Tudo a saltar! Tudo a saltar!

Moutinho agarra o braço de Bernardo Silva e entoa o “Tudo a saltar! Tudo a saltar!“, numa clara tanga à eliminação dos coisinhos da Europa. O mundo benfiquista está em choque. Eu considero que, a partir deste momento, João Moutinho ascendeu à categoria de deus azul e branco.

Sem colinho é outra coisa

Jesus tinha razão. Este grupo podia dar para qualquer lado. Podia e pode dar para o Bayer, podia e pode dar o Zenit e podia e pode dar para o Mónaco. Só não pode dar para os coisinhos, que foram de vela depois da derrota de hoje. Para compor o ramalhete, o Mónaco ganhou ao Bayer e fez o resto. Bem dizia o mestre das chicla, no final do jogo com o Zenit, que “o que se vai passar no jogo do Bayer e do Mónaco é um problema do Bayer e do Mónaco, e o Benfica não tem nada a ver com isso“. Com isso e com a Europa. Nada a ver.
Acabo por ficar um pouco chateado com esta saída da Europa dos coisinhos porque, assim, vão poder poupar jogadores para o jogo do Dragão quando receberem o Bayer. Nós também, já agora, mas por outras razões.
Falando agora do maior clube do mundo, ontem, fizemos o que nos competia contra o Bate Borisov, ou seja, ganhar. Fosse por um fosse por seis, o importante era trazer os três pontos. Missão cumprida, num jogo em que Herrera foi mágico. Mas apenas o foi porque Lopetegui lhe deu instruções, ao intervalo, para aparecer na área, ao lado de Jackson, coisa que não tinha acontecido numa primeira parte soporífera. Acabei de elogiar Lopetegui, caso não tenham percebido.
PS – Uma pessoa tenta abstrair-se dos coisinhos e há sempre qualquer coisa que não deixa. Alguém viu o que Roberto fez hoje na derrota do Olympiacos com o Atlético de Madrid?

Anjo Pérez

Como é que foi possível o árbitro não assinalar grande penalidade naquela bordoada do Anjo Pérez no jogador do Moreirense? É que não é por nada: se o clube de Moreira de Cónegos faz o segundo, não sei, não. Assim, passa-se de um mais que provável 3-2 para um 4-1 demolidor, segundo a opinião da imprensa. Pois é, esta época está a ser muito engraçada.

No sítio certo

Adrien falha completamente o remate. A bola tabela com alguma violência num Eder que, apesar de não perceber muito bem o que lhe aconteceu, está no sítio certo. O ressalto envia a bola na direção da linha de fundo, mas Quaresma, um extremo puro, está no sítio certo e faz o sprint de uma vida para chegar primeiro que o defesa. O cruzamento sai perfeito para a cabeça de Rafael Guerreiro, que estava, também ele, no sítio certo (para um ponta de lança, não para um defesa esquerdo). Portugal marca golo. Portugal ganha à Argentina.
Alguns minutos antes do golo, António Tadeia tinha comentado o jogo pouco feliz de Ricardo Quaresma. É engraçado como se poupam críticas às vacas sagradas ou a meninos de ouro em ascenção por terras valencianas, mas não se hesita, sempre que há oportunidade, em fazer observações negativas a Quaresma. Caramba, ele já estava há dois jogos consecutivos a ser importante na seleção. Não podia continuar a ser. Mas o cigano mais uma vez fintou o destino e mostrou-se decisivo.

Sporting em 8.º (mas nem tudo é mau)

O Sporting caiu hoje para o oitavo lugar da liga. O Rio Ave deu três secos à Académica e, por via disso, empatou em pontos com o clube dos calimeros. No entanto, a equipa das listras verdes e brancas verticais tem mais um golo marcado do que a equipa das listras verdes e brancas horizontais, o que automaticamente atira esta para oitavo lugar.
Mas, caros sportinguistas, nem tudo são más notícias: o Moreirense, nono classificado, tem menos quatro pontos do que o vosso clube, por isso – alegrem-se! – é matematicamente impossível ao Sporting descer qualquer posição na próxima jornada.

Mais uma queda

A última coisa com que os portistas se deviam preocupar, neste momento, é com a suposta “traição do Tó-Zé”. Sinceramente, custa-me ver algumas opiniões sobre esta questão, como se passasse por aí parte da justificação para o nosso empate. Isto é conversa de tasca que só serve para criar ruído à volta da equipa e alimentar o lixo jornalístico que abunda por aí – de que o Record é o seu máximo expoente. A mim, isto causa-me tanta confusão quanto o dragão tatuado no braço do Tello. Ou seja, nenhuma.
O que me parece importante, nesta altura, é tentar perceber quando é que Lopetegui vai assumir que Adrián Lopez falhou (e está a falhar) no FC Porto. Quando é que o treinador vai perceber que, não obstante o valor pago pelo jogador, ele funciona como um corpo estranho na equipa, é uma peça com defeito na engrenagem que tão boa conta deu de si nos últimos jogos. Quando é que vai perceber que toda e qualquer adaptação do modelo de jogo em função de Adrián está votada ao fracasso.
Há quem diga que este era – ou é – um campeonato fácil de ganhar: os coisinhos na ressaca das vitórias do ano passado, com um nível exibicional bem abaixo do esperado; os lagartos a constituírem-se como um flop a toda a prova, apesar da cagança do seu presidente. E nós? Com um plantel sobre o qual já nem vale a pena falar, mas com um treinador que, apesar dos méritos que lhe reconheço, insiste em dar tiros nos pés em alturas decisivas. Um custou-nos a saída de uma competição. Este custa-nos o afastamento em relação ao primeiro e queda para terceiro, numa altura em que a retoma era evidente. E logo num campeonato em que o líder não joga um caracol e vê a estrelinha arbitral estender-lhe pequenos tapetes vermelhos que lhe vão abrindo caminho até ao objetivo pretendido. Até quando vamos ficar a olhar de baixo?