Festival de sarrafada (e pelo meio marcámos 2 golos)

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Sem espinhas (tal como há 3 meses)

O cenário de uma mais que provável derrota do FC Porto estava traçado. Tínhamos perdido os últimos dois jogos da pré-época e tínhamos perdido o líder da nossa defesa. A acrescentar a isto, as novelas em torno das saídas possíveis de Fucile e Raul Meireles, bem como a chegada tardia de Walter, tinham alimentado uma certa corrente de opinião que não augurava nada de bom para este jogo. O adversário, apesar da derrota quase “inexistente” aos olhos da nossa imprensa portuguesa contra o Tottenham, vinha de uma pré-época goleadora, com o seu presidente a vangloriar-se do feito de poderem, mas não quererem, bater recordes de transferências. A propósito da derrota com os ingleses no troféu Eusébio, por 0-1, Jesus dizia que com o FC Porto seria diferente. E foi, por mais um golo.
Apesar da fé que sempre caracteriza o adepto portista, vivia-se por aí um sentimento de alguma inquietude face ao jogo da supertaça. Alguns mostravam mesmo receio de voltarmos a perder com o Benfica. Eu troquei algumas opiniões com amigos portistas e dei-lhes conta que esperava uma surpresa positiva por parte da nossa equipa. Não deixava de estranhar a gestão algo atribulada do plantel, nesta altura, nem a aparente inexistência de um onze através do qual André Villas-Boas nos desse sinais de estabilidade. No entanto, via ali um conjunto de jogadores com um imenso potencial e desconfiava, mais do que ansiava, que a equipa iria surgir hoje pronta a dar-nos, como diz a marcha, “mais uma alegria, mais uma vitória”.
E tudo se resumiu, quanto a mim, a uma atitude inexcedível que não via há bastante tempo na nossa equipa. Inevitavelmente, tenho de comparar este FCP com o de Jesualdo que perdeu a Taça da Liga contra o mesmo adversário. Mas que diferença de garra, de pressão, de autoridade, de personalidade. E como maior exemplo disto mesmo, refiro Belluschi, um jogador a quem é amiúde apontada a falta de nervo e capacidade de defender bem, e que hoje foi, se não o melhor, pelo menos um dos dois melhores em campo (o outro foi o enorme Varela), não só pela forma como construiu jogo, mas fundamentalmente pela ajuda colossal que prestou à equipa em termos defensivos. Perdi a conta ao número de bolas recuperadas pelo nosso meio-campo, onde Fernando e João Moutinho estiveram também muito bem.
Jorge Jesus fala da fatalidade de sofrer um golo logo aos 3 minutos (basta haver quem a meta lá dentro). Depois diz que teve muitos jogadores no Mundial, que chegaram tarde (sim, devíamos ter adiado este joggo para o Natal, sei lá). Finalmente que ganhou a equipa mais eficaz (como se o número de oportunidades criadas tivesse sido semelhante). Ainda não tínhamos visto um Jorge Jesus puxar do caderninho das desculpas esfarrapadas, por entre um ou outro engasganço, um engolir em seco, e uma ou outra irritaçãozinha com um jornalista. A mim divertiu-me imenso ver que Jesus afinal é humano e, na hora da derrota “sem espinhas”, é absolutamente banal como tantos outros.
PS – Foram três as situações em que o árbitro perdoou expulsões a jogadores do Benfica. Cardozo, César Peixoto e David Luiz. Por entre muita sarrafada em geral, cometida pelos jogadores deste clube, estes três mereciam ter ido tomar banho mais cedo. Mas não foram. E, apesar da vitória, isto deixa-me muito apreensivo para o que aí vem.