Soares é fixe?

Não deixa de ser curiosa a situação de termos emprestado aquele que é agora um dos melhores marcadores do campeonato ao Vitória de Guimarães e irmos lá buscar, pelo que tudo indica, um outro avançado. Não que eu, pessoalmente, ache que o Marega é jogador para o Porto – que não é – mas fica a sensação de mais uma gestão do plantel feita aos tropeções.

O que vale Soares? Acho que tem qualidade para lutar com André Silva pela titularidade, acho que até pode encostar Diogo J no banco e assumir uma dupla com o André. Não é nenhum Luiz Adriano, mas tem mais qualidade que Depoitre.

Cagança máxima

O que aconteceu hoje na Luz é a prova de que não há verdades absolutas no futebol. Que o diga o jornal A Bola, que fez uma capa vergonhosa e humilhante para o Boavista, dando como adquirido que a equipa que ia da invicta não teria outra ambição senão estacionar “o autocarro” e limitar-se a ver os “bólides” de Carnide jogar. Talvez os coisinhos tenham interiorizado a mensagem do jornal de tal forma que se esqueceram, eles próprios, de defender. Conclusão: levaram 3 na primeira parte. Pelos vistos, segundo a malta lampiónica, todos eles irregulares. É bom que provem numa jornada do que nós andámos a provar desde o campeonato. Ser gamado e não conseguir ganhar um jogo? Yes, we know the feeling.

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E amanhã é para ganhar, até porque o Sporting empatou e seria importante cavar um fosso de 4 pontos para eles (a poucas semanas de virem ao Dragão…). E fundamental será aproximarmo-nos dos coisinhos e manter esta fé de que ainda é possível. Isto numa altura em que ainda esperamos sangue novo no plantel (porque Kelvin, apenas, não é solução).

 

Lesados do NES (e não só)

Sinto-me um lesado do NES. Todos nos sentimos lesados do NES. As esperanças que fomos acumulando ao longo da primeira metade de 2016 (quando já se preparava esta época, nas palavras do Presidente), depositámo-las neste novo projeto, neste começar de novo – mais um! -, nesta nova era de Somos Porto. Mas, com seis meses de Nuno Espírito Santo, estamos a ver desaparecer todo este capital de esperança acumulado em agosto e setembro.

Tivemos até aqui coisas boas, ainda que poucas: um apuramento para a fase de grupos da Champions League em condições muito especiais e um apuramento sofrível para os oitavos-de-final da Champions num grupo de pouca exigência competitiva. À parte isso, desilusões atrás de desilusões, com momentos bons aqui e ali. Uma eliminação da Taça de Portugal, uma eliminação da Taça da Liga (na última posição do grupo), e o segundo lugar na Liga, mais longe do primeiro do que do… quinto classificado. Pouco, muito pouco.

NES, claro está, partilha culpas com quem manda, com quem lhe deu este plantel tão desequilibrado, com quem cometeu erros crassos na gestão do clube. Mas as opções que toma jogo após jogo, a insipidez do nosso futebol em grande parte dos jogos contra equipas “pequenas” e o discurso “para fora” pouco ou nada motivador “para dentro”, tudo isto é sua responsabilidade.

Não podíamos falhar em Paços. Depois da vitória dos coisinhos, e para provar que não desarmávamos de ir atrás deste título e que o combate “contra tudo e contra todos” não se fazia apenas da boca para fora, tínhamos a obrigação de ganhar este jogo. Mas nós somos aquela equipa que praticamente não ganha fora. Em oito jogos, ganhámos três, com uma derrota em Alvalade e quatro empates a zero (Tondela, Setúbal, Belenenses e Paços). Pobre, muito pobre. Podemos começar a preparar a próxima época, Presidente?

Eminência parva

A capa de A Bola de hoje é cómica. Rui Vitória dá um murro na mesa – treme, Portugal! – porque não admite “que ponham em causa o mérito” dos coisinhos. É preciso explicar ao senhor que o que está aqui em discussão é a sonegação de mais uma dezena de penaltis ao Porto, não ao seu clube. Que o que está aqui em causa é o prejuízo direto do Porto em campo, com arbitragens orientadas para não nos deixarem ganhar, e não outra coisa. Portanto, não se está aqui a tirar mérito a quem quer que seja (ainda que os que vão à frente não joguem o suficiente para justificar quatro pontos de avanço). É também preciso explicar que o clube do qual Rui Vitória é funcionário passou décadas a negar o mérito às vitórias do Porto e a tentar prejudicar-nos junto das instâncias desportivas. Tentou de tudo, incluindo retirar-nos das competições. Nunca conseguiu, foi sempre derrotado, e agora faz as coisas por outro lado e, pelos vistos, com muito bons resultados. Rui Vitória devia pensar nisso antes de abrir a boca.

Ultraje a rigor

O jogo de hoje em Moreira de Cónegos parece uma síntese perfeita da nossa época 2016/2017: um onze desequilibrado, na sequência de um plantel desequilibrado, com insuficiências gritantes (na posição de ponta de lança, por exemplo); uma incapacidade atroz em fazer golos – apesar das oportunidades criadas; um treinador com dificuldade em tomar as melhores opções, quer antes do jogo, quer durante o mesmo; e um árbitro que nos aplica a machadada final, destruindo-nos quando já estamos no chão.

Até ao intervalo tínhamos feito o suficiente para o apuramento ser perfeitamente possível. A exibição não era regular, mas Brahimi e Óliver construíam jogo ofensivo em dose suficiente para metermos pelo menos duas ou três bolas na baliza do Moreirense. Não o fizemos porque quem joga com Herrera, André André ou Depoitre tem um onze desequilibrado e arrisca-se a não ganhar. É a diferença entre ser ou não letal. E nós não somos mortíferos na hora da verdade. Veja-se, por exemplo, as inúmeras perdas de bola ou os passes errados do mexicano, escostado por Nuno Espírito Santo (NES) à direita. Ou a incapacidade que o belga demonstra em jogar fora da área (tem de vir à procura da bola, porque a equipa não está formatada para o servir dentro do retângulo onde se decidem os jogos). Ou a insipidez do jogo de André André, fisicamente um caso muito estranho de um jogador que procura sempre o contacto com o adversário para ganhar a falta porque sabe que não consegue competir em termos físicos. Depois, vemos um Corona ou um João Carlos Teixeira no banco e preferimos não fazer perguntas porque o treinador que desenha saberá melhor do que nós o que pretende.

No final dos primeiros 45 minutos qualquer portista pensaria que, a continuarmos naquela toada, ainda que irregular, feita de momentos, o golo acabaria por aparecer. Até tínhamos no resultado de Belém um incentivo extra que NES certamente não deixaria de capitalizar na mente dos jogadores. Pois bem, o que aconteceu na segunda parte? O inexplicável, ainda que não inédito nesta época. Uma entrada adormecida, passiva, apática da equipa, deixando o adversário acreditar e crescer no campo… Deixando o Moreirense acreditar que o golo era possível. E foi. NES deveria explicar este súbito adormecimento da equipa. E não se pode escudar apenas no anti-jogo do Moreirense (já vamos ao árbitro), porque o golo surgiu aos 48 minutos e até à expulsão inacreditável de Danilo houve 30 minutos para mudar o rumo das coisas. Houve quase toda uma segunda parte para ir para cima do adversário, para o encostar lá atrás, para o sufocar. Em vez disso, esperámos por qualquer coisa que não aconteceu. E o que aconteceu, acabou por se chamar Luis Godinho.

O que este árbitro fez hoje foi inqualificável. Depois de cumprir o sonho de ter arbitrado o “seu” Benfica (é ver uma mensagem de uma amiga que circula pelo facebook), hoje deve ter cumprido o sonho de encostar o traseiro às partes do Danilo e expulsá-lo de seguida (não fosse haver dúvidas da sua masculinidade). Para além disso, foram “apenas” um penalti claríssimo sobre André André (agarrado pelo braço) e um atraso para o guarda-redes não sancionado (vê-se claramente o defesa olhar para trás e a saber perfeitamente a quem vai passar  a bola). E foram fantásticos aqueles 8 minutos de compensação, numa altura em que estávamos já com 9 jogadores e era cada um por si…

Aquilo a que assistimos hoje foi um ultraje ao futebol, um assalto com todo o rigor e muito bem delineado à nossa equipa. Fez-me lembrar precisamente uma banda brasileira dos anos 80, os Ultraje a Rigor, que tinham uma canção cujo título assenta que nem uma luva a este senhor que hoje apitou o nosso jogo. Deliciem-se.

 

Bater no fundo

Na capital do império, local onde outrora até os sistemas de rega se ligavam espontaneamente para comemorar as nossas vitórias, já nem sequer somos o “ódio de estimação” dos benfiquistas.

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Aqueles gajos do Porto estão onde? Já nem os consigo ver…

Tem sido difícil a vida de blogger portista. E não é pela escassez de vitórias, é mais pela escassez de ideias… ideias para não estar sempre a “bater no ceguinho” e a lamentar aquilo que muita gente já viu, que muitos não querem acreditar mas que é evidente: o clube precisa de uma nova estirpe de líderes, de um rumo diferente, de abordagens realistas, de gente honesta. E de um treinador que não se limite a “falar bem”…

Pouco antes destes 4 empates sem golos, estive em Lisboa. E no átrio do edifício onde está o Starbucks, junto ao Rossio, estava uma banca de merchandising do SLB. Um dos meus amigos decidu então  aproveitar a oportunidade para comprar uma camisola do Benfica para o filho, que por motivos inexplicáveis aprecia aquela agremiação. E eu decidi que ia brincar um pouco com a situação, mantendo uma distância prudente para a dita banca e perguntando com ar preocupado se aquilo era contagioso.

A resposta da jovem vendedora do SLB foi muito simpática – disse que não, que eu me poderia aproximar sem correr riscos. O meu amigo perguntou então se a camisola Y do tamanho X estaria bem para o filho de Z anos. Ao que eu reagi, fingindo interesse nos produtos, pegando num cachecol vermelhusco e perguntando: “Isto queima bem? É que estava a pensar comprar também o isqueiro e vocês poderiam comercializar isto num pack para portistas…”

A mocinha sorriu, deu-me uns enganadores segundos para usufruir da piadola e atirou-me metaforicamente ao tapete dizendo: “Portista? Ainda bem, se fosse do Sporting é que era pior.”

Perceberam? Na capital do império, local onde outrora até os sistemas de rega se ligavam espontaneamente para comemorar as nossas vitórias, já nem sequer somos o “ódio de estimação” dos benfiquistas. Fomos substituídos nesse papel pelo Sbordem, o clube dos Viscondes que já não ganha nada de significativo desde  o início do século XXI. Isto diz muito sobre as expectativas dos nossos adversários e sobre a potencial ameaça que (não) constituimos.