"Quem está em primeiro? Não estou a perceber…"

A vida de Jesus tem destas coisas: abre a boca e raramente a coisa resulta como o desejado. Depois da derrota em Guimarães, notoriamente irritado e com o fair play habitual, Jorge, o Jesus do vídeo, ironizou em resposta à pergunta do jornalista (sobre a “posição delicada” em que ficaria o SLB depois daquele resultado), dizendo que “a grande preocupação é dos outros, não é do Benfica”.

Pois bem, depois de mais uma “barraca” da super-equipa dos Coisinhos, agora a preocupação é de quem? O único órgão de informação (?1) onde o Benfica ainda surge em primeiro lugar da classificação é o jornal Record… Numa coisa o estratega da chiclete tinha razão: quando refere que eles perderam pontos ali e que os rivais perderam e perderão pontos noutros campos.

Nota final: voltamos a dar 45 minutos de descanso a um adversário que, apesar do empenho, tem uma equipa fraquinha e que deveríamos golear. Aparentemente, ninguém aprendeu nada com os 2 pontos que perdemos na primeira volta. Estarão perdoados se voltarem a “apagar” a Luz – nunca uma equipa do Porto tão mal orientada e a jogar tão mediocremente esteve tão perto de ser campeã.

Melão

Acabei de ouvir este comentador, que dá pelo nome de “qualquer-coisa” Baptista, vociferar, exaltar-se, enervar-se, porque o seu clube terá sido prejudicado em dois penaltis em Coimbra. Depois ouvi a conferência de imprensa de  Jorge Jesus e nada foi referido sobre a arbitragem. O treinador do Benfica lamentou as perdidas de Nelson Oliveira, e nenhum repórter o questionou sobre a arbitragem (e todos sabemos como é importante para a imprensa uma polemicazinha destas). O próprio Nelson Oliveira atribuiu à falta de sorte a razão do empate. Pode ter havido razão de queixa – eu não vi o jogo -, mas estes adeptos do Benfica que falam nas TVs podiam disfarçar um bocadinho a sua tendência clubística e deixar o melão em casa. Isto por uma razão muito simples: a malta quer isenção, quer análises objetivas da parte daqueles comentadores. Quem quer paixão e emoção vai aos blogues – como este.
Há mais ou menos um mês, quando se começou a falar no Benfica como a “equipa que melhor joga em Portugal” ou “a equipa que melhor futebol está a praticar” eu pensei, muito sinceramente, que era bom sinal, lembrando-me precisamente do que se passou no ano passado mais ou menos por esta altura. Os últimos dias vieram dar-me razão.
E de repente, amanhã, no Dragão, um normal FC Porto-Feirense transforma-se num daqueles jogos que assume uma importância fundamental em toda uma época. Ganhar significa chegar à Luz por cima e apagar da memória os 0-4 de Manchester. Outro qualquer resultado viria confirmar a depressão pós-City.

(Arranjem vocês um título)

Vítor Pereira não foi o primeiro treinador do FCP a ser goleado em Inglaterra. Nem o segundo, nem o terceiro. Mas espero que tenha sido o último. É que já começa a chatear esta sina de que temos de sair (quase) sempre de lá com um saco cheio de batatas.
À partida podemos ver neste desastre uma série de erros individuais que ilibam o treinador e a sua tática. Um exemplo: Otamendi, um central internacional argentino habituado a campos de exigência máxima, comete um erro típico de um infantil aos 15 segundos de jogo. Não creio que o argumento “ah-quem-foi-que-o-pôs-a-jogar-quem-foi?” valha. Apesar da boa resposta que Sapunaru deu no jogo anterior (num jogo contra uma equipa fraquíssima do nosso campeonato), era natural que Maicon, com mais andamento e tempo de jogo, voltasse ao lado direito, entrando Otamendi, o tal “central-internacional-argentino”, para jogar ao lado de Rolando.
Outro exemplo: o segundo amarelo a Rolando resulta da discussão com o árbitro sobre um possível offside no segundo golo do City (que, já agora, não existiu). Tendo percebido, desde o início, a facilidade com que este árbitro tirava o amarelo do bolso, que terá levado Rolando a ter aquela atitude? Aqui podemos argumentar que uma equipa é a imagem do seu treinador, e a força mental para manter a frieza nestes momentos tem de ser potenciada pelo líder. E nós sabemos que não temos líder.
Fizemos um bom jogo do minuto 2 ao minuto 76? Não sei. Dentro daquele contexto fizemos o que nos competia, que foi ir para a frente, tentar chegar à baliza, mas parece-me que foi um domínio mais consentido pelo adversário do que conquistado por nós, até porque nem tivemos assim tantas oportunidades de golo flagrante. Construímos muito jogo lateral, muito jogo para as linhas, num futebol, a espaços, agradável de ver, mas com pouca profundidade. A certa altura lembrei-me da seleção portuguesa dos anos 80, 90, daquele futebolzinho bonito mas inconsequente porque… não tínhamos ponta-de-lança. Exatamente como hoje. A ausência do homem de área foi determinante (ridícula aquela aposta inicial em Varela). Os centrais do City podiam ter levado uma mesinha para jogar umas cartas. Foi tudo muito pacífico naquela área, sendo esta monotonia apenas quebrada pelos cruzamentos-míssil de Hulk.
Acredito que, com Janko a prender dois centrais, aquele jogo tenha bons resultados a nível interno. É nesse sentido que vejo ali uma ponta de esperança para o que resta do nosso campeonato.

Acreditar

A jogar da forma como estamos a jogar e com o segundo pior treinador de sempre do nosso clube – o pior é agricultor e escreveu recentemente um livro em que diz mal de toda gente (MESMO toda a gente, incluindo você que está a ler este texto) – o que é certo é que estamos a dois pontos da super-equipa do treinador mastiga-chiclas. Ou seja, quando estamos bem, damos vinte pontos de avanço. Quando estamos mal, damos luta pelo título. Sintomático.
Ridícula é a perspetiva benfiquista de que os adversários, contra eles, jogam mais, têm “mais pulmão”, esforçam-se mais. Espero bem que esta teoria ser confirme quando formos à Luz discutir o primeiro lugar porque o pouco que jogámos em Setúbal não chegará…

30 minutos de folia

Disfarçámo-nos de Campeão durante meia hora de jogo. Metemos duas lá dentro e poderíamos ter metido mais. Na hora de jogo restante, quisemos gerir a pensar em Manchester. Podemos – e devemos – acreditar que vamos a Inglaterra virar a eliminatória, mas tirar o pé do acelerador contra uma equipa tão mazinha como este Setúbal e desperdiçar a oportunidade de construir um resultado mais largo irritou-me profundamente.
Em termos individuais, gostei do regresso de Sapunaru e da confirmação de subida de forma de Varela. O meio-campo esteve em bom nível, o que não é de estranhar. O nosso lateral-esquerdo, Alex Sandro, mostrou, também ele, evolução. Do ponto de vista negativo, acho que o Hulk ainda não voltou na plenitude das suas qualidades e bem precisamos dele no seu máximo já na próxima quarta-feira.
O que fica no final é um sabor a desilusão pelo que acabou por ser este jogo depois de 30 minutos tão bons. Como disse o pôncio, com quem vi o jogo, “Nunca mais acaba o campeonato para este tipo ir embora”.

enough said

“O azar do auto-golo coincidiu com um estouro físico da equipa (especialmente do Lucho, Moutinho, Varela e do quase inexistente James). O resto explica-se com uma expulsão por fazer (De Jong) e o luxo de ter Kolarov e Aguero como suplentes. Já fomos, mas a dúvida que fica é sob a forma como isto vai terminar em Manchester: decentemente ou com uma goleada?”
O meu amigo pôncio, por certo, que não se importa que eu tenha publicado esta SMS que me enviou no final do jogo. Ela reflete o que eu acho que se passou. O City jogou o que quis e como quis, na minha opinião. Na expectativa, na primeira parte, o jogo correu-lhes mal, porque nós fomos arrojados q.b. Depois, a perder, decidiram carregar, empataram, e voltaram à receita da primeira parte, só que, desta vez, ajudados pelo tal estouro de que fala o pôncio. Apenas acrescento o terrível azar de termos perdido Mangala e Danilo, este,  provavelmente, para o resto da época. Uma noite negra.

Sporting sem Paciência

O Sporting continua a caminhar alegremente para o abismo, numa downward spiral que ninguém sabe onde vai parar. Despede-se Domingos numa altura em que mal começou a segunda volta e há uma possibilidade real de ganhar o segundo troféu mais importante do futebol português. E põe-se Sá Pinto a orientar homens, quando a história se encarrega de nos mostrar que é ele quem precisa de orientação em situações limite. Mais: contrata-se um novo treinador sem qualquer experiência ao nível de seniores para trabalhar com uma legião de estrangeiros que aterraram nesta época em Alvalade. Mais ainda: contrata-se alguém que tem ligação privilegiada com a Juve Leo e que foi sempre promovido e levado ao colo por esta. O poder está definitivamente na rua. O Sporting lançado às feras.