Legenda precisa-se

Para desanuviar o ambiente, vamos lá arranjar uma legenda jeitosa para o que rui Costa está a dizer a Matic. Soltem o animal criativo que há em vós. Eu lembrei-me desta:

“- Matic, na próxima época, vou deixar os tuneis e passar a sentar-me naquele cantinho lá em cima. Estás a ver?”

Podem participar também via “feicebuque”: http://www.facebook.com/pobodonorteopobomaisforte

Ainda AVB

Tal como ele referiu, os adeptos do Porto jamais deixarão de sentir a partida de AVB para o Chelsea como uma “traição”. Tudo o que foi escrito como comentário ao meu anterior post é apenas uma prova disso. De qualquer modo, sem querer persuadir ninguém quanto à legitimidade da decisão, agradeço igualmente que não vejam na minha opinião sobre o assunto qualquer forma de “branqueamento” ou “menosprezo”. Como já disse, AVB tinha boas razões para aceitar o desafio: desportivas, financeiras e profissionais. E tinha uma razão de monta para ficar: o seu clubismo. Escolheu as outras. Na realidade,se as coisas lhe tivessem corrido mal na época passada dificilmente algum dos que o acusam agora de traição defenderia a sua continuidade só porque AVB é um adepto fervoroso do FCP, certo?

O futebol, os milhões e a identidade dos clubes

Sou um daqueles que ficaram tristes com a saída de AVB. Adoraria vê-lo construir, sobre o sucesso da equipa que tanto conseguiu no ano passado, uma equipa ainda melhor. Mas sou igualmente um dos que não serão capazes de censurá-lo por esta decisão e mais adiante explicarei porquê. Além do mais, a identidade do Porto são os seus adeptos, é a sua história: por aqui passaram e passarão muitos jogadores, treinadores e dirigentes – o que fica somos nós e a vontade de vencer, sempre.

O mais determinante para o nosso futuro imediato é que Pinto da Costa esteve muito bem ao nomear Vítor Pereira, porque resolveu o assunto “treinador” com rapidez, transmitindo uma mensagem clara aos nossos adversários e, porque não dizê-lo, ao plantel. Quem ainda se recorda do pesadelo que foi a época pós-Mourinho (com Del Neri, Fernandez e Couceiro), reconhecerá certamente que uma solução interna era o melhor que poderia ser feito. Vítor Pereira é uma solução tão credível quanto AVB o era no início da época. Colocar uma cláusula de rescisão de 18 milhões foi uma forma sibilina de sublinhar a aposta.

Sobre a saída de AVB: que treinador no mundo não aceitaria o lugar que ele vai ocupar? Que treinador diria não a um clube de topo da melhor Liga de Futebol do mundo, a um plantel daquela qualidade e à disponibilidade para investir do magnata russo? E, por outro lado, que garantias tinha AVB de que o segundo ano no Porto correria “de feição”? Tendo em conta o que conseguiu em 2010/2011, AVB estaria condenado a ganhar a Liga Portuguesa e, no mínimo, a Taça de Portugal ou a Taça da Liga. Mas seria o seu percurso na Champions League que ditaria o seu futuro – qualquer resultado que não passasse pelos quartos-de-final seria um fracasso. Além disso, claro, a melhoria substancial da sua remuneração também deve ter tido influência na decisão de partir…

AVB já é “passado” mas ganhou por direito próprio um lugar de destaque na brilhante história do nosso clube. Porque o que fica dele não é uma saída precipitada e porventura prematura. O que deveremos recordar é uma época brilhante, vitórias que nos encheram de orgulho, 4 troféus e, já agora,… 15 milhões de euros?!…

Shock of Daylight

Foi mais ou menos assim como no título do EP dos The Sound. Acordei, olhei a luz do dia, liguei a rádio e entrei em choque. Villa-Boas no Chelsea? Não, não pode ser. Vão mas é pelo mesmo caminho que o Inter foi, pensei eu. Ao longo do dia, sem nunca haver qualquer confirmação das partes interessadas, foram-se sucedendo os pormenores, as especulações. Nesta altura, é já praticamente um dado adquirido. Não serei tão violento quanto o comentário do André Pinto, mas custa-me muito entender esta saída, a confirmar-se, de André Villas-Boas. Porque estamos a poucos dias do início dos trabalhos, com um plantel pensado e optimizado por si. Porque há objectivos bem delineados já para Agosto, com duas supertaças para ganhar, uma delas num jogo de sonho com o Barcelona, contra Pep Guardiola, aquele que foi uma das suas inspirações. Porque havia, tal como disse o próprio AVB, a motivação extra de nos distanciarmos do Benfica em número de títulos. Porque este é o seu clube, e esta era a sua cadeira de sonho. Porque nos defendeu ao longo da época como nenhum outro treinador alguma vez o fez nos últimos 25 anos. Porque um ano mais no FC Porto, previsivelmente assegurando o bicampeonato e fazendo uma boa Champions League, não ia prejudicar o capital de popularidade que goza na Europa. Como já li por aí, “Nem o Mourinho foi capaz disto”. O dinheiro, pelos vistos, ainda move corações, e o de Villas-Boas vendeu-se. Lamentável.

Machadada

Paulo Machado a dizer que seria um sonho jogar num dos três grandes em Portugal. O jornalista da RTPN a perguntar “E no Benfica, seria um sonho?”. Paulo Machado diz “Como eu disse, seria um sonho qualquer um dos três grandes…”. “E no Estádio da Luz, seria um sonho?”, pergunta o jornalista. Lá foi o Paulo Machado dizendo que sim, que seria um sonho ainda maior porque foi lá que se estreou contra a Espanha (pela selecção). Pronto, conseguiram que ele dissesse que seria um sonho jogar no Benfica. Amanhã, há manchete n’ A Bola.