Ainda não perdemos, mas já não somos invencíveis

Já procurei em todos os dicionários existentes cá em casa. Pesquisei os dicionários online. O resultado é sempre o mesmo: INVENCÍVEL = que não pode ser vencido, que nunca foi vencido. O jornal A Bola publica a sua manchete festiva devido ao facto de o Guimarães ter empatado com o FC Porto e, antes daquele título absolutamente parvo, de dar “mais vida à Liga”, colocaram uma introdução, também ela parva, mas com a mais-valia de ser mentirosa. Dizem eles que “FC Porto afinal não é invencível…”. Quer dizer, nós ainda não perdemos um jogo, mas pelo que ontem ficou demonstrado, não somos invencíveis. Apesar de… termos empatado. Faz sentido? Claro que faz, na cabeça de um Delgado, de um Serpa ou de outro qualquer jornaleiro ao serviço do segundo classificado.
Acho que no jogo de ontem tivemos um árbitro hostil na sua postura face aos nossos jogadores (alguém reparou no clima de abraços, cumprimentos e palmadinhas nas costas entre Duarte Gomes e os jogadores do 2º classificado, no jogo contra o Braga?) e aos lances que eles protagonizaram. Xistra conseguiu enervá-los, mas isso não desculpa a jogo menos conseguido que tivemos. Acho que, pela primeira vez, esta época, vi os nossos jogadores descansarem à sombra da bananeira após o golo e apenas acordarem depois do empate e da expulsão (justa) de Fucile. Digamos que foi uma espécie de Jesualdice aquilo a que assistimos ontem. Um empate em Guimarães não é alarmante. Uma vantagem de sete pontos sobre os segundos é bastante boa. Siga a marinha, como diz o outro.
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Hulk-independência

Haverá muita gente ainda a pensar como foi possível dar chapa quatro àqueles que eliminaram o “dream-team” da segunda circular da Taça de Portugal. Eu tenho três sugestões:
1. Hulk no banco. Jogámos como uma equipa. Solidária, em bloco.
2. Varela e Rodriguez. O primeiro a mostrar que é, nesta altura, um jogador fundamental, precisamente por ser tudo aquilo que Hulk não é. O segundo a subir de forma a olhos vistos.
3. O regresso de Fucile. Com ele, a equipa solidifica a asa direita. E Varela tem ali um apoio basilar.
Os sinais de retoma que identifiquei no jogo com o Rio Ave confirmaram-se hoje, com uma das melhores primeiras partes da época, contra uma equipa que vinha, também ela, a mostrar grande evolução. Aqueles vinte minutos iniciais da segunda parte foram assustadores e chegou a pairar a ameaça do empate, mas o terceiro golo (contra a corrente e caído do céu… tal como tinha sido o golo de Andrezinho) acabou com as pretensões vitorianas e colocou-nos definitivamente a mandar no jogo. Guarín entrou muito bem, e foi ele quem liderou a equipa na parte final do jogo. Eu dava-lhe a titularidade em Madrid, fazia descansar o Fernando e, se calhar, punha o Meireles na posição seis. O Belluschi, esse precisa de jogar sempre, para se ir adaptando aos colegas (foi Jesualdo que disse…), e, apesar do erro que esteve na origem do golo do Vitória, gostei da sua exibição.

A small step for man…

Será desta?

O ponto de viragem numa época que tem sido demasiado cinzenta? Será este? Devo confessar-vos que esta tarde, em conversa com um amigo sportinguista, dizia que muito do que se passaria de hoje em diante no campeonato estaria dependente do resultado do FCP em Guimarães. E, felizmente, o Porto fez mais do que suficiente para merecer a vitória, ainda que o início da segunda parte tenha sido penoso. Para a semana, o FCP recebe o Setúbal e o SLB vai a Olhão, dois jogos que não deverão alterar quase nada na classificação geral. Claro está, se o André Vilas Boas não for capaz de atrapalhar os vermelhos na Luz…

Uma Vitória gordinha

Concretizamos oportunidades, lutamos, sofremos e acabamos a golear. A diferença para outros jogos? Está na felicidade de marcar em momentos cruciais do jogo (e no azar de sofrer um golo mesmo antes do intervalo, não é?) mas a sorte procura-se e neste FCP quem procura mais a sorte é um indivíduo chamado Raúl Meireles, que depois de ter iluminado a selecção no jogo com a Bósnia parece outro jogador. A outra diferença chama-se Bellushi, que jogando pouco ou muito, se faz notar no meio campo de ataque. Por último, refira-se o significado de ter o Fucile no lugar de um romeno que tem mostrado não ter categoria para ser titular do Porto, bem como o regresso do Varela, que tem sido a grande surpresa da época portista.

Sempre quero ver o que é que os jornais desportivos de sábado vão dizer sobre este jogo. Depois do épico “Jesus conquista Vitória em Guimarães” suportado num triunfo magro, mesmo no final do encontro e contra 10, este 4-1 merece o quê?