.

O Benfica ganhou 17 jogos em 2011 (antes disso existe um buraco negro que se prolonga em retrospectiva até ao início de Agosto de 2010…), Jesus venceu na Alemanha, onde nunca nenhuma equipa das galinhas tinha vencido, é o maior desde Jimmy Hagan e Sven-Göran Eriksson, tem licença para distribuir tabefes no final dos jogos e masca a mesma chiclete desde o Natal, com a boca aberta, porque a goma é biodesagradável… A Nação vermelhusca acardita!

O Porto venceu 19 dos 21 jogos disputados nesta Liga. Tem alegadamente um treinador “miúdo” e “inexperiente” que fala português correctamente. Tem o melhor ataque, a melhor defesa e o melhor marcador do campeonato. Está a fazer a sua melhor época desde de que existe democracia em Portugal. Tem mais pontos conquistados neste momento do que a hiper-mega-fixe equipa do SLB que venceu o campeonato dos túneis com grande pompa e estardalhaço tinha por esta altura. Tem também um jogador que tem vindo a ser eleito, desde Agosto de 2010, como o “o Melhor Jogador do Mês” pela LPFP mas o que foi notícia televisiva hoje foi o facto do Coentrão ter recebido o prémio de melhor jogador jovem do SJPF…

A Federação de história e estatística de futebol (IFFHS) revelou recentemente que o FC Porto é o melhor clube português da primeira década do século XXI, surgindo na 14.ª posição. O SLB ficou posicionado num honroso 44.º lugar…

O FCP venceu fora de casa uma equipa que ainda não tinha sido derrotada no seu estádio, por 3-0 e arrancou para a vitória com um golo fenomenal. O SLB venceu no último minuto dos descontos… Na passada semana, a notícia era que o Porto vencia com dificuldade e o Benfica goleava. Esta semana, a notícia é que o Benfica vence “com alma”… O triunfo do Porto não é notícia comparável.

Para terminar: esta época, o Porto venceu um troféu e está na luta por outros três – dos 5 títulos que perseguia no início da época somente falhou a Taça da Liga; o Benfica não venceu nada esta época, está na luta por 4 títulos/troféus mas já falhou em duas competições (Supertaça e Liga dos Campeões).

O problema das “hipérboles”, como de todos os exageros por excesso de entusiasmo, cegueira ou pura ignorância, é que não resistem à demonstração factual da realidade. São construções voluntárias de uns para alimentar ilusões aparvalhadas de outros, mas no que respeita ao SLB é difícil perceber quem é quem no meio da gritaria.

Relembrem o que eu digo: dentro de 4 jornadas a bolha vai rebentar…

Nota: versão corrigida com o contributo do Cian – obrigado por essa ajuda e pelo apoio.

"Intranquilamente" com oito de avanço

Mais uma jornada intranquila da nossa parte, com uma vitória intranquila em Olhão, por uns intranquilos 3-0, depois de um jogo muito intranquilo. Jesus tem razão. Estamos intranquilamente a somar vitória atrás de vitória rumo à intranquila vitória final.
Seguindo o exemplo do miúdo, espero que o graúdo tenha a honestidade de, amanhã, se retratar em relação à opinião sobre o golo anulado do Luisão. Mas pelas figuras tristes que foi capaz de fazer, hoje, no final do jogo, não creio que devamos contar com isso.

Olé!

Ora, este “Olé” justifica-se plenamente. Em primeiro lugar porque atirámos borda fora uma equipa espanhola, ainda por cima da Andaluzia, zona de mouros, como é sabido. Em segundo lugar porque assistimos ao regresso de Falcao e Álvaro Pereira, e, como era de esperar, viu-se a diferença. Num dos jogos de resultado mais enganador de que há memória, fomos melhores, podíamos ter goleado, defendemos bem, atacámos bem, falhámos pornograficamente. Fica a satisfação de constatar que somos superiores ao Sevilha e que a passagem é da mais elementar justiça. Em terceiro lugar, porque aumentámos a azia por essa blogosfera vermelhusca fora e, principalmente, nesse aborto comentadeiro chamado Rui Gomes da Silva. Que la chupen y la sigan chupando.

As contas de Jesus

As declarações de hoje de Jorge Jesus agitam, do ponto de vista humorístico, este domingo monótono. Diz ele: “É um facto que os 12 pontos que nós temos de vantagem, em relação ao Sporting, dá-nos [sic] uma tranquilidade pontual, em relação à classificação. Portanto, o Sporting, neste momento, na minha opinião, já não corre nem para o 1º nem para o 2º lugar, enquanto o Benfica tem essa possibilidade.” Na hipótese de a sua equipa perder amanhã, Jesus considera que o título não fica impossível, mas “mais difícil“.
Eu estive a olhar para a classificação e reparei que, se o Sporting ganhar, facto com o qual ninguém parece estar a contar, reduz para 9 pontos a distância para o segundo. Ora, Jesus acredita que será mais fácil chegar a um FC Porto a 11 pontos do que ser alcançado por um Sporting a 9. E também acreditas em milagres, Jesus?

Helton e Rolando: rostos maiores de uma exibição menor

Eu podia começar a elogiar a “capacidade de sofrimento” e a “força mental” da nossa equipa para disfarçar os problemas que estamos a atravessar, mas não o vou fazer porque acho importante, na hora da vitória, ter alguma lucidez. A verdade é esta: fomos felizes na forma como ganhámos este jogo, mostrámos muito pouco para quem se auto-denomina “candidato à vitória” na Liga Europa, e tivemos uma enorme prestação de Helton e Rolando. Individualmente:
Helton – Não era preciso este jogo para sabermos que está a fazer a sua melhor época de sempre. Grandes intervenções e uma serenidade que contagiou toda a defesa.
Sapunaru – Complicado o duelo com Perotti. O romeno ganhou e perdeu lances, mas nunca comprometeu.
Otamendi – Boa exibição de um central que tem na antecipação a sua maior arma. Pelo ar, as coisas são mais complicadas, ainda que, no golo de Kanoute, tenha sido evidente a falta do francês.
Rolando – Dois cortes providenciais na primeira parte evitaram outros tantos golos do Sevilha. Esteve imperial em todo o jogo e ainda teve o instinto matador de marcar o primeiro.
Fucile – É este o Fucile que queremos e de que já tínhamos saudades. Um Fucile de raça e entrega. Por que não é sempre assim? Uma questão de motivação?
Fernando – Esteve bem no aspecto defensivo, fazendo muita pressão sobre os adversários, e menos bem na construção (tal como os dois companheiros de meio-campo).
Belluschi – Uma anormal percentagem de passes errados e momentos de letargia que contribuíram para que perdêssemos, desde o primeiro quarto de hora, o controlo do jogo. De Belluschi esperamos muito mais.
João Moutinho – Mais activo que o argentino, mas igualmente longe da qualidade de construção de jogo que costumamos ver-lhe. Talvez tenha sido o seu pior jogo desde que está no FC Porto. Ou o único menos bom.
Varela – Assusta, por vezes, a indolência com que aborda alguns lances. Hoje, passou completamente ao lado do jogo, ele que se costuma agigantar num grandes embates. Quando Falcao voltar, vai ser entre ele e James.
James Rodriguez – Ainda muito inexperiente para estes vôos (a entrada que lhe valeu amarelo foi exemplo disso mesmo), apenas se deixou notar num remate perigoso na primeira parte e na marcação do livre de que resultou o golo de Rolando. De resto, pouco em jogo.
Hulk – Os olheiros devem ter ficado desiludidos com o jogo do Incrível. A jogar contra o mundo, pouco apoiado pelos colegas e sem espaço para armar o remate (que apenas saiu num livre directo), Hulk passou ao lado do jogo.
Guarin – Meteu peso no nosso meio-campo e marcou o golo da vitória.
Cristian Rodriguez – É caso para dizer: viva o futebol! Rodriguez teve uma prestação fraquíssima, quase que “pedindo” para ser substituído, mas acaba por ser decisivo na vitória, ainda por cima num lance em que falha o remate a acaba por fazer uma assistência magistral para ele próprio. Compreendo que a SAD o queira vender ainda por números razoáveis, mas valerá a pena sacrificar a qualidade da equipa desta forma?
Álvaro Pereira – Que bom vê-lo em campo outra vez!