Nos entretantos

Enquanto não apresentamos novidades sobre os Prémios Morcão Douro, o mundo pula e avança, nem que seja com insultos aos transmontanos feitos há 6 anos (?!) num obscuro programa de TV pelo senhor que um dia se fez fotografar nu, apenas com um disco de ouro a ocultar as “partes”.

O que avançou: ganhamos finalmente alguma coisa de significativo ao Benfica (sim, para lá do título da 2.ª Liga) – o basquetebol.

O que, a confirmar-se, me parece não ser um avanço: a ideia do Pai (Pinto da Costa), do filho (Alexandre) e do Espírito Santo (Nuno). Ou muito me engano, ou vem por aí uma camioneta de jogadores do Mendes…

 

Morcão Douro “Azelha do ano 2016”

É a distinção mais (in)desejada. A mais involuntária (nem sempre, como compreenderão pela lista de nomeados…). Aquele galardão que distingue os que deveriam ter escolhido outra profissão ou simplesmente ficado em casa no sofá naquele dia, naquele momento.

Dos bloppers mais incríveis e episódicos, às asneiradas mais usuais e recorrentes, esta época foi fértil em azelhices no mundo do Dragão  (e, rigorosamente, até ao seu fim…). O prémio “Morcão Douro – Azelha do ano” hoje atribuído reflecte a riqueza e espectacularidade dos mais trengos, dos mais tropegos, dos que não sabem simular, dos que não sabem decidir, dos que insistem no erro, dos que não sabem assumir e dos que não conseguem disfarçar que o fizeram de propósito. Não incluímos o Marega, que revelou muito potencial para a distinção mas teve poucas oportunidades de o mostrar com as nossas cores. E, excepcionalmente, deixaremos o Guerra fora dos candidatos neste galardão.

Os nomeados:

Hector Herrera

Não existe jogador na história recente do FCP que me tenha alimentado simultaneamente doses equivalentes de desespero e esperança. Existiu um caso similar, chamado Tomás Costa (médio argentino que chegou com boas indicações e partiu sem ruído para ninguém mais se lembrar dele), mas durou pouco tempo. Herrera é voluntarioso, tem momentos de verdadeiro génio, marca golos, puxa ocasionalmente a equipa para frente (como no jogo da Luz), mas esconde-se em campo com frequência e desaparece dos jogos (ou até do onze) com a mesma facilidade. Mas o que verdadeiramente nos coloca os cabelos de pé são as más decisões, os passes errados, as perdas de bola infantis, tudo isto agravado pela expressão aparvalhada de um rosto no qual as orelhas foram mal aparafusadas à nascença.

Ivan Marcano

Este espanhol era suposto ser o nosso mais experiente central, o que tinha mais jogos nas pernas, o que tinha passado por campeonatos diferentes (Espanha, Grécia e Rússia), o que  estaria preparado para tudo. Ninguém esperaria que um jogador de topo do país de nuestros hermanos escolhesse o campeonato português para fazer carreira e não era certamente essa a expectativa criada com a contratação deste Marcano. Mas, por outro lado, também ninguém contava que o seu lado “Ivan, o terrível“, fosse de facto tão terrível. Para suportar a “candidatura” de Marcano a este prémio nem é necessário recuar ao início da época e elencar os autogolos, passes de risco e bolas perdidas em locais proibidos –  basta olhar para o que aconteceu no dia 22 de maio, no Estádio Nacional. No primeiro golo do Braga partilha as culpas com Chidozie e com Helton; no segundo, o “mérito” da azelhice é todo dele e daquela falha ao nível de um jogador sofrível do campeonato nacional de seniores.

Maicon

Na sua sétima época de azul e branco, já poucos acreditariam naquela comparação benevolente que alguns, incluindo eu, fizeram com o percurso de Pepe: que a sucessão de pequenas grandes paragens cerebrais em momentos capitais dos jogos daria lugar a actuações sem mácula, a uma afirmação de maturidade e classe mundial no centro da defesa. Resumindo, que a lagarta se transformaria em borboleta e que, depois de nos dar um par de anos de qualidade, sairia para um colosso europeu por mais de 20 milhões de euros. Pois bem, nem uma coisa nem outra. O homem teve os seus momentos, golos decisivos e manifestações de garra acima da média, que borrava regularmente com excessos de confiança na defesa, simulações parvas, tentativas de sair em estilo que acabavam mal e muitas lesões. O trágico-cómico episódio do jogo com o Arouca ,que conduziu ao ocaso da sua carreira no Porto, é uma linda versão resumida da personalidade, profissionalismo e talento deste senhor.

Julen Lopetegui/José Peseiro

Já tive oportunidade de sublinhar o quanto duvido das capacidades tácticas e de liderança de Lopetegui. De como me aborreceu o seu futebol feito de passes na retaguarda e de como me irritou a incapacidade de encontrar soluções (que existiam, algumas, como ficou demonstrado) para posições chave da equipa. O outro lado negro de Lopetegui foi também a sua obsessão com a rotatividade, que impediu a criação de um onze base antes de Dezembro, nas duas épocas em que esteve à frente da equipa. Quanto a Peseiro, a sua inabilidade manifestou-se desde logo na forma como aceitou a missão de treinar o Porto: conhecidas que eram as lacunas do plantel, “engoliu” Marega, Suk e José Sá, que foram as soluções que a administração lhe deu, e não piou. É verdade que a equipa estava já em pronunciada queda, mas os resultados acabaram por ser estatisticamente mais fracos do que o seu antecessor, com o triste sublinhado do seu percurso ter acabado (espero) com a perda da Taça de Portugal. Peseiro tem como mérito a aposta sistemática em André Silva (depois de ter insistido em Suk e até em Marega) e a recuperação de Herrera, mas para lá da vitória arrancada a ferros na Luz (muito por mérito de Casillas), sobram derrotas humilhantes e exibições inenarráveis como a do jogo com o Tondela

PdC e Administração da SAD do FCP

3 anos sem ganhar nada de significativo seriam motivo para a eleição. E apesar do prémio respeitar à época que agora terminou, é impossível ficar indiferente ao mérito colectivo e à consistência da actuação que motiva esta nomeação, a qual vem premiar 3 longas épocas de desmandos, contratações falhadas, negócios estranhos e entrevistas ainda mais bizarras do PdC (aquela no Porto Canal em que ele refere que “agora é que vai ser” é brilhante porque, por momentos, acreditei ter existido outro presidente do clube/SAD nas últimas décadas). Ponto alto a assinalar, ainda que não o único ou o mais representativo, foram as contratações do mercado de Inverno. A equipa falhava na defesa, as lesões limitavam a escolha  e o Maicon tinha sido despachado, pelo que era urgente arranjar um central; adicionalmente, o meio campo necessitava de um criativo, que marcasse golos e rompesse a modorra táctica, isto é, impunha-se o recrutamento de um médio de ataque. Com estas duas prioridades, um central e um médio, o que é que a SAD faz? Contrata um jovem guarda-redes (para a equipa B…), um desengonçado avançado do Mali para as alas e, por fim, um ponta de lança sul coreano de 24 anos, muito esforçado mas mediano… O equivalente ao desempenho do Marcano na final da taça – quando estávamos perto do golo do empate, o espanhol decidiu que com 2 golos de diferença seria mais emocionante a “remontada”… Tudo em (triste) sintonia no reino do Dragão.

E o “Morcão Douro – Azelha do ano” de 2016 vai para…

 

pinto e antero

PdC e administração da SAD do FCP

Nenhum jogador ou treinador pode ser culpado da totalidade das asneiras cometidas nesta e nas duas épocas precedentes. A culpa só pode ser de quem manda, de quem os escolheu, de quem os manteve nesses lugares, de quem tentou depois desviar as atenções para actores menores ou para arbitragens. A culpa é de quem esteve calado durante muito tempo e só apareceu para falar que “agora” iria ser diferente ou que confiou “demasiado” em X ou Y. Um líder é aquele que dá a cara pelas derrotas e não se esconde, excepto para dar o palco mediático aos jogadores e equipa técnica em caso de vitória. Um verdadeiro líder não se eterniza – sabe sair no momento certo. A SAD de Pinto da Costa foi o oposto de tudo isto. E muito dificilmente será diferente no futuro.

 

Gelsenkirchen, 26 de maio de 2004

Há dias assim. 1 ano depois de ter inundado Sevilha e batido os fervorosos escoceses do Celtic na final da então taça UEFA (num jogo muito mais emocionante do que esta final da Champions), o Porto de Mourinho, com Deco, Baía e Ricardo Carvalho, bateu o Mónaco de Morientes, Evra, Giuly e Adebayor. Partilharam o relvado estes e outros grandes jogadores, que se tornariam ainda maiores ao longo das suas bem sucedidas carreiras.

Do lado português, para lá dos Ricardos (o Carvalho, no Mónaco e o Costa, no Paok), creio que nenhum outro jogador está em atividade (alguns são atualmente treinadores); do lado adversário, Evra actuou esta época pela Juventus e Adebayor jogou pelo Crystal Palace.

O nosso percurso até esta final foi complicado, especialmente a sua fase de Grupos (na qual enfrentamos o Real Madrid, o Olympique de Marseille e o FK Partizan) e a eliminatória com Manchester United , aquela que fez Mourinho correr como um louco em Old Trafford, na comemoração do golo salvador do Costinha. Depois batemos o Lyon (ainda em ascensão, antes da recente queda) e o favorito Deportivo da Corunha (no seu auge, quando disputava o título espanhol).

O Mónaco teve igualmente um percurso difícil mas espetacular, tendo enfrentado um Grupo onde constavam o PSV, o AEK de Atenas e o Deportivo da Corunha, que goleou por um contundente 8-3 no Principado. Sobreviveu a este grupo para eliminar depois o Spartak de Moscovo, o Real Madrid de Ronaldo (o “fenómeno“), Raul Gonzalez, Zidane, Figo, Roberto Carlos e Beckham e, finalmente, o já então “Chelsky”, de Ranieri (sim, o mesmo que acabou de vencer a Liga Inglesa com o Leicester).

A final improvável juntou então duas equipas que nunca tinham sido olhadas como potenciais vencedores. Mas a vitória dos nossos na final foi clara e é ainda o maior feito futebolístico nacional deste século ao nível de clubes.

Esta é a ficha de jogo oficial:

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Morcão Douro: “Irritação do ano 2016”

Este prémio deve ter sido o mais concorrido. O galardão que mais nos fez excluir “bons” candidatos e boas situações, tal é a riqueza de gente parva com excesso de tempo de antena, acontecimentos bizarramente noticiados até à náusea, comportamentos obsessivos em campo e fora dele, gente com uma linguagem supostamente portuguesa que não está de acordo com o Acordo Ortográfico nem com a antiga grafia, em suma, coisas chatas que nem um monge do Tibete surdo e mudo conseguiria suportar.

Deixamos de fora o Antero Henriques, o Octávio Machado, o Bruno de Carvalho, os adeptos do Porto que assobiam a equipa, o José Ángel e mais uma dúzia de gajos chatos, que apesar de reunirem todas as condições para serem nomeados foram batidos pelo peso da irritação causada pelos ilustres escolhidos.

Os nomeados:

Yacine Brahimi

De “Maradona argelino” a “Brinca na areia do Magrebe” vai um passinho muito curto e nosso “virtuoso” deu esse passo montanhas de vezes. Todos os portistas, treinadores adversários e defesas direitos de todas as equipas que enfrentamos sabem de cor a jogada (sim, é só uma) do Brahimi: recebe de costas, ignora o bem intencionado mexicano que passa a correr junto à linha como se entre os dois estivesse o muro que o Trump quer construir, roda para a direita, roda para a esquerda, finge que dá no meio (mas era só para entreter) puxa para a linha de fundo, simula que vai para dentro mas finta para fora, 5% das vezes consegue ultrapassar o defesa, e em 90% dessas cruza a bola para as mãos do guarda-redes. Por fim, faz um ar de calimero e fica a defender o contra ataque adversário com o olhar. Voilá: 33 jogos no campeonato, 5 ou 6 vezes por jogo resulta num truque tentado quase duzentas vezes – é preciso ser muito camelo como jogador e e ter um distraído amnésico como treinador para ir na onda do Yacine e deixá-lo passar.

Renato Sanches

O rapaz é porventura o menos culpado disto. Mas transformou-se numa figura insuportável, não tanto pelo que fez em campo (que nunca justificou a histeria em torno das suas competências futebolísticas) mas pela mediatização aparvalhada de todos os seus atos: Renato Sanches visita os amigos delinquentes no Águias da Mugueira, Renato Sanches bebe um café numa chávena mal lavada num boteco da Damaia, Renato Sanches corta uma trança para salvar uma criança com caspa, Renato Sanches mete o dedo no nariz, Renato Sanches tira o dedo do nariz, vale 40 milhões, 50 milhões, 80 milhões, mais do que o Messi e o Ronaldo juntos. Ainda bem que se vai embora neste verão: se ele não imigrasse, imigrava eu.

Jorge Jesus

JJ é um ódio de estimação antigo. Não existe treinador português mais desprezível e, simultaneamente competente como este senhor. Não sei o que nos perturba mais: se aquela forma indescritível de falar português (?!?), a forma hilariante como pronuncia os nomes das equipas estrangeiras (o Unáite, ah, o Unáite…), ou as tiradas megalómanas auto elogiosas sobre futebol. Tudo de bom que aconteceu ou acontecerá com as equipas por onde passou é seu mérito, todos copiam o seu génio incomparável. Creio que a razão pela qual os Bayerns e os Barcelonas deste mundo não “pegaram” nele é a incerteza sobre o número de espécies em vias de extinção que habitam naquela indescritível cabeleira.

Julen Lopetegui

Um ano e meio para demonstrar que não merecia a oportunidade que lhe foi dada: uma coisa é treinar uma seleção jovem, cheia de jogadores de topo, outra é gerir uma equipa de futebol de um clube, gerir as pequenas e grandes coisas, os egos, as pressões e, já agora, ter uma ideia clara sobre a melhor forma de a organizar em função dos jogadores disponíveis. O basco nunca percebeu a dimensão do desafio, a responsabilidade que tinha nas mãos e preferiu rodear-se de jogadores da sua preferência, sem resultados práticos significativos. Falhou sempre nos momentos decisivos mas manteve a postura de injustiça, de vítima das circunstâncias, mesmo depois de abandonar o Dragão. Fica na memória a derrota em Munique, o empate na Luz (num jogo em que era imperioso tentar ganhar), meses daquele futebol pastoso feito de passes entre a linha defensiva, e a montanha de vezes que perdemos a bola nessa área do campo, com as consequências que são conhecidas.

Pedro Guerra

Já vos falei da montanha de provas sobre tudo e sobre nada? Dos dossiers e dos recortes? E da profunda experiência futebolística como praticante que refere sempre que algum adversário de conversa o põe em causa? O homem jogou no Damaiense, o que lhe confere a autoridade de quem marcou presença nas mais importantes provas do calendário futebolístico internacional… Estamos a falar do homem que foi arquivista, jornalista, assessor do ministro da defesa, assessor do grupo parlamentar do CDS, diretor da BTV, comentador da CM-TV e também da TVi. Serve para tudo e para nada. Mas o mais fascinante é imaginar o Jabba the Hutt benficóide num relvado… Resumindo: mais nojento e arrogante do que o Cervan, mais emproado e desprezível que o Gomes da Silva, ainda mais balofo e e sectário do que o Gobern. Nem alguns benquistas o suportam.

E o “Morcão Douro – Irritação do ano” de 2016 vai para…

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Pedro Guerra

Imbatível, unanime, asqueroso, criador da mais suprema repulsa. Guerra chegou, falou, irritou e arrasou. O Renato Sanches era um candidato muito forte, o Brahimi fez o possível para ser o eleito e o Jesus manteve viva a chama de vencer um troféu que persegue há tantos anos (mesmo antes de ter sido criado…). Mas o Guerra e os seus 300 quilos de banha impuseram-se. Parabéns (uhg!).

 

Morcão Douro: “Revelação do ano 2016”

Começando pelo menos mau. Ou pelo mais irritante. Ou pela única coisa boa de um ano desportivamente para esquecer: o prémio “Revelação do ano”. Foi renhido, foi polémico, foi uma dor de cabeça encaixar 3 benfiquistas nos nomeados (mas foi só para dar o ar que somos tão isentos como o Vítor Pereira a nomear árbitros). Foi aquilo que calhou. Mas acabou tudo bem (dentro do possível para estes tempos conturbados…).

Os nomeados:

André Silva

Foi um raio de sol no final de um temporal medonho. Ou melhor, depois do raio de sol ainda choveu mais, ficou tudo alagado. Um talento que se adivinhava mas que foi comprovado por 14 golos no Porto B e por 2 golos marcados na final da taça. Lopetegui ignorou-o e a administração do Porto também (caso contrário, para que foram buscar o Suk e o Marega?!). Mas José “Pé Frio” Peseiro deu-lhe as oportunidades que merecia e ele retribuiu. 25 milhões de euros de cláusula de rescisão começam a parecer pouco dinheiro para tanto talento. A dúvida que resta é esta: será que o próximo treinador e os responsáveis do clube abdicarão de ir em busca de um nome sonante para o ataque para que o André confirme que é a solução para o lugar?

Renato Sanches

O verdadeiro trator do meio campo benfiquista na fase em que a equipa se tornou imparável. Um golo monumental marcado no seu primeiro jogo pela equipa principal, muita personalidade, cotovelos afiados, vacinado contra cartões amarelos e destaque permanente n’A Bola e no Record. Anunciado por 80 milhões, perseguido por todos os clubes do mundo e alguns de Marte, vai jogar no Bayern por 35 milhões de euros e mais uma carrada de condições improváveis. Tanta algazarra valeu-lhe também um lugar na selecção. Ninguém se lembrou das 300 ocasiões em que perdeu a bola estupidamente nem do facto de ter tentado repetir o golo da estreia 2000 mil vezes… o médio goleador, afinal, marcou apenas 2 golos em 24 jogos. É um produto da histeria benfiquista. Mas deu dinheiro.

Diogo Jota

O Benfica quis comprá-lo. Gostei do que vi, apesar do físico ser escasso para batalhas mais duras e de lhe faltar coragem para meter o pé. O Atlético de Madrid acabou por comprá-lo e vai encostá-lo num clube qualquer de segunda linha, onde possa jogar com frequência e crescer. Teria mais chances de sucesso se ficasse em Portugal. Ou talvez não – não é brasileiro, nem croata, nem espanhol, pelo que nunca teve imprensa à altura do seu desempenho. O facto de jogar no Paços de Ferreira nunca lhe proporcionou um palco nem desafios à escala do seu potencial. Mas tem o mérito de se destacar num contexto tão pouco propício.

Ederson

Foi o guarda-redes que o Benfica necessitava no momento em que o Benfica necessitou. Não se falou muito do mérito deste brasileiro e do seu enorme contributo para o(s) título(s) do Benfica 2015/16, mas a verdade é que entrou na equipa devido a uma lesão da vaca sagrada que o SLB foi buscar ao exílio desportivo norte-americano e ninguém notou qualquer insegurança, qualquer receio. Zero frangos. Muitas intervenções decisivas. Nunca notei nada de especial no período em que esteve no Rio Ave mas este brasileiro é tão bom que custa a entender o porquê dos vermelhos renovarem o contrato ao Júlio César.

Pedro Guerra

O homem que veio das catacumbas do jornalismo lampiónico para nos deslumbrar com o seu profundo conhecimento de bola, as suas resmas de papel e anexos, a sua argumentação cintilante, a elegância de uma figura com 180% de massa gorda e 20% de massa fétida. Concorre neste particular com outro potencial anoréctico, o seu amigo João Gobern. O único benfiquista capaz de nos fazer esquecer o quanto desprezamos o Sílvio Cervan e o Rui Gomes da Silva. Inevitavelmente, teria que constar em qualquer lista de nomeados para qualquer coisa minimamente relacionada com futebol.

E o “Morcão Douro – Revelação do Ano” de 2016 vai para…

andre silva agradece

André Silva

Claro. Só podia. Depois de um ano a aturar o Renato, as tranças, as 465 vezes que mostraram o golo que marcou ao Vitória em Guimarães, os milhares de noticias nos jornais, capas de revistas, a reportagem SportTV, a visita ao gueto onde nasceu e mais o $%#&%$ que o carregue, estavam à espera que um blogue isento e asseado como este escolhesse quem, o Guerra?!

 

Morcões Douro 2016

O Pobo do Norte sempre teve a legítima ambição de ter uma gala com gente apinocada, vestidos de encher o olho, gajas giras, gajas não tão giras, tipos de lacinho e outras espécies raras. Estão a imaginar os Globos de Ouro da SIC? Pois bem, os “Morcões Douro” são isso mas em bonito e com pronúncia do norte.

Para começar, elencamos as “categorias” dos “Morcões Douro”, que é para irem fazendo as vossas sugestões/nomeações nas caixa de comentários:

  • Prémio “Revelação do ano
  • Prémio “Gajo sobrevalorizado do ano
  • Prémio “Irritação do ano
  • Prémio “Melga do ano
  • Prémio “Azelha do ano
  • Prémio “Roubo de igreja do ano”
  • Prémio “Vitória do ano”
  • Prémio “Derrota do ano”
  • Prémio “Empate do ano”
  • Prémio “Jogador do ano – FCP”
  • Prémio “Jogador do ano – nacional”
  • Prémio “Jogador do ano – internacional”
  • Prémio “Treinador do ano – FCP”
  • Prémio “Treinador do ano – nacional”
  • Prémio “Treinador do ano – internacional”
  • Prémio “Equipa do ano – FCP”
  • Prémio “Equipa do ano – nacional”
  • Prémio ” Equipa do ano – internacional”
  • Prémio “Programa de desporto do ano”
  • Prémio “Dirigente desportivo, agente, trapaceiro ou as 3 coisas juntas do ano”
  • Prémio “Carreira, já não te posso aturar”
  • Prémio “Morcão Douro do ano”

Estas categorias foram cuidadosamente definidas depois de poucas horas de sono e algum álcool, pelo que traduzem aquele supremo rigor, isenção e exaustividade no tratamento das questões desportivas a que vos habituamos ao longo dos anos. O rigor é tanto que o mais provável é que surja mais uma dúzia entretanto e algumas distinções (?!) nem sejam atribuídas. Mas se acharem que falta alguma coisa e quiserem sugerir novos prémos, por favor, façam-no -prometemos não atirar as vossas ideias para o caixote do lixo… imediatamente.

Nos próximos dias, semanas, porventura meses ou, para ser mais concreto, quando calhar, apresentaremos os nomeados de cada prémio e o feliz vencedor. A malta dos Oscares já treme.

“Querido, mudei a casa”

Está feito. O último post da 3. ª iteração do Pobo do Norte foi publicado esta noite. Chama-se “Mudar” E diz assim:

“Este blog tem vivido do entusiasmo: o nosso, o vosso, mas sobretudo do entusiasmo e da paixão partilhados pelo clube. Porém, como em todas as relações na vida, é necessário reciprocidade. E quem manda no nosso clube, quem toma as decisões dentro e fora do campo, fez pouco ou nada para manter essa chama viva. Ou fez o inverso do que as circunstâncias exigiam. E exigem.

Ao longo dos últimos tempos e, especialmente, ao longo das últimas 3 épocas, o ritmo das publicações foi diminuindo, em claro paralelo com a falta de chama, qualidade, entrega e, fatalmente, resultados desportivos do nosso Porto. Tal como as assistências no estádio, porque muito mais do que as vitórias, o que guia um adepto, o que o motiva a sair do sofá para ir apanhar frio ao estádio numa qualquer noite de outono ou inverno, é a certeza de lutar por algo, de não quebrar.

Connosco tem-se passado o mesmo – não foram todos os compromissos pessoais ou o desgaste do tempo que nos fizeram deixar de escrever com a mesma assiduidade. Foi o desgaste de dizer as mesmas coisas sobre os mesmos erros, sobre as mesmas negociatas, sobre os mesmos protagonistas, sobre aquilo que inevitavelmente só poderia ter o mesmo resultado – o empobrecimento desportivo, financeiro e institucional do clube.

Ao mesmo tempo, mais a sul, levado ou não pela mão invisível da arbitragem, o nosso maior rival transformou-se naquilo que fomos durante 2 décadas: um clube que ganha consistentemente, que valoriza jogadores, que mobiliza os seus adeptos, que se consolida porque soube mudar (tenha ou não sido obrigado a isso por condições externas), porque passou a ter equipas guerreiras, jogadores da casa e outros que da casa se tornaram.

No FCP aconteceu tudo ao contrário. A clique que tem o poder aburguesou-se ainda mais, as apostas em treinadores e jogadores foram sendo falhadas, o clube tornou-se um entreposto de futebolistas onde os atletas formados nas camadas jovens poucas ou nenhumas oportunidades tiveram de mostrar o seu valor. Sobrou muito pouco do que fomos e aqueles que têm qualidade para jogar com esta camisola nunca ficaram por cá mais do que um ano ou dois.

O resultado são três anos de profunda depressão. Um recuo considerável no estatuto do clube. A perda de uma grandeza que custou décadas a conquistar. O que me leva a crer que as pessoas que nos trouxeram até aqui, que conduziram o clube ao reiterado sucesso, são as mesmas que o arrastaram para este estado lastimoso, e que muito dificilmente serão capazes de inverter o rumo. Necessitamos de mudanças no clube, de mais realismo, de mais honestidade, de mais transparência. E de deixarmos de acreditar que todos os sucessos são atribuíveis ao Presidente mas que tudo o que é mau lhe é alheio. PdC é tão virtuoso quanto culpado. E, presentemente, o seu maior defeito é não saber que existe um momento para dar lugar a outros, que ninguém é eterno e que as mesmas fórmulas não produzirão forçosamente bons resultados num tempo diferente, num contexto mais complexo.

Pela nossa parte, pretendemos mudar também. Vamos mudar-nos para o WordPress, retomar a publicação regular de noticias, comentários, análises ou simples graçolas sobre a vida clubista e sobre o nosso Porto. Este é o último texto que será escrito nesta terceira iteração do Pobo do Norte. infelizmente, a segunda já não está acessível. Mas tudo o que foi publicado aqui poderá futuramente ser consultado em pobodonorte.wordpress.com e, assim que concluirmos a transição, em pobodonorte.com.

Renovamos a paixão porque acreditamos que o clube é muito mais do que algumas pessoas que passam por ele, sejam elas jogadores ou dirigentes. Renovamos o Pobo do Norte porque um adepto só mostra efetivamente que é um adepto quando apesar de todas as desilusões, de todas as vezes que a bola não entra, que o golo nos escapa, que o tempo de recuperar se esgota, que o fantasma das derrotas surge, é capaz de estar lá, de gritar, de puxar pela equipa e de, contra todas as probabilidades, acreditar. O Pobo do Norte é o nosso pequeno contributo para essa fé.”