Álvaro Pereira

É um dos jogadores indiscutíveis do FC Porto actual. Velocidade, eficácia a defender, qualidade no cruzamento. Álvaro Pereira preenche a ala esquerda de forma completa e a equipa é muito diferente sem a sua presença. Para pior. A questão que se coloca é a seguinte: é este já o melhor defesa-esquerdo do FC Porto pós-Branco? Admito que sim, mas ainda lhe falta ganhar títulos, coisa a que Nuno Valente ficou ligado para sempre na história do nosso clube. Recordo ainda um brasileiro dos anos 90 chamado Esquerdinha, que foi, na minha opinião, muito subvalorizado enquanto foi jogador do nosso clube. Fica o convite para participarem na botação na barra lateral.
Voltando a Álvaro Pereira, não sei se os caríssimos leitores estão lembrados, mas o uruguaio, antes de vir para o Dragão, foi dado como certo no 2º classificado pelo jornal A Bola. Chegaram mesmo a deslocar-se à Roménia para entrevistar o “novo defesa-esquerdo do Benfica”. Passámos de um Álvaro Pereira sorridente enquanto “jogador do Benfica” para um Álvaro Pereira sério, com ar apreensivo e com as mãos em posição de pedir perdão, talvez pela traição que acabara de fazer e que o jornal O Jogo, na altura, cronometrou em 4 minutos (o tempo que ele levou para decidir e assinar pelo FC Porto). Ora cliquem lá na imagem.

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Prenda de Natal

Decidi, nesta quadra natalícia, oferecer uma prenda a todos os leitores do Pobo do Norte, nomeadamente a todos os portistas. Trago-vos aquele que foi, na década de 80, e enquanto o hino oficial de Maria Amélia Canossa andava um pouco adormecido, aquele que foi, dizia, o tema que se ouvia no Estádio das Antas, nas rádios, e em todos os eventos portistas. Composto por António Tavares Teles e Tozé Brito, e com arranjos de Ramon Galarza, este “Hino do Futebol Clube do Porto” foi editado em 1985, em plena fase de rei Artur, Gomes, Futre e companhia. Desfrutem e, já agora, boas festas.

A obrigação de viver

Este não era o texto que planeava publicar hoje. Este não é o post que falaria desta sequência de jogos sem perder, não é aquele que fala da mutação do Bellushi, dessa nova encarnação do Lucho com metade do seu tamanho à qual chamamos Moutinho, não é nenhuma apoteose.

Este é o post sobre a morte de um homem que não conheci mas que viveu o seu, o nosso Porto, com a elegância genuína de quem nunca se sentiu diminuído por pertencer clubisticamente falando a uma franja de nortenhos com sotaque. A morte de Pôncio Monteiro, o verdadeiro, o único, fez-me pensar se faria sentido continuar a usar este pseudónimo. Se não seria um abuso assinar com este nome e em nome de uma personagem que se confunde comigo mas que também se confunde com todos aqueles que se reviam na atitude irónica e desafiadora com que este ilustre portista participava nos debates.

Nesta, como noutras mortes, mais ou menos próximas, mais ou menos dolorosas, a conclusão a que chego é sempre a mesma: a única forma de honrar aqueles que amamos, aqueles que admiramos, apreciamos ou simplesmente aqueles com quem partilhamos o gosto por um clube, é seguir em frente, aproveitar cada momento das nossas vidas para fazer aquilo que é nossa obrigação: viver.

Viver, neste caso, com a mesma ironia, com o mesmo desdém por aqueles que nos olham como se fossemos cidadãos menores. Viver fazendo a cada momento aquilo que acreditamos estar certo, usando o humor e a ironia em lugar de bolas de golfe ou pedras. A minha forma de prestar homenagem a este portista é continuar a escrever sob este pseudónimo. E mais do que uma homenagem, é uma obrigação. A obrigação de seguir vivendo.

Helton, o gigante

Digo-vos uma coisa: dá um jeitaço ter um guarda-redes no onze inicial. Hoje, por exemplo, foi graças a Helton que não tivemos um ou mais dissabores na segunda parte. No final do jogo, toda a gente esqueceu o brasileiro da nossa baliza, preferindo destacar as “incríveis perdidas do Rondon”, mas eu posso assegurar que vi o nosso guarda-redes a fazer duas ou três defesas de grande nível. Que sorte termo-lo levado a Paços!

Taça é festa

A Taça de Portugal trouxe mais uma vez ao Dragão um ambiente de festa, com o clube a vender bilhetes baratinhos, o povo a aderir e a equipa a responder com uma boa exibição e golos. Mesmo assim, confirmou-se aquilo que eu já pensava, que este Juventude de Évora ia ser mais complicado do que o Benfica. E o resultado aí está para o provar. O próprio treinador dos alentejanos lembrou, no final, e muito bem, que, “atenção, já houve grandes que aqui vieram e perderam por mais”. Por isso, só temos de dar os parabéns a estes simpáticos eborenses por terem dignificado o espectáculo e a nossa vitória (que é um dos lugares-comuns do discurso futebolístico que mais me fascina).
Do jogo que eu vi, a partir dos 35 minutos da 1ª parte, deu para reparar que Álvaro Pereira é imprescindível nesta equipa, que João Moutinho manda ali dentro (e manda bem) e que o James Rodriguez é um diamante que está a ser lapidado – com muito cuidado para não se estragar – para ter um futuro brilhante. Há quem chegue ao exagero de dizer que está ali a despontar qualquer coisa assim parecida com um madeirense que joga no Real Madrid. Eu só quero que o rapaz seja titular quando tiver que ser, e que nos dê muitas alegrias quando tiver que dar, e durante muito tempo. Agora, essas comparações só atrapalham, na minha opinião. Lembrem-se que o Anderson andou a penar pela equipa B e fez-lhe muito bem. O problema foi que depois parou cá pouco tempo.
Ontem vi o Benfica-Braga e achei o jogo tão mau, tão mau, tão mau que pensei em espreitar pela primeira vez a Casa dos Segredos. Vejam lá ao ponto que um gajo chega. No meio de tanta bordoada, tanto amarelo e vermelho perdoado pelo Xistra aos jogadores do Benfica, de tanto chuto na atmosfera e gestos do Jesus que parecia estar a ter um ataque epiléptico, pensei que se calhar tinha isto tudo na Casa dos Segredos – porrada, discussões, perdões e ataques – e ainda podia ver uma ou outra miúda jeitosa (que eles escolhem-nas a olho). Mas resisti na esperança de ver um golinho do Braga a empatar a coisa, o que não aconteceu. O Domingos não tinha ovos e assim não se fizeram as omeletes necessárias. No final, a Luz voltou a entrar en histeria, Jesus voltou a dizer “Estivéramos imparíveis” e o courato e o garrafão voltaram a ter grande saída nas roulottes. E agora, vem aí o Moretto, mais uma vez.