Pinto da Costa no Porto Canal

Nenhum portista estaria à espera que Pinto da Costa fosse ao Porto Canal dizer que Paulo Fonseca não serve. Muito menos que admitisse, ao virar da metade do campeonato, erros de casting nas contratações. O discurso teria de ser sempre de defesa do grupo e do clube. E aí seria normal que buscasse razões exteriores para justificar o insucesso. É assim em todos os clubes e, sejamos realistas, só não estamos habituados a este discurso porque temos a história de sucesso que temos. Por isso foi com naturalidade que o vi abordar as questões da falta de sorte (bolas nos postes e afins) e da arbitragem. Acho, porém, que neste segundo ponto talvez tenha exagerado no tom. Não que o desempenho de Soares Dias não nos tenha prejudicado, mas a nossa baixa qualidade futebolística deste ano não nos dá autoridade para disparar daquela maneira sobre o árbitro. Devíamos ter feito mais, nós. E, já agora, lembrarmos que Mangala fez penalti, também, antes do 2-0. Só faltava que o Presidente chegasse ao absurdo de dizer que o sacana do árbitro não quis assinalar o penalti – que o Hélton certamente defenderia – porque sabia muito bem que ali, naquele pontapé de canto, vinha o dois a zero.
Mas esta entrevista de Pinto da Costa trouxe, para mim, uma grande novidade, de que eu não estava à espera. Pela primeira vez, Pinto da Costa dedicou tempo aos comentadores portistas que têm lugar cativo nos talk shows futebolísticos. E quando eu falo em dedicar tempo não é limitar-se a uma ou outra referência lateral. Desta vez nomeou-os, traçou os seus perfis, criticou-os. A um ou outro, pretendeu descredibilizá-los. Pela primeira vez, vi um Pinto da Costa menos preocupado em zurzir no inimigo (coisinhos & lagartixas) e mais determinado a “responder” ao que entende serem ataques de portistas. Não posso deixar de entender esta reação como sinal de fraqueza. Críticas sempre houve, em determinados momentos de épocas menos conseguidas, mas Pinto da Costa nunca precisou de descer tanto “à rua” para as combater. Desta vez fá-lo porque se apercebe que a coisa está a tomar proporções diferentes e que aquelas opiniões dos comentadores de TV espelham o mal estar generalizado da opinião pública portista anónima em relação ao treinador, às opções, às escolhas, à SAD. E ao próprio Pinto da Costa.
É claro que, com meio campeonato por jogar, três pontos são uma insignificância, perfeitamente ao alcance de um “minuto Kelvin” ou de um “fator Quaresma” (mesmo que, pelo meio, apareça um Sporting ultra-motivado por um treinador competente) e o nosso Presidente já ganhou tantas batalhas contra a maledicência exterior e contra a falta de crença dos próprios portistas que esta é apenas mais uma. Eu também quero acreditar que a vamos ganhar. Mais uma vez. Mesmo assim, com esta fé inquebrantável, talvez não fosse má ideia trazer mais um ou dois que façam a diferença neste plantel.

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