Bloqueados

A notícia não deveria ser o silêncio. A notícia deveria ser a imposição do silêncio. A notícia não deveria ser o blackout das claques, que têm o direito de o fazer, mas deveria ser a tentativa de calar, recorrendo aqui e ali à ameaça, aqueles que, espontaneamente, decidiram cantar “allez, porto allez, nós somos a tua voz“. Isso é que devia ser notícia.

São papoilas assaltantes

A PSP achou que aquele tipo de modelo de festa podia não correr bem. A PSP talvez perceba destas coisas de ajuntamentos de milhares de pessoas na rua, digo eu, mas aos coisinhos ninguém manda dizer como se deve fazer. Eles querem, eles fazem. O resto que se lixe. A polícia que se entretenha a apanhar os cacos. E a levar com eles. Foi o que aconteceu.
Como se não bastasse ignorarem as orientações das forças policiais, ainda quiseram fazer deles os bombos da festa, projetando em ecrã gigante a agressão do adepto em Guimarães às mãos de um polícia tresloucado. Olha que ideia brilhante! ‘Bora lá transformar esta praça numa batalha campal e tornar verdadeiramente memoráveis estes festejos.
Já que se fala em momentos edificantes, podiam ter transmitido também os adeptos que foram às compras após o jogo de Guimarães mas não encontraram a caixa registadora para pagar. Em tempos de crise, era serviço público.

Herrera

Eu juro que fiz um esforço para gostar do Herrera. Quando ele chegou, em 2013/2014, dei-lhe o benefício da dúvida: primeiro ano num grande clube europeu, adaptação difícil a um futebol rápido e inserção numa equipa muito limitada que tinha Josués e Licás a titulares, alternativas como Defour ou Carlos Eduardo, e viu sair, ainda decorria o campeonato, o seu líder, Lucho González. Pensava eu, na altura, e por certo muitos portistas também, que este mexicano ao qual se reconheciam, e reconhecem, atributos técnicos acima da média, se fosse inserido numa equipa de classe superior, poderia revelar-se o jogador capaz de valer os 8 milhões que demos por 80% do passe.
Depois veio o Mundial e ficámos com água na boca. A seleção mexicana teve uma boa prestação e o nosso médio foi um dos protagonistas. Todos pensámos que a segunda época – acontece com tantos jogadores – é que ia revelar o grande talento mexicano. Reconheço que Herrera evoluiu da primeira para a segunda época, fez jogos bons, teve momentos de classe, mas nunca teve aquela constância que caracteriza os eleitos. Fez um campeonato razoável, o que, no FC Porto, não chega. E se da primeira para a segunda época depositei esperança na sua evolução, neste momento acho que não vai dar mais do que aquilo. E aquilo que dá é manifestamente pouco. Herrera nunca será aquele jogador de que um dia nos vamos lembrar com saudade. Nunca será um Alenitchev ou um Emerson, por exemplo. Teve a sua hipótese no jogo do Dragão contra o clube do manto protetor, mas falhou completamente o remate numa zona privilegiada para fazer o golo (e, quem sabe, mudar a história deste campeonato). Não me lembro, em todo o ano, de um rasgo genial, de um momento em que tivesse feito a diferença. Talvez dê um ótimo suplente na próxima época, ele que tem contrato até 2017. Quem sabe?

Não merecemos nada

Depois de passar a semana a dizer que a equipa sabia o que tinha de fazer em Belém, que os jogadores estavam focados em continuar na luta pelo título, o que é que acontece hoje? Talvez e só a pior exibição da época. Ou, pelo menos, uma das que figuram certamente no grupo das piores. Alguém enganou Lopetegui. Ou ele é que nos enganou, a todos nós, adeptos. Porque não se admite aquela postura em campo, não se compreende tanta apatia e azelhice ao mesmo tempo. Se o clube do manto protetor ainda estivesse a ganhar 3, 4 a zero, com as coisas já decididas em termos de título, talvez fosse compreensível algum desânimo à medida que o jogo fosse avançando. Mas, pelos vistos, nem o facto de haver 0-0 em Guimarães os fez comer a relva. Acabámos por lhes entregar o campeonato numa bandeja de prata quando tínhamos tudo para os fazer sofrer até à última.

Coisas que se entranham

Eu e um amigo meu temos por hábito referirmo-nos ao clube do manto protetor como “os cães“. É já um epíteto com muitos anos e, atenção, nada tem de menosprezo por essa maravilhosa espécie animal. Aliás todos temos a nossa maneira especial de nos referirmos aos nossos rivais futebolísticos. Falando especificamente dos coisinhos – cá está, aqui no Pobo adotámos esta singela designação – falando neles, dizia eu, há quem se refira a eles como “benfas“, “bermelhos” ou, voltando ao mundo animal, as “galinhas“, entre outros. Nas conversas com o meu amigo, isto já sai naturalmente. “Viste o golo em fora-de-jogo dos cães?” ou “Os cães mais uma vez foram levados ao colo” ou “Sabias que a boazona da Nuria Madruga é adepta dos cães?” são frases que povoam as nossas conversas. Todo este paleio para chegar ao jornalista da TVI, o Pedro Pinto, que teve, mais uma vez, aquele “deslize”. O que é compreensível. Se eu ou o meu amigo fôssemos apresentadores televisivos, seria natural deixarmos escapar em direto e ao vivo o tal epíteto com que carinhosamente os tratamos. São coisas que se entranham com o uso.

Um comentário

Já o fizemos no passado. Colocar em publicação um dos muitos comentários – excelentes, como é normal – de um dos nossos leitores. Este que vamos publicar hoje está no post anterior a este. Uma reflexão a todos os títulos pertinente que todos os portistas devem fazer. O nosso agradecimento ao MT.
“Infelizmente, problemas familiares graves subalternizaram a bola, e não vi nem o infame 6-1 com o Bayer nem o incipiente 0 – 0 com o SLB que está bom de ver arruinou qualquer hipótese de ganhar o campeonato. Está também bom de ver que este artigo é mero wishfull thinking. Não vamos ganhar a ponta de um corno, o que apenas se compara no reinado do Pinto da Costa a uma longínqua época dos anos 70 com o Pedroto a treinador. Estive sempre muito descrente com esta equipa, tendo os jogos com o SCP e o Bayern no Dragão criado uma ilusão de mudança. O banho de realidade com os alemães e os relatos dos abraços na luz quando terminou o jogo voltaram a cimentar em definitivo a minha opinião. Este Porto é uma “mierda” Aprendi a amar este clube, ainda criança nos idos anos 80. O Gomes foi o meu primeiro e talvez único ídolo que o “pecado” da adulação não é coisa que me assista . João Pinto, Jaime Magalhães, André, Madjer, Aloísio, Baía, Domingos, Jorge Costa, Deco, criaram a tal mística que todos recordamos com saudade e que desejamos ingenuamente que volte. Não vai voltar. O mundo mudou. A lei Bosman e entrada em força das corporações financeiras e dos milionários transformaram o futebol num mero negócio submetido aos ditames da UEFA e da FIFA. A Liga dos Campeões (“campeões” onde cabem quartos classificados da Espanha e da Inglaterra….)está feita à medida das grandes Ligas Europeias e apenas algumas equipas com orçamentos colossais de 3, 4 países a vão ganhar doravante. A Taça da Liga é uma competição de equipas de refugo. O Real Madrid não trocaria a Taça do Rei pela Liga Europa…. Neste contexto, o Porto optou por ser um clube que promove jogadores aspirantes a serem vendidos aos tais colossos gerando mais valias financeiras imediatas. O contexto do futebol actual não permite que os planteis durem pelo menos alguns anos. As equipas de Moutinho e Villas Boas foram rapidamente desmontadas. Mesmo jogadores portugueses com qualidade formados no clube não resistem aos apelos dos empresários e ao dinheiro que é aquilo que verdadeiramente interessa numa carreira efémera em que o romantismo finou. O glorioso Benfica fez-se num tempo em que o prémios de jogo eram camisas e garrafas de brandy. Muitos iam para o futebol para terem acesso a uma carreira no sector fabril ou industrial. Os jogadores, mesmo das grandes equipas eram operários. Não eram milionários. Nos anos 70 as coisas começaram a mudar, a profissionalização surgiu em definitivo, mas os clubes de futebol ainda tinham uma identidade nacional e regional muito vincadas. Hoje, com a excepção do Atlético de Bilbau quantos clubes de média/grande dimensão têm maioritariamente jogadores das regiões a que pertencem, ou mesmo do país? Este fenómeno é irreversível e afectou todos os clubes. O FCP soube-se adaptar e conseguiu manter o sucesso desportivo. O Benfica deixou de dar tiros nos pés a imitando a nossa fórmula (investimentos avultados em jogadores de qualidade com a ajuda de fundos de jogadores. Estabilidade directiva e técnica) prepara-se para contrariar em definitivo a nossa hegemonia. Some-se a isso o enfraquecimento do nosso presidente que permitiu que tomassem de assalto os bastidores do futebol e com um apito avermelhado bem grande e ruidoso vão tecendo a sua “influência” sem escutas importunas e chatices com o Ministério Público. Mas se quisermos que as coisas mudem não podemos cair no erro de arranjar culpados para as nossas próprias falhas. Ficarei desgostoso se ouvir falar em arbitragens e “azares” no fim da época. Na minha opinião: 
1 – Mudar a direcção. O Pinto da Costa merece todas as homenagens e nunca se esqueça que o Porto tornou-se o maior clube português depois do 25 de Abril pela devido ao seu trabalho. Mas tudo tem um fim. Está limitado pelos problemas de saúde e quer queiramos quer não pelo processo do Apito Direccionado. Poderia ser criada uma alteração nos estatutos que o colocasse como presidente emérito, como o Real Madrid fez com o Di Stefano. Precisamos de alguém que seja duro e que nos defenda quando não nos respeitam. Precisamos do Pinto da Costa da penhora da retrete das Antas. Mas esse, já não volta.
2 – Os prémios devem ser apenas dados quando há de facto sucesso desportivo. É uma vergonha que se dêem milhares a dirigentes com segundos lugares e apuramentos para fases eliminatórias da Champions. Prémios só com título de campeão Nacional, meias finais da Champions ou Final da Liga Europa. Nem a Taça de Portugal deve dar prémio. Os Caldeiras e Fernandos Gomes da vida andam relaxadinhos porque sabem que chorudo guito vai pingar na conta. Nós, adeptos ou sócios, apenas ficamos com a frustração.
3 – Controlar de novo os activos. Estou completamente farto de ver jogadores em fases cruciais da época dizerem aos jornais que querem sair ou que não estão felizes com isto ou aquilo. Isto não acontecia antigamente. Elucidar implacavelmente os jogadores e os empresários que esse tipo de procedimento é inaceitável. Se violado, equipa B ou no limite expulsão, nem que seja o jogador mais valioso do plantel. Informar também os jogadores que não se trocam abraços e mimos com gente que constantemente nos ataca, odeia e despreza. Ninguém quer violência mas por favor poupem-nos a climas de lua de mel.
4 – Premiar o sucesso quando ele surge. Muita da massa adepta do Porto tornou-se passiva e dolente. O Jesualdo ganhou 3 campeonatos, saiu pela porta pequena sem um agradecimento. O Vítor Pereira com equipas inferiores às do Jesus ganhou dois campeonatos com uma única derrota. Era gozado. Vi adeptos a dizerem que se o Vítor Pereira conseguia ser campeão até um burro podia ser treinador do Porto. Nos últimos dois anos ganhamos uma Super-Taça. Que dizer agora?
5 – Manter o treinador. Será trágico se fizermos do Lopetegui o bode expiatório.”