E coragem há, sr. Presidente?

O nosso grande presidente disse que não há petróleo no Dragão, numa alusão irónica aos camiões de contratações que estacionam diariamente na segunda circular. Estamos todos curiosos para saber de onde vem tanta saúde financeira para aqueles lados, mas tal não nos deve tirar o sono. A mim pelo menos não tira, desde que o jogo ainda se jogue com onze da cada lado.
Os sucessos dos últimos 20, 25 anos – independentemente de algumas contratações falhadas e um ou outro período menos positivo – deixam-nos também descansados e confiantes na competência do nosso Presidente e de todos os que o rodeiam. A questão que actualmente me tem ocupado o pensamento tem a ver com este excelente artigo do blogue Super Porto, no qual se apresenta um estudo dos chamados jogos grandes em que a nossa equipa participou desde que Jesualdo Ferreira é o treinador. Os números devem fazer-nos reflectir e, porque não, leva o nosso Presidente a concluir que, mais do que petróleo (que abunda por outras bandas), falta-nos, em certos momentos, coragem. E se o treinador não pede reforços, que tenha pelo menos a coragem de enfrentar estes jogos grandes com a vontade de os vencer. É o mínimo que lhe exigimos.

Ídolos de infância (I)

Decidi começar a revelar a todos os seguidores do Pobo os meus ídolos de infância e adolescência. Aqueles jogadores que deixaram marca indelével na minha memória e que recordo com saudade. Esta é uma viagem ao tempo em que imitávamos os nossos ídolos na escola. Exorto também o meu amigo pôncio a revelar-nos periodicamente também os seus ídolos. E todos os visitantes do blogue estão, evidentemente, convidados a deixarem aqui as suas impressões sobre estes jogadores.

Começo então por um dos meus maiores ídolos de quando era chabalo. O homem das pernas ultra-arqueadas (como um jogador decente deve ter). O mais latino dos alemães que vi jogar: Pierre Litbarski.

O caso de Hulk e Sapunaru

Hulk e Sapunaru correm o risco de não jogar mais esta época (ou até mais…) pelas já noticiadas agressões a seguranças no túnel da Luz. Do ponto de vista desportivo, se o romeno não é grande perda, já a ausência do brasileiro, não sendo dramática, é preocupante.

Sabemos que o jogador profissional de futebol deve saber ignorar todo o tipo de provocações e insultos de que é alvo, dentro e fora do campo. A maioria consegue e são os Cantonas deste mundo que nos vêm lembrar que um homem não é de ferro. Mas também devem ser criadas as condições ao jogador para que ele consiga ser “imune” a tudo isso.

No túnel da Luz aconteceu precisamente o contrário. Foram lá colocadas determinadas pessoas, com um determinado objectivo, para obterem um determinado resultado. Como ninguém acredita que dois jogadores de futebol desatem a agredir seguranças, num túnel, apenas por desporto, é absolutamente necessário saber:

1. o que faziam aqueles elementos no túnel, quando não tinham, à luz dos regulamentos, autorização para ali estarem.
2. o que disseram ou fizeram aos jogadores em causa que os levou a perderem a cabeça.

O facto de Hulk estar envolvido não espanta. Se a coisa foi premeditada, como acredito, o alvo só podia ser o nosso jogador mais imprevisível, mais decisivo, mas, ao mesmo tempo, aquele que por vezes se mostra mais frágil do ponto de vista psicológico.

Este caso confirma o túnel como uma nova arma na guerra em que o nosso futebol se tornou. E um clube parece estar a dar-se muito bem na forma como a utiliza.

Um passo atrás

Em primeiro lugar, uma mensagem para a lampionagem que buzina nas ruas: uma vitória sobre o FC Porto sabe sempre bem, sim senhor, mas o campeonato só acaba em Maio.

Jesualdo disse durante a semana que sabia que o Ramires ia jogar. A aparente segurança que mostrou sobre a forma como o adversário estava a preparar o jogo foi ela própria um bluff. Jesualdo, pelos vistos, não sabia nada. O que eu queria era que ele soubesse pôr a equipa a ganhar na Luz. E não soube. A chamada de Guarín pode ser criticada, mas o que mais me custou foi ver a forma como a equipa não conseguiu construir jogo ofensivo. A colocação de Guarín em campo revelou a preocupação de Jesualdo com o estado pesado do terreno, mas o colombiano passou pela Luz, como diz o Bruno Prata, como um “peixe fora de água”. E foi Jesus quem menos se preocupou com o estado do terreno e até colocou em campo jogadores que tratam bem a bola.

Para mim, a chave do sucesso do Benfica esteve na forma como defendeu. E, neste particular, como soube anular a acção de Falcao, quando este procurava receber em condições e fazer tabelas com médios vindos de trás. Nunca conseguiu. Os defesas adversários não deixaram respirar os nossos jogadores – David Luiz fez provavelmente o seu melhor jogo desde que está em Portugal – e nós nunca encontrámos o antídoto para fugir a essas marcações.

Em contraste com essa nossa incapacidade de fazer circular a bola, o Benfica fê-lo em algumas ocasiões, pelos menos mais do que nós, dada a mobilidade dos seus jogadores. Os nossos foram muitos estáticos e foram sempre surpreendidos por antecipação. É certo que nenhuma das equipas fez um bom jogo, mas, no final, fica a ideia que o Benfica foi melhor. E aproveitou a única oportunidade que teve.

Individualmente, no FC Porto, talvez Rodriguez tenha sido o melhor, num jogo em que é difícil destacar alguém que tenha jogado bem. Pela negativa, custa-me muito ver e admitir o eclipse de Hulk, um jogador que tem de crescer muito, principalmente do ponto de vista psicológico, se quiser valer, vá lá, metade da cláusula de rescisão que o seu contrato tem.

PS – Não falei do árbitro, que não viu o fora-de-jogo na jogada que precede o golo, não marcou um penalti de César Peixoto sobre Hulk, ainda na primeira parte, para além de ter sido permissivo com a dureza encarnada. Mas quando jogamos assim, dá pouca vontade de reclamar seja do que for. E, sim, o Rodríguez também fez penalti.

Botação encerrada

1. Vitória razoavelzinha do FCP (com expulsão do David Luiz) – 31%
2. Vitória expressiva do FCP (com expulsão do David Luiz) – 28%
3. Não vai haver jogo por causa do relvado – 17%
4. Vitória à rasquinha do FCP (com expulsão do David Luiz) – 14%
5. Qualquer outro resultado (com expulsão do David Luiz) – 9%

141 votos. A confiança está em alta. Agora é uma questão de o Jesualdo não inventar, o Lucílio não inclinar o campo e nós, como dizia o outro, “sermos iguais a nós próprios”. Força, tetracampeão.