Falta o Moutinho

A capa de A Bola de hoje, cuja manchete é “Luz para campeões”, está incompleta. Falta o João Moutinho. Também ele é português, vai jogar hoje pela seleção, e foi campeão na Luz em 2011 (às escuras e debaixo de água). Como é que foi possível esquecerem-se disto, senhores?
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Foi do Bayern?

O que se passou hoje na Madeira foi uma espécie de soco no estômago. Já levamos anos e décadas a ver futebol e nunca estamos preparados para isto. A nossa equipa em crescendo exibicional nos últimos jogos, com grandes golos, com solidez defensiva. E a afirmar-se em termos europeus. O líder do campeonato perde, e a hipótese de ficarmos a um ponto está já ali ao virar da esquina. E não vamos além de um empate. Terrível desilusão num jogo contra uma equipa que nem pôde contar com três dos seus mais importantes jogadores. Nós, que não pudemos contar com Jackson (e que diferença faz para um Aboubakar esforçado, mas a léguas da qualidade do colombiano), devíamos e podíamos ter feito mais. Muito mais.
O discurso de Lopetegui para o exterior tem de ser aquele mesmo. Destacar a redução da diferença pontual e destacar o facto de, pela primeira vez, dependermos de nós próprios para sermos campeões. Reforçar a ideia de que ainda falta muito campeonato para jogar. O discurso para o interior, porém, tem de ser bem diferente. Pela forma apática como entrámos na segunda parte. Pelo domínio que consentimos ao adversário. Pelos erros de marcação no golo do Nacional e noutras jogadas que poderiam ter sido fatais (é inevitável pensar na incompetência defensiva de Alex Sandro em lances ao segundo poste). Se os coisinhos provaram do veneno de que têm vindo a beneficiar jogos a fio, mostrando, mais uma vez, que não têm qualidade para justificarem uma tão grande diferença de pontos, nós, com este empate, também não transmitimos uma ideia de força, também nos recusámos a marcar uma posição de afirmação. Ao invés, a mensagem que fica é a de falta de fiabilidade. Aquela imagem que em outubro e novembro foi atribuída à tal rotatividade.
Razões para esta entrada apática na segunda parte? Se tivéssemos um treinador português, seria fácil criticar a habitual “gestão do resultado” de que somos pródigos assim que nos encontramos a ganhar. Mas temos um treinador espanhol, ambicioso, habituado a motivar malta jovem com sede de afirmação. O que falhou, então? As bolas nos postes? O penalti sobre o Quaresma? Ou o pensamento já no Bayern de Munique, misturado com a presunção de uma vitória mais ou menos garantida?

Braguinha

Um amigo diz-me que eles vão perder pontos quando menos se esperar. Espero que sim. Hoje o domínio foi tal sobre o Braga que nem mesmo a costumeira expulsão pode ser argumento (já agora, uma falta estúpida porque o Salvio nunca chegaria à bola). Muito pressionado pelos coisinhos, o Braga não ligou uma jogada, não teve uma oportunidade. Nada, zero. No fundo, um filme já visto no jogo contra o FC Porto. Só que, de acordo com a teoria vermelhusca, no jogo contra nós, o Braga não fez porque não quis. Hoje, na Luz, não fez porque não pôde, certamente.
Palmas para o árbitro, que teve a coragem de – finalmente – assinalar falta num dos famosos bloqueios do Luisão na área adversária, e amarelar o Gaitán, que mergulhou na área como se não houvesse amanhã.

Este é o Porto que queremos

Só errei nos marcadores e no resultado, não na vitória do FCP nem no choradinho do Sérgio Conceição. Já percebi este projeto de treinador: quando a coisa não corre de feição à sua equipa, a culpa é do árbitro. É desonesto, vê jogos que não existiram, cria polémica para abafar a sua incompetência. Hoje o FC Porto dominou o Braga em 90% do jogo. Foram fraquíssimos os arsenalistas, aliás tal como já o tinham sido a jogar contra 9 na Taça da Liga. Conceição agarra-se a hipotéticos casos de arbitragem porque sabe que vai ter aliados na imprensa e no país vermelhusco. Espero, sinceramente, que este projeto de homem nunca tenha sucesso enquanto treinador. Enoja-me.
Quanto ao nossos, que isso é que importa, passaram mais um teste decisivo com distinção. Eu tinha dito que passar Boavista, Sporting, Braga e atingir os quartos-de-final da Champions seria uma prova de capacidade, de maturidade, de competência. Só falta a última etapa deste ciclo. Independentemente dos erros do passado e mesmo que não cheguemos a ser campeões, esta equipa vai dar luta até ao fim. E é isso que os portistas exigem. E estão a ter.
Lopetegui demorou a perceber o “sistema” jornalístico português, mas mais vale tarde que nunca. Estou a adorar a forma como olha os jornalistas de frente e lhes diz na cara que fazem perguntas que não passam de provocações ou de lugares comuns para encher o tempo. Continua, Julen, por muito que os comentadores se cocem na TV porque te acham “demasiado agressivo” ou “arrogante”. É disto que precisamos.
Para Jackson, a última palavra. Que o jogador mais importante do clube, neste momento, recupere depressa. Enquanto isso, temos Aboubakar e Gonçalo, prontos para provar que são alternativas válidas.

Flashes

Tanto sobre o que escrever, tão pouco tempo para o fazer. Enfim.
Hoje, em Braga, após a vitória indiscutível, com dois de Jackson e um de Evandro, Sérgio Conceição irá atirar-se ao árbitro e, entre outras coisas, dizer que é um homem sério, com família e que exige respeito.
Domingo, Kayembé vai marcar o golo da vitória nos descontos, correr para a câmara mais próxima e levantar a camisola onde se lerá, por baixo, “Je suis Porto”.
Há bocadinho, li no JN online que Paulo Pereira Cristóvão e o artista da Juve Leo vão ficar em prisão preventiva. Nunca fez tanto sentido a canção “Só eu sei por que não fico em casa”.