Saldos é 300 km abaixo

Ainda faltam algumas horas para o mercado de janeiro encerrar nos campeonatos desportiva e financeiramente mais apelativos mas, fazendo fé no que a Skysports notíciou, parece que não estamos tão enterrados financeiramente que coloquemos a hipótese de entregar o título de Campeão Nacional a um qualquer clube da Segunda Circular, pelo menos, já em fevereiro:

“Sky sources understand that Manchester City have ended their transfer interest in Porto duo Eliaquim Mangala and Fernando. City had been holding talks throughout the day over a deal in the region of £35m for centre-back Mangala and midfield team-mate Fernando, but a plane which was booked to bring the pair over to Manchester has been cancelled and there is not now expected to be any more business at the Etihad Stadium.”

Alegadamente, o FCP pedia 46 milhões de libras pelo duo (algo como 56 milhões de euros) e os ingleses terão confundido o nosso clube com uma certa agremiação da capital que só vendia a sua super estrela a quem batesse a cláusula de rescisão mas que se contentou com um meros 25 milhões.

Anúncios

Dolo(roso)

Leonardo Jardim, logo após o jogo em Penafiel, comentou, na conferência de imprensa, com um sorrizinho irónico, que o golo do Josué surgiu nos descontos, quando o Sporting já estava apurado. Teve, portanto, de se desapurar, o que é sempre chato. Bruno de Carvalho atirou em todas as direções com aquele tipo de frases meio enigmáticas que fazem excelente manchetes do Record. Hoje, lê-se na imprensa que se se provar que houve dolo por parte do FC Porto no atraso do início da segunda parte, podemos ser eliminados.
Pobo do Norte sabe que, durante o intervalo, Jackson Martinez se demorou um bocadinho mais na sanita, onde teve de dar vazão ao que restou da feijoada que comera no dia anterior em casa do Hélton. Daí a demora. A não ser que seja permitido pelos regulamentos começar-se o jogo com menos um.
Portanto, se aqui há algum dolo, ele só pode ser o doloroso desaparecimento do Sporting de mais uma competição nacional.

Robertice

André Gomes não mostrou nada no futebol português. Rotulado como “novo Rui Costa”, falhou. Hoje, há um empresário que compra os “direitos económicos” do jogador aos coisinhos por 15 milhões. Atentem bem: 15 milhões por alguém que nunca se impôs na primeira equipa (eu chamo a isto um flop). De seguida, chovem as notícias: Manchester City interessado. Livepool de olho no craque. Esta história soa-me a “robertice”.

Uma vitória para desenjoar

Jogar com onze dá sempre jeito e se esse décimo primeiro jogador se chamar Quaresma é muito provável que o jogo do FCP seja mais agressivo, mais contundente, mais letal. Depois, ter um Fernando que imprime ao nosso jogo uma rotação sempre alta e um Varela que decide mostrar que tem qualidade dá muito jeito. Uma vitória tranquila, com boa dinâmica geral e alguns exageros individuais (Kelvin, Kelvin…).
Ouço na rádio e na generalidade dos comentários online e televisivos que o Setúbal foi um adversário fraco, um adversário macio, um adversário que não fez o que devia fazer, etc… etc… etc… Já sabemos: uma goleada do FCP tem sempre como justificação o fraco trabalho do oponente, enquanto que uma goleada dos coisinhos é transformada numa espetacular demonstração  de poderio. Normal.

Pinto da Costa no Porto Canal

Nenhum portista estaria à espera que Pinto da Costa fosse ao Porto Canal dizer que Paulo Fonseca não serve. Muito menos que admitisse, ao virar da metade do campeonato, erros de casting nas contratações. O discurso teria de ser sempre de defesa do grupo e do clube. E aí seria normal que buscasse razões exteriores para justificar o insucesso. É assim em todos os clubes e, sejamos realistas, só não estamos habituados a este discurso porque temos a história de sucesso que temos. Por isso foi com naturalidade que o vi abordar as questões da falta de sorte (bolas nos postes e afins) e da arbitragem. Acho, porém, que neste segundo ponto talvez tenha exagerado no tom. Não que o desempenho de Soares Dias não nos tenha prejudicado, mas a nossa baixa qualidade futebolística deste ano não nos dá autoridade para disparar daquela maneira sobre o árbitro. Devíamos ter feito mais, nós. E, já agora, lembrarmos que Mangala fez penalti, também, antes do 2-0. Só faltava que o Presidente chegasse ao absurdo de dizer que o sacana do árbitro não quis assinalar o penalti – que o Hélton certamente defenderia – porque sabia muito bem que ali, naquele pontapé de canto, vinha o dois a zero.
Mas esta entrevista de Pinto da Costa trouxe, para mim, uma grande novidade, de que eu não estava à espera. Pela primeira vez, Pinto da Costa dedicou tempo aos comentadores portistas que têm lugar cativo nos talk shows futebolísticos. E quando eu falo em dedicar tempo não é limitar-se a uma ou outra referência lateral. Desta vez nomeou-os, traçou os seus perfis, criticou-os. A um ou outro, pretendeu descredibilizá-los. Pela primeira vez, vi um Pinto da Costa menos preocupado em zurzir no inimigo (coisinhos & lagartixas) e mais determinado a “responder” ao que entende serem ataques de portistas. Não posso deixar de entender esta reação como sinal de fraqueza. Críticas sempre houve, em determinados momentos de épocas menos conseguidas, mas Pinto da Costa nunca precisou de descer tanto “à rua” para as combater. Desta vez fá-lo porque se apercebe que a coisa está a tomar proporções diferentes e que aquelas opiniões dos comentadores de TV espelham o mal estar generalizado da opinião pública portista anónima em relação ao treinador, às opções, às escolhas, à SAD. E ao próprio Pinto da Costa.
É claro que, com meio campeonato por jogar, três pontos são uma insignificância, perfeitamente ao alcance de um “minuto Kelvin” ou de um “fator Quaresma” (mesmo que, pelo meio, apareça um Sporting ultra-motivado por um treinador competente) e o nosso Presidente já ganhou tantas batalhas contra a maledicência exterior e contra a falta de crença dos próprios portistas que esta é apenas mais uma. Eu também quero acreditar que a vamos ganhar. Mais uma vez. Mesmo assim, com esta fé inquebrantável, talvez não fosse má ideia trazer mais um ou dois que façam a diferença neste plantel.

Já sabem como é que isto acaba

Jogámos com alma e demos o máximo do pouco que temos (treinador incluído). E portámo-nos muito bem. Respeitámos o minuto de silêncio, não batemos em velhinhas de cachecol vermelho ao pescoço, nem destruímos mais do que vinte cadeiras. No campo, até metemos o Otamendi para lhes dar mais hipóteses de ganhar (o que o rapaz se esforçou para oferecer bolas jeitosas aos adversários!). Fomos simpáticos. O Danilo até conseguiu ser expulso quando poderia ter rematado à baliza. Fomos mesmo uns ótimos comparsas de homenagem ao “quingue”. E no fim saíram todos satisfeitos: uns com o dever cumprido de oferecer a vitória ao Eusébio, outros com a “satisfação” de terem proporcionado ao adversário o momento alto da época. E o árbitro a necessitar de rever seriamente a noção de lei da vantagem e os critérios disciplinares. Agora falta meio campeonato e… já sabem como é que isto acaba.

Mais o que é que você vai fazerrr dumingo à tardje…

Por causa da comoção nacional do início da semana, nem todos se aperceberam do falecimento do autor da frase (em português do Bráziu…) que serve de título deste post, um senhor chamado Nelson Ned, que fez furor em Portugal nos anos 60 e 70 do século passado (sim, da altura em que o Benfica ganhava campeonatos).

Como é comum na linguagem corrente desta semana, Nelson Ned é um ícone, um símbolo, alguém que tocava o coração dos portugueses, cuja importância transcende a sua área de atividade, um gigante, alguém com uma dimensão humana incomparável (piada fácil, eu sei), etc., etc., mas não consta que o Mário Soares tenha comentado que era um viciado em drogas duras e que bebesse tanto que chegou a dar um tiro na mulher, coisas que, já agora, parecem ser verdade. Também não é provável que que seja candidato a vaga no Panteão Nacional… talvez por ser brasileiro.

Pois bem: mas, para lá de fazer humor negro à moda do Bruno Nogueira, para que serve esta introdução à história da música pimba do tempo em que o Benfica ganhava campeonatos? Afinal, que é que a malta do Pobo do Norte “vai fazer domingo à tarde”? “Bamos à capital do império” visitar o nosso salão de festas, carago!

Por isso, já sabem (e aqui vai mais um toque ácido “à Bruno Nogueira): quando estiverem a ver o jogo no café ou em casa de um amigo benfiquista (portista que se preze não subscreve canais de outras religiões), procurem nas bancadas o gajo que tem um cartaz a dizer “Eusébio, dá-me a tua camisola” – sou eu. Ou talvez não…