Um bom 2015

Fui só eu que vi a bola a bater no braço do jogador do Rio Ave antes de ir ao braço do Casemiro? Calma, Luís Freitas Lobo, é preciso dizer tudo. O comentador que se orgulha de não falar de arbitragem apressou-se a ver ali um penalti. Mas faltou-lhe ver o resto. Visão seletiva, se calhar.

(foto gentilemente cedida por J. J. Reis, que a publicou no nosso post do facebook)

Bem, eu até nem ia escrever sobre futebol, mas aquele lance mexeu-me com o sistema nervoso (e eu tenho muito sistema nervoso).

Quero ir ao mais importante, que é desejar um bom ano de 2015 a todos os leitores deste blogue e a todos os que, para além de o lerem, deixam aqui umas palabrinhas na caixa de comentários, particularmente os senhores da seguinte lista, que são dos mais assíduos a comentar. O nosso muito obrigado, sem vocês este blogue não era a mesma coisa.

André Pinto
Miguel Lima
Ribeiro DeepBlue
Marco Teixeira
condor
reine margot
cian
Vítor Guimarães
Netshark
Jorge Vassalo
rbn
Antonio Silva
Azul
Zé Luís
meirelesportuense
Filipe Sá
miguel.ca
littbarski
Rui Rocha
Pentadragão
Armando Pinto
Josef K.
glorigozo 5lb

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Vou-me embora, mamã

Marco fica, Marco sai, Marco fica. O dia de hoje foi particularmente agitado para os lados de Alvalade, tudo por causa de notícias de A Bola e de O Jogo que deram como certa a saída de Marco Silva. A restante comunicação social foi atrás e, de repente, gerou-se o tumulto nas redes sociais, com a maioria dos adeptos lagartais a pedir a cabeça do presidente. Entretanto, Bruno de Carvalho já veio dizer que é descabida qualquer notícia sobre a saída do treinador. Eu acrescentaria… “hoje”, porque a avaliar pelas palavras de José Eduardo, que não é propriamente uma pessoa mal informada dentro do clube, a coisa está para rebentar. Não me admiraria que Bruno de Carvalho tivesse recuado depois da reação dos adeptos a esta notícia. Ele que preza tanto a popularidade e tudo faz para não perder o protagonismo. Aguardemos, que isto está a ser divertido.

Justiça divina

José Nunes, o benfiquista que comenta os jogos de futebol para a Antena 1, acaba de dizer que a vítória do seu clube contra o Gil Vicente foi “inteiramente justa”, isto apesar do “golo em fora de jogo” que lhes deu essa mesma vitória. Em jeito de sentença final, o alegre comentador disse: “O golo em fora de jogo não põe em causa a justiça da vitória do Benfica. Mas põe em causa o trabalho do árbitro.” A isto eu chamo justiça divina. O Benfica tem o direito divino de ganhar. Se é em fora de jogo ou com a mão, isso pouco interessa. O ónus da vergonha recai sobre o árbitro. Nunca sobre o clube beneficiado – quando se chama Benfica, atenção. 
Eu vi grande parte do jogo e achei que o clube do milhafre, mais uma vez, não jogou a ponta dum corno. Mas José Nunes consegue transformar uma exibição pobre, que teve direito a assobios no final, num jogo complicado, “depois de um grande esforço com o Braga” e com o seu clube “desfalcado”. Tudo são desculpas.
O tratamento que o FC Porto tem dos seus jogos não é bem o mesmo. Ainda na sexta, a exibição do FC Porto – que ganhou 4-0 – era apelidada, aos microfones da TSF, pelo Costa Monteiro e o João Ricardo Pateiro, de “paupérrima” e “miserável” e, a todo o momento, referiam-se os assobios que vinham das bancadas. Lembrava-se a derrota com os coisinhos e achava-se que a equipa não superou o trauma. No final, uma vitória por 4-0. Mas uma exibição de fugir! Eu pergunto: e se fossem os coisinhos a dar 4-0? Que se diria? E se tivéssemos nós ganho com um golo em fora-de-jogo?

Injusto, sim.

Concordo, em termos gerais com as declarações de Lopetegui. Fomos superiores. Não diria “muito, muito, muito” superiores, como disse o basco, mas superiores. E as estatísticas provam-no. E o jogo que todos vimos ainda mais. Devemos ver esta derrota, dentro do fenómeno futebolístico como… possível. Daí não poder estar mais de acordo com o treinador quando diz que o futebol é o único desporto em que podemos ser superiores e perder o jogo. Viu-se isso no domingo. Aliás, há um treinador português que, por certo, concordará com Lopetegui, porque, em 2011/2012, num jogo internacional, disse o seguinte:

“O que conta no futebol é o resultado e a maior parte da pessoas fazem os juízos de valor pelo resultado. Respondendo à sua pergunta, a minha equipa não merecia sair daqui a perder, porque foi melhor equipa durante a maior parte do tempo do jogo. Foi a equipa que criou mais oportunidades de golo. (…) São situações [as oportunidades perdidas], pormenores do jogo, que poderiam ter ditado outro resultado”
Não sabem que é o treinador que produziu estas afirmações? Vejam o vídeo.
Não me peçam para entrar em esquizofrenias “à António Oliveira”. Aliás, o antigo treinador do FC Porto deve fazer as delícias dos adeptos benfiquistas com aquele estilo que roça, às vezes, o primário, sendo, muitas vezes, mais cáustico para com o próprio clube do que para com os adversários.
Hoje vi e ouvi a melhor análise sobre o jogo de domingo contra os coisinhos: a de Vítor Pereira, no programa Grande Área. Estou absolutamente de acordo com ele. Entrámos bem, criámos oportunidades para estar em vantagem na primeira meia hora, criámos oportunidades para voltar a discutir o jogo – já com 0-2. Falhámos. O Benfica apanhou-se a ganhar sem saber bem como e, a partir daí, como equipa mais experiente que é, soube não cometer erros. Não digo controlar o jogo porque, efetivamente, nunca o conseguiu de forma sólida e continuada. O segundo golo nasce de uma completa passividade de alguém que deixa Talisca receber, olhar, preparar e rematar, ele que o faz – rematar de fora da área – como nenhum dos nossos médios titulares são capazes de o fazer. Fabiano não segurou, porque o remate foi muito bem colocado e com muita força. A partir daí era uma questão de saber para onde iria ressalto. Podia ter ido para o Marcano, foi para o Lima.
Voltando ao início. Até ao primeiro golo, o adversário fez um remate completamente inofensivo, e para fora, por Gaitán e outro, por Talisca, que Fabiano encaixou com facilidade. Ambos os remates de fora da área. Ou seja, até ao golo, o Benfica não entrou na grande área do FC Porto. Até então, poderíamos e deveríamos ter acabado com o jogo. E só não o fizemos porque Herrera fez um remate paupérrimo em zona privilegiada de finalização e porque Jackson permitiu a defesa de Júlio César, numa zona em que o colombiano costuma ser letal. Para além disso, houve um cartão amarelo a André Almeida, houve uma arrancada de Tello que criou extremas dificuldades a Júlio César e houve uma mão não assinalada de Maxi Pereira, que daria um livre em jeito de canto mais curto (e se a mão na área que nos anulou um golo foi assinalada, esta também devia tê-lo sido). Resumindo, até aos 36 minutos, era uma questão de saber se íamos marcar ainda na primeira parte ou apenas na segunda. E já seria injusto irmos empatados para o intervalo.
Depois, surge o golo. Não me lixem, mas aquele golo nem nos juniores se sofre. Danilo assumiu a culpa de não ter reagido (mérito a Lima, nesse ponto), e Fabiano ficou na linha de baliza. E depois, há que dar mérito aos coisinhos, porque eles metem oito jogadores na zona de perigo: cinco na grande área, e três à entrada da mesma. Nós tínhamos nove (não contando com o Fabiano), por isso não era tão difícil assim alguma coisa correr mal (como correu). Vejam o vídeo. Após o lançamento, toda a gente falhou o cabeceamento, incluindo Jardel e os três portistas que se preocuparam com ele, e Lima teve reflexos mais eficazes e rápidos. Se o 0-0 seria injusto ao intervalo, um 0-1 foi-o ainda mais.
O resto foi uma equipa de miúdos a querer fazer tudo com o coração e uma equipa de graúdos com a ratice necessária para não abanar lá atrás. E mesmo assim, poderiam ter abanado se aquelas bolas na barra têm entrado.
Do ponto de vista individual, desiludido pela baixa produção dos extremos, excetuando os primeiros 15 minutos de Tello, e cada vez mais convencido de que Herrera não é homem para estas exigências. Pelo menos de modo continuado. Gostava muito que o mexicano entrasse no lote restrito daqueles médios carismáticos  e talentosos de que nos vamos recordar para sempre, mas desconfio que é no grupo dos Defours, Souzas, Tomás Costas ou Chippos que vai acabar por cair.