Você recebê-lo-ia de volta?

Anúncios

Verniz

Enquanto saboreamos a vitória que vai fazer com que aturemos o VP, no mínimo, até ao Natal, vai sendo giro observar a peixeirada entre os “viscondes falidos” e os “mais grandes”. Entre gaiolas que são caixas de segurança, cadeiras a arder e bancadas em risco de colapso, tudo é agora motivo para a algazarra. E estavam eles tão juntinhos e amigos naquela entrega de prémios uns dias antes…

Nota de rodapé: o Libras Boas enfardou 0-2 com o Liverpool esta noite – mais um resultado negativo com um dos grandes lá do sítio… Já começou a contagem decrescente para o russo perder a paciência e o amor ao dinheiro da indemnização…

Esqueçam os últimos 5 minutos

A lógica em futebol é uma batata. Há uma semana, o Braga não mereceu ser eliminado pelo Sporting no jogo da Taça. Ontem, o Sporting não mereceu perder na Luz. Hoje, no Dragão, o FC Porto não mereceu ter sofrido naqueles últimos minutos. O resultado é mentiroso pois sugere dificuldades que o campeão não teve, sugere um jogo equilibrado em que a incerteza do resultado foi uma constante, o que obviamente não aconteceu.
Os adeptos reencontraram-se com a equipa e foi bonito ver outra vez o Dragão com um sorriso nos lábios. Mas Vítor Pereira (ainda) não está a salvo. E isso foi notório nos assobios que recebeu por substituir Defour, que estava a ser o melhor homem em campo. Os adeptos ainda têm contas a ajustar com o treinador e agora só uma sucessão de vitórias poderá fazer subir os níveis de popularidade do treinador.
Hulk acabou por ser o melhor do jogo, ele que até começou mal, com uma série de disparates e más opções que enervaram as bancadas. Mas o Incrível é um jogador fenomenal e temos de contar sempre com ele, porque dali qualquer coisa fantástico pode surgir a qualquer momento. Enquanto esteve em campo, foi Defour a mandar no nosso jogo. O belga está a ganhar espaço e terreno, face à lesão de Guarin e às intermitências de Belluschi.
Agora, ainda há questões por resolver naquela equipa. Em primeiro lugar, saber até quando teremos Maicon a lateral-direito, ele que defensivamente até tem estado bem (se excetuarmos aquelas paragens cerebrais que por vezes lhe acontecem), mas tira-nos profundidade atacante pela direita. Em segundo lugar, saber se a aposta em Djalma é uma experiência ou apenas fruto das circunstâncias. O angolano não tem estado mal, mas ainda não faz a diferença e isso é o que separa o Djalma do Marítimo e aquele que tem de se impor no FC Porto. Finalmente, quando Mangala recuperar, saber qual o central que vai saltar fora, porque eu acho que as coisas não estão bem lá atrás.

Estamos de volta?

O site oficial do FC Porto diz que “O FC Porto está de volta”. Para além do mau gosto de se colarem ao slogan do Sporting, acho que os responsáveis pelo site deviam ter calma. Não estamos de volta coisa nenhuma. Ganhámos o jogo, melhorámos em relação ao jogo de Coimbra, mas não embandeiremos em arco, como se tivéssemos empatado contra o pior Man United dos últimos anos. Se ganharmos ao Braga, se ganharmos ao Zenit, aí sim, estaremos de volta.

Não foi por falta de aviso…

Atribuo a responsabilidade desta eliminação vergonhosa e humilhante, frente à Académica, não ao treinador, mas a quem não teve a coragem de o pôr na rua, há quinze dias, quando empatámos para o campeonato. Teria sido então uma boa oportunidade para o ponto de viragem, com uma paragem longa, para a entrada de alguém que pudesse, hoje, ter posto a equipa, pelo menos a perder por poucos. Chame-se ele Pinto da Costa, Antero Henrique ou outro qualquer.

Foi-se a Taça, com o próximo vai a Champions

Hoje, depois do 2-0, dei por mim a desejar que a Académica marcasse mais 2 ou 3… Uma equipa do FCP que faz o primeiro remate à baliza aos 50 minutos de jogo não merece sequer a designação de equipa. A forma como o nosso treinador reagiu à desvantagem foi ainda mais patética.

Quando me tento lembrar de uma época em que a nossa equipa tenha jogado tão pouco, só me ocorre o primeiro ano pós-Mourinho. Nesse ano tínhamos perdido “o melhor treinador do mundo”, Deco, Paulo Ferreira e Ricardo Carvalho, enfim, foi triste mas de algum modo compreensível.

A equipa que temos agora é do ano passado, sem o ponta-de-lança colombiano que foi para Madrid e com mais uns jogadores caros, que nem sequer têm lugar no 11. O homem que temos no banco já lá estava, mas não era o líder. Continua a não o ser, apesar de ser esse o seu papel. É agora mais claro do que nunca, se é que ainda existia alguém com dúvidas, que Vítor Pereira não tem o que é preciso para ser treinador principal no FCP.
É justo que se diga que Vítor Pereira foi uma opção de risco, resultado das circunstâncias e não de uma aposta pensada. PdC tentou tirar da cartola uma solução interna mas saiu-lhe mal. VP é um tipo honesto, trabalhador, mas não controla aquele plantel nem tem a capacidade de actuar no banco de suplentes. É um erro de casting, tão grave quanto a política de contratações (e vendas) do Verão passado.

Nada menos que um Rafa Benitez me sossega…