El Guaro

Freddy Guarin expressa, através do seu twitter, toda a alegria que lhe vai na alma pelo jogão de ontem. El Guaro, como lhe chama Falcao (curiosamente, “guaro” é o nome de uma bebida alcoólica muito popular na América Latina), fez ontem um jogo perfeito em termos ofensivos, com dois grandes golos e acções de construção importantes, deixando-nos completamente inebriados com tamanha contribuição. Guarín parece ser mais um exemplo de que, no nosso clube, o jogador de futebol encontra o espaço ideal para evoluir. Um clube que “faz” jogadores de futebol, que os promove e lhes dá estabilidade. Fui um dos muitos que vaticinaram um futuro cinzento para Guarín no nosso clube, mas, nestes casos, gosto mesmo de perder a razão.
Por outro lado, também devemos ter consciência que, em termos defensivos, Guarín está uns furos abaixo de Fernando, e não me admiraria nada que, dentro de um ou dois jogos, o brasileiro voltasse à titularidade – sendo Belluschi e João Moutinho intocáveis. Quem fica a perder neste jogo competitivo interno é Ruben Micael, um jogador de muito bom passe e inteligente a armar jogo, mas que perde para os restantes na capacidade física (velocidade e explosão).
Voltando ao jogo de ontem, o melhor em campo foi o colombiano, mas muito perto dessa distinção andou João Moutinho. Um amigo meu com quem via o jogo perguntava-me “O Moutinho já jogava assim no Sporting?”. E acho que é uma pergunta legítima porque é de tal forma elevada a qualidade que este jogador põe no jogo da nossa equipa que custa a crer que o Sporting tenha desperdiçado desta maneira um jogador destes, ainda por cima para um rival directo. Ou então voltamos à conversa do primeiro parágrafo e da capacidade que o nosso clube demonstra em fazer evoluir os jogadores.

E nós temos uma equipa

O jogo de hoje trouxe-me a ideia de que estamos a construir uma equipa de grande qualidade que, sem estar ainda a carburar em pleno, ganha com uma naturalidade e uma simplicidade que me deixa muito optimista para esta época. Um dos indicadores do que acabo de escrever é tão só o facto de hoje terem saído do banco nomes como Ruben Micael, Souza e Fucile. O primeiro é um desenhador a régua e esquadro. A bola nos seus pés sai sempre com intenção, beleza e precisão. Quem se pode dar ao luxo de ter um jogador deste calibre no banco? De Souza, começa a perceber-se que é muito mais do que um mero trinco. O à-vontade com que joga, ainda com pouco tempo de clube, é a prova de que a qualidade está lá, apenas tem de evoluir no sentido de querer ter mais a bola nos pés e arriscar com ela. Quanto a Fucile, é dele, naturalmente, o lugar de defesa-direito, pese embora as boas prestações de Sapunaru nesste início de época. Mas Fucile… é Fucile, e estando a 100%, fisica e psicologicamente, é o melhor lateral-direito a jogar em Portugal.
Quando temos estes três jogadores no banco, e ainda outros como “Cebola” Rodríguez ou Guarín, percebemos que o plantel, este ano, é mais fiável do que o do ano passado. Villa Boas pode bem fazer a gestão rotativa do mesmo sem grandes variações no desempenho. Pelo menos é a minha ideia neste momento.
Hoje, elejo como os melhores em campo o trio Álvaro Pereira, Bellushi e Falcao. o primeiro porque é o nosso melhor extremo-esquerdo. O segundo porque traz aquilo que não tínhamos há muito tempo: um marcador de livres directos fiável e constante. O terceiro porque marcou dois golos e falhou outros dois. Sim, porque até nos falhanços Falcao é um espectáculo.
Uma palavra para Ukra, um jogador que por certo cumpria hoje um sonho de criança: jogar no Estádio do Dragão com a camisola do FC Porto. Nao foi a estreia que ele por certo esperava, mas eu acredito que aquele estádio ainda o vai ovacionar muitas vezes de pé. Não faltarão oportunidades, Ukra!
PS – A noite encerrou com uma óptima notícia. O Benfica não vai emprestar Roberto, ao contrário do que avançou a TSF durante a tarde. O jornal A Bola adianta, no entanto, que o “8 milhões” perderá a titularidade. Pobo do Norte soube de fonte ligada ao processo que Mantorras ter-se-á oferecido para jogar à baliza.

Impressões digitais

Reza o milagre que Jesus da Galileia tocou com os dedos nos olhos de um cego e este começou a ver. Soubemos hoje que o Jesus da Galinácea pôs os dedos no Rúben Micael, provavelmente para accionar o milagre da multiplicação dos dias de suspensão. A estratégia não funcionou com estes protagonistas, é certo, mas haveria de funcionar com outros.

Lembro que, na altura do jogo com o Nacional, o Jesus da Galinácea disse que os jogadores “estavam a discutir com a adrenalina do próprio jogo“. A adrenalina deve ser a mulher que varre o túnel no final dos jogos e não gosta de ser incomodada. E acrescentou: “Estavam muito acesos e no túnel tentamos que cada jogador fosse para a sua cabine, nada de anormal. O Benfica ganhou 6-1 no campo, não foi no túnel”. Ficámos hoje a saber que também ganharam no túnel, por dois dedos a zero.

Por falar em dedos, aquele gesto simpático do mesmo Jesus, com os quatro dedos em riste, na direcção de Manuel Machado, não deu em nada. Já não há mesmo milagres. Ou será que há?

Acreditar ou não acreditar: eis a questão

No dia seguinte a o sítio oficial do FC Porto ter revelado que o jornalismo de A Bola é bonzinho para o SLB (por falar em Bonzinho, lembram-se disto?), foi a vez de constatarmos que os árbitros insistem em serem mauzinhos para nós, impedindo-nos de, por exemplo, marcar golos.

Ontem, mais uma fez, cortaram as asas ao Falcao num fora-de-jogo muito mal tirado e que daria, por certo, uma história muito diferente àquele jogo. Ainda assim, o colombiano foi capaz de voar para o golo do empate e mostrar, mais uma vez, que golos difíceis é com ele. Bolas fáceis, não dá pica.

Independentemente do erro decisivo da arbitragem, o FC Porto não jogou grande coisa. A segunda parte, então, foi confrangedora, sabendo-se que precisávamos de ganhar. Foi preciso um golo do Paços para nos atirarmos definitivamente para cima deles. Aliás, situação já vista noutros jogos. Parece que precisamos de um golo do adversário para começarmos a jogar. O segredo, digo eu, é deixá-los marcar cedo no jogo, para nos dar tempo de recuperar.

Este empate, se os nossos directos adversários ganharem, tornará muito difícil o penta. Seis pontos para duas equipas é muita coisa ainda para mais sabendo que, a jogar assim, vamos de certeza perder mais pontos. E na segunda volta não devíamos perder nenhum.

A notícia da contratação de Rúben Micael – obrigado, Sr. Presidente – tem o timing perfeito do ponto de vista da SAD, mas não faz esquecer o momento mau que atravessamos. Ainda assim, espero que o médio criativo do Nacional venha fazer aquilo que Lucho não pôde em Janeiro de 2005 quando o FC Porto não conseguiu trazê-lo no mercado de Inverno: lançar-nos na direcção do pentacampeonato. Eu acredito!