No Dragão mandarão os que cá estão

Estou-me nas tintas para o facto do SLB se poder sagrar campeão amanhã ou na última jornada. Se cá chegarem com o título assegurado, que se lixe. O que não é aceitável é sagrarem-se campeões pontuando no Dragão. Mas para que isso não venha a acontecer será preciso que:

  • joguemos com 11 até ao fim (coisa problemática quando se defronta o Benfica, como ficou claro no jogo de hoje);
  • que o Farias mostre que não marca só quando é suplente e que o Hulk perceba que tem 10 gajos que jogam na mesma equipa.
Anúncios

"This is it" but "the show must go on"

Este fim de época está a ser, ironicamente, uma calma sucessão de vitórias com golos bonitos. Temo que não sirva para nada em termos classificativos, mas talvez permita que saibamos se existe alguma utilidade futura para os Guarins e os Valeris deste plantel.

Apesar da resistência do Braga, o SLB tem feito o seu caminho rumo ao título de campeão, com a permissividade arbitral do costume, mas igualmente com muito nervo. Tudo indica que os 4 primeiros lugares estão definidos. É preciso continuar a vencer até ao fim, por uma questão de dignidade, mas também porque será a melhor forma de preparar o futuro.

Contra 11 e sem túneis é mais difícil, não é?

O Benfica tinha ganho os últimos 3, 4, 5 ou 6 jogos contra o Liverpool. O Benfica estava numa forma fantástica. O Benfica iria fazer um resultado do outro mundo e uma exibição épica. O Aimar ia tirar partido da falta de mobilidade do Kyrgiakos. O Jesus, grande mestre da táctica, tinha desenhado um 11 com David Luiz à esquerda porque queria contrariar o jogo aéreo dos reds de Liverpool. A noite pertenceria aos vermelhos da Luz, que entraram “personalizados” (o oleoso do costume dixit).

Depois do 1º golo foi a depressão. O golo foi “esquisito” porque o árbitro mais longe da bola assinalou uma falta que as repetições mostraram não existir. Falou-se então do alegado recurso indevido ao monitor do 4º árbitro… mas afinal o Nuno Luz não queria assumir que isso tivesse acontecido. O SLB encaixou o segundo golo: o GR é que ficou parado, é um nabo, deveria estar lá o Quim. Enfarda o terceiro: ontem aconteceu algo parecido em Manchester e foram os alemães quem passou. Havia esperança para os jornalistas da SIC porque existe um Robben em potência em cada uma das orelhas do Di Maria e um Ribery sem cicatriz nas botas do Carlos Martins. E fez-se luz (grande trocadilho, não é? tendo em conta o nome do jornalista e o estádio…): Cardozo marca um livre direitinho para a barreira mas o desvio num dos oponentes coloca Reina fora de combate. Depois de tanta especulação sobre o primeiro golo do Liverpool, os isentos comentadores da SIC não dizem nem uma palavra sobre o facto da falta que deu origem ao golo dos seus heróis ser inexistente.
Mas os malandros dos ingleses marcam o quarto e acabaram com o jogo; depois dos elogios à berraria do Jesus, ao impeto do cabeludo defesa e à expectativa do Cardozo repetir a graça. Depois disso já tudo era o “factor F”, a lesão do Luisão que condicionou a equipa, a substituição do GR que foi um duro golpe, o mago da táctica que errou em aludir à falta de energia da equipa, a fragilidade do gadelhudo na esquerda da defesa, os suplentes que deixaram de ser alternativas de luxo e a equipa que passou a ser “curta” porque jogam sempre os mesmos e estão esgotados. Por fim, também a diferença de ritmo para a Premier League, que é da responsabilidade do campeonato português, que não permite ao SLB rodar para estes confrontos com os seus “iguais” (mais uma pérola do oleoso).
22 horas e estou cansado de me rir. Foi uma noite fantástica: 4 golos, comentários ao sabor da maré, depressão para 6 milhões, cachecóis nas gavetas da redação da TVi, da SIC e d’A Bola – cá em casa está tudo bem. A Primavera chegou: aqueles dias lindos de sol e brisa que acabam assim, com um enfardanço do SLB. As vitórias do FCP são aquilo que nos anima. As descidas à terra do SLB são aquilo que nos diverte. Poderia ser de outra maneira? Poderia, mas não era a mesma coisa…