Xistrados

Os Coisinhos voltaram a perder pontos em Coimbra e saíram de lá atribuindo o empate a 2 decisões de Carlos Xistra. O mau perder incluiu até uma não devolução da bola depois da Académica a ter colocado fora por ter um jogador lesionado. Fizeram 3 curtas declarações sempre focando a alegada responsabilidade da arbitragem e os entrevistados (Garay, JJ e Maxi) foram sempre impedidos de continuar a falar ou de responder a questões.

É verdade que os penaltis são discutíveis – a falta que motivou o primeiro poderá ter sido fora da grande área e o segundo decorre um lance em que o defesa do SLB toca na bola mas também derruba o adversário – mas também é muito discutível a expulsão do Galo (o guarda-redes estava na linha de baliza) e Maxi ficou em campo 90 minutos depois de mais um amarelo seguido de faltas que justificaram varias vezes o segundo que daria a expulsão (pouco antes do 2-1, Ogu sofre uma falta muito feia junto à linha e Xistra assinala uma suposta infracção a favor do Benfica).

O coro dos desgraçados, com evocação da ladainha que marcou o final da temporada passada, vai preencher a próxima semana. Mas isto é normal, sobretudo num clube que vê um miserável empate face a uma equipa de rústicos escoceses catalogado como acto heróico. Faça o Barcelona o que costuma fazer e teremos a çrise instalada nos dois lados da Segunda Circular.

Ao ritmo de James

Começa a assustar a forma como este FC Porto joga bem, cria oportunidades, despacha os adversários. Das duas uma, ou o nosso campeonato bateu no fundo em termos de competitividade ou nós estamos mesmo muito fortes e Vítor Pereira é mesmo um grande treinador. Quero acreditar na segunda hipótese, mas assusta acreditar nela, criar a ilusão e, depois, perante um adversário a sério, cairmos que nem tordos. Porque, valha a verdade, temos defrontado adversários de pouquíssima qualidade. Mesmo a Olhanense, que conseguiu o feito de nos marcar dois golos, conseguiu-o a partir de falhas da nossa defesa.
Uma coisa é certa: sem Otamendi, Fernando e Lucho (e…Hulk), não esperava, contra o Beira-Mar, uma vitória tão tranquila, tão serena, obtida a partir de um jogo fluído, bonito, com algum espetáculo a espaços. Ainda bem que assim foi. Vamos somando pontos e confiança, numa altura em que já espreitam os confrontos com o Rio Ave, o PSG e o Sporting, jogos que irão pôr à prova a capacidade desta equipa.
Houve várias exibições acima da média. No final, o público escolheu Jackson Martinez como o homem do jogo, talvez pelo golo espetacular que marcou e pela qualidade com que trata a redondinha. Mas a minha escolha recai sobre James Rodriguez. Assistiu o compatriota e Varela para os seus golos e ele próprio marcou, não sem antes ter enviado uma bomba com a bola a acariciar a barra. Este miúdo vai ser a figura do FC Porto para este campeonato!

Deshulkoolização em marcha

O jogo de hoje prova que há vida depois de Hulk. Pelo menos enquanto enfrentarmos equipas tão fraquinhas como este Dínamo de Zagreb. É certo que com o Incrível teriam sido meia dúzia nestes pobres croatas, mas a equipa controlou sempre o jogo – ou quase sempre – e revelou outras qualidades. Desde logo, Alex Sandro, para mim, um dos melhores em campo. Depois, o nosso tridente do meio-campo esteve muito bem, uns furos bem acima de um ataque pouco incisivo. Aliás, não foi por acaso que os dois golos foram apontados por médios. Jackson Martinez fez questão de nos lembrar que ainda tem um caminho a percorrer (um metro em direção à baliza escancarada). Varela é muito esforçado, mas isso no FC Porto não chega. E James mostrou-se inconstante, alternando as habituais ausências de jogo com momentos de perigo. A defesa esteve bem, mas quando a equipa decidiu recuar, na segunda parte, foram os laterais que mais sofreram, e as coisas poderiam ter-nos saído caras.
PS – Para Lucho, o meu eterno agradecimento. Sem palavras.

Castigos encarnadamente austeros

É difícil falar de “bola” quando o país real está a arder, mas a vida tem de continuar. Para os que estão “tristes” com a sua precária situação isto pode servir de escape. Para os que estão simplesmente amuados, como um certo madeirense que eu cá sei, enfim, não há remédio…

O sistema está de volta e em todo o seu esplendor: depois desse penalizador período de suspensão de duas semanas em que nada aconteceu na Liga Portuguesa imposto ao génio da táctica e da chicla, chegou a cruel e impiedosa penitência de 2 meses à qual será sujeito o cabeça de melão que atropelou um árbitro espalhafatoso devido a uma deficiência no ABS mental. Vamos lá ver se percebemos a lógica da coisa: 2 bacanos alegadamente empurraram e tentaram agredir uns seguranças que os provocaram num túnel e levaram vários meses de suspensão; um treinador coloca publica e explicitamente em causa a idoneidade de um árbitro e o castigo saiu num momento de paragem no campeonato; uma agressão filmada de vários ângulos e repetida até à exaustão tão lentamente quanto possível num esforço de transformar um “chega para lá” num mero problema de travagem resulta na suspensão mínima aplicável. Sim, é a justiça desportiva portuguesa no seu melhor.

Ridiculamente felizes

Um deficiente mental começou esta brincadeira da comparação das vendas de Hulk e Witsel. A prostituta dos jornais portugueses foi atrás e garantiu mais umas vendas daquele papel higiénico decorado com letras e imagens. Depois, o deficiente mental lamentou que a venda de Hulk tivesse sido ofuscada pela de Witsel. Entretanto, o FC Porto teve uma reação, solicitando a publicação do contrato de venda do belga. Eu acho que não o devia ter feito. O que nós devemos fazer é ganhar este TRIcampeonato, e no final enviar ao deficiente mental cópia do contrato de venda do Hulk por correio registado e com aviso de receção. Isso, claro, se aquele indigente tiver morada, porque, pelo que ele disse ontem, que não aufere qualquer vencimento pelo cargo que ocupa na capoeira, coitadinho, deve estar a viver num barraco qualquer da zona de Chelas de Baixo.
Este fait-divers da comparação das vendas dos dois jogadores serviu outro objetivo: desviar as atenções do facto de o segundo classificado da época anterior ter, nesta altura, um meio-campo de merda – desculpem, a expressão. É certo que sem Witsel e, principalmente, Javi Garcia, passam a dar menos bordoada (mas também nunca se tirou grande proveito disso, uma vez que os árbitros nunca tiveram cojones punir o espanhol como ele merecia), mas também perdem qualidade. O belga é um jogador acima da média (ainda que, para mim, nunca tenha atingido o nível que a prostituta dos jornais portugueses lhe apregoou) e o espanhol, quando não está preocupado em realizar amputações dos membros inferiores a sangue frio, até é um gajo perigoso nas bolas paradas. Dizer que vão apostar nos jovens da equipa B só dá vontade de rir. Faz-me lembrar as pré-épocas – todas, praticamente – em que saltam para as manchetes dos jornais dois ou três nomes de putos que, agora sim!, vão entrar no plantel e provar a aposta que o clube faz na juventude. Passados um ou dois meses já ninguém se lembra dos nomes deles. Assim de repente recordo-me de um tal João Vilela que ia ser o novo Rui Costa. Ou um Hélio Roque, lembram-se? E de um tal Tiago Carvalhinho, defesa-esquerdo maravilha?
Para além da questão do meio-campo, a família (desestruturada) benfiquista ainda não percebeu bem que vai jogar este campeonato, pelo menos até janeiro, sem defesa-esquerdo de raíz. E até ao Reto já lhes foram sem dó nem piedade (mas isso já todos sabíamos desde os cinco a zero, certo?). Por nós, tudo bem. O deficiente mental também acha que está tudo bem. Afinal, ainda ontem dizia que “Antes de termos o Witsel sobrevivemos e, (…) o único jogador que era insubstituível era o Eusébio e mesmo assim o Benfica sobreviveu”. Ora, por uma vez dou razão a este senhor. Uns vendem jogadores e sobrevivem, outros vendem-nos a continuam a ganhar. Por mim, podem continuar ridiculamente felizes.
PS – Para o caso de o deficiente mental ou a prostituta dos jornais portugueses decidirem mover-me um processo judicial por difamação e atentado ao seu bom nome, aviso já que contrato para minha defesa o senhor Presidente do Conselho de Disciplina, Dr. Herculano Lima.

60 milhões de razões para dizer adeus

Parece que desta vez é a valer – o nosso incrível Giovanildo, o herói brasileiro vindo do improvável Japão, vai mesmo deixar de ser jogador do Porto. Os valores envolvidos, a confirmarem-se, são esmagadores, especialmente se tivermos em conta a crise generalizada e o conservadorismo dos grandes clubes europeus no domínio das aquisições de verão. Claro está, não há regra sem excepção e o PSG, o Manchester City e os clubes de leste persistem nas contratações milionárias.

O que fica, para além do benefício financeiro deste negócio, é a uma sensação amarga. Sim, é provável que o dinheiro permita minimizar os alegados grandes desequilíbrios nas contas do clube, mas por breves dias, tivemos a ilusão de que o Porto iria atacar esta época com argumentos para vencer a Liga de um modo convincente e fazer estragos na Champions. Porque, apesar desse handycap chamado Vítor Pereira, tínhamos finalmente um ponta-de-lança com nível, dois jovens laterais promissores e mantínhamos as jóias da coroa: Hulk, Moutinho e James (para não falar do Fernando, cuja importância salta à vista cada vez que está ausente…).

Existem muitos que acharão esta venda uma derrota, um mau negócio do PdC, escudando-se na diferença face à estratosférica cláusula de rescisão. Porém, só mesmo visões muitos distorcidas podem achar que uma verba que coloca este negócio no Top 10 das maiores transacções de futebolistas de sempre é um mau negócio. Sublinho: a confirmar-se, este será o maior negócio futebolístico do Verão de 2012 a nível mundial e, claro, a mais cara venda de um jogador a actuar em Portugal. Para todos aqueles que diziam que o Hulk era uma fraude, que não valia sequer um terço dos 100 milhões da famosa cláusula, isto é uma lição.

Desportivamente, claro, é um dano irreparável no curto prazo – o último dia para inscrever jogadores na Liga Portuguesa já lá vai e, mesmo que pudesse ser contratado um “substituto”, seria sempre alguém para “crescer” no clube, jamais teríamos margem financeira para adquirir um “jogador feito”, com impacto imediato. Chegou então a hora do James, mas sobretudo do Iturbe, do Danilo e do Alex Sandro mostrarem que não são apenas projectos.

Sobre o Hulk, o que significou para o Porto, as suas façanhas e os seus insucessos falaremos noutro post, porque um jogador assim merece uma despedida especial.