Grande exibição, derrota estúpida

Fizemos provavelmente a melhor exibição dos jogos da pré-época e, no final, perdemos. Não estamos abalados na nossa confiança, mas fica sempre um sabor amargo, até porque ficar com tantas derrotas na pré-época como o segundo classificado da época passada, e com tão abismal diferença na qualidade de jogo, é de certa forma humilhante.
Já deu para perceber que o Fernando não contará para a nova época, mas o pior é que ele já não está connosco ainda a época passada não tinha acabado. Erros sucessivos (um que inclusivamente poderia ter posto em sério risco a conquista europeia) e declarações infelizes após o final da taça fizeram dele um jogador que eu espero ver rapidamente vendido. O Sousa tem-me surpreendido positivamente no lugar e ainda temos Guarín e Castro (e, ao que parece, Danilo). O erro de Fernando no segundo golo do Lyon é só mais um dos últimos erros sucessivos por distração. E digo isto ciente de que estamos a falar de um dos melhores número 6 do mundo, na minha opinião.
Mas falemos do que de positivo se viu neste jogo por parte do FC Porto. E foi muito! Desde logo, na defesa, onde Fucile fez um grande exibição, principalmente a atacar, uma vez que teve pouco trabalho na defesa. No meio, destaque para Otamendi, muito certo nas suas acções defensivas e a sair com intencionalidade para o ataque.
No meio-campo, tanto Ruben Micael como João Moutinho rendilharam o nosso futebol. Ruben só precisa de ser mais rápido quando acossado pelo marcador direto. De resto, aqueles pezinhos de lã fazem maravilhas com a bola. De Moutinho não vale a pena dizer nada que já não se saiba. É o líder da equipa e está tudo dito.
No ataque, continua a ser um privilégio imensurável termos connosco um craque da dimensão de Hulk. Depois, na falta de Falcao, caça-se com Kléber, o que não tem dado assim resultados muitos diferentes. Hoje, ficou provado, para quem ainda não acreditava, que o brasileiro não é apenas o “empurra-bolas”, um cabeçeador, um finalizador. Kléber sabe o que fazer com a bola nos pés, e a jogada do golo de Rúben Micael mostra isso mesmo. Do outro lado, um Varela empreendedor, mas menos decisivo na hora de criar perigo. Será por aqui que James Rodriguez terá de tentar entrar na equipa, digo eu…
Em termos globais, gosto da forma como esta equipa se apresenta fisicamente, em primeiro lugar. Depois, estamos a jogar um futebol de olhos postos na baliza, sem receios, sem esperas. Toda a equipa joga em bloco, defende alto e recupera cedo a bola. Aparentemente, pouco ou nada mudou em relação ao futebol que apresentámos na era de Villas-Boas, e isso é o melhor elogio que se pode fazer, neste momento, a Vítor Pereira. E ainda faltam Falcao, Álvaro Pereira, Guarín, e os restantes reforços…
PS – Uma grande vénia a um senhor que um dia envergou a nossa camisola e que hoje marcou um golo, abdicando de o festejar. Seu nome: Lisandro Lopez.
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5 minutos e um Lisandro

O Lyon esteve hoje a cinco minutos e um Lisandro de ganhar o jogo na Luz. Acredito que, se o jogo tivesse mais um bocadinho, os franceses teriam chegado ao empate. E, claro, um Lisandro faria toda a diferença. “Os jogadores do Lyon acarditaram que podiam dar a volta”, como disse o profeta, e até vimos o Weldon a chutar a bola para longe, com 4-2, para queimar tempo. Está tudo dito quanto à capacidade desta equipa, que se limitou a marcar de bola parada e de contra-ataque, contra um Lyon que andou a nanar durante 75 minutos. No finalzinho, tivemos a alegria da noite: o regresso de Roberto, el frangador, como que a dizer: “No me olviden, chavales”.