Morcão Douro: “Irritação do ano 2016”

Este prémio deve ter sido o mais concorrido. O galardão que mais nos fez excluir “bons” candidatos e boas situações, tal é a riqueza de gente parva com excesso de tempo de antena, acontecimentos bizarramente noticiados até à náusea, comportamentos obsessivos em campo e fora dele, gente com uma linguagem supostamente portuguesa que não está de acordo com o Acordo Ortográfico nem com a antiga grafia, em suma, coisas chatas que nem um monge do Tibete surdo e mudo conseguiria suportar.

Deixamos de fora o Antero Henriques, o Octávio Machado, o Bruno de Carvalho, os adeptos do Porto que assobiam a equipa, o José Ángel e mais uma dúzia de gajos chatos, que apesar de reunirem todas as condições para serem nomeados foram batidos pelo peso da irritação causada pelos ilustres escolhidos.

Os nomeados:

Yacine Brahimi

De “Maradona argelino” a “Brinca na areia do Magrebe” vai um passinho muito curto e nosso “virtuoso” deu esse passo montanhas de vezes. Todos os portistas, treinadores adversários e defesas direitos de todas as equipas que enfrentamos sabem de cor a jogada (sim, é só uma) do Brahimi: recebe de costas, ignora o bem intencionado mexicano que passa a correr junto à linha como se entre os dois estivesse o muro que o Trump quer construir, roda para a direita, roda para a esquerda, finge que dá no meio (mas era só para entreter) puxa para a linha de fundo, simula que vai para dentro mas finta para fora, 5% das vezes consegue ultrapassar o defesa, e em 90% dessas cruza a bola para as mãos do guarda-redes. Por fim, faz um ar de calimero e fica a defender o contra ataque adversário com o olhar. Voilá: 33 jogos no campeonato, 5 ou 6 vezes por jogo resulta num truque tentado quase duzentas vezes – é preciso ser muito camelo como jogador e e ter um distraído amnésico como treinador para ir na onda do Yacine e deixá-lo passar.

Renato Sanches

O rapaz é porventura o menos culpado disto. Mas transformou-se numa figura insuportável, não tanto pelo que fez em campo (que nunca justificou a histeria em torno das suas competências futebolísticas) mas pela mediatização aparvalhada de todos os seus atos: Renato Sanches visita os amigos delinquentes no Águias da Mugueira, Renato Sanches bebe um café numa chávena mal lavada num boteco da Damaia, Renato Sanches corta uma trança para salvar uma criança com caspa, Renato Sanches mete o dedo no nariz, Renato Sanches tira o dedo do nariz, vale 40 milhões, 50 milhões, 80 milhões, mais do que o Messi e o Ronaldo juntos. Ainda bem que se vai embora neste verão: se ele não imigrasse, imigrava eu.

Jorge Jesus

JJ é um ódio de estimação antigo. Não existe treinador português mais desprezível e, simultaneamente competente como este senhor. Não sei o que nos perturba mais: se aquela forma indescritível de falar português (?!?), a forma hilariante como pronuncia os nomes das equipas estrangeiras (o Unáite, ah, o Unáite…), ou as tiradas megalómanas auto elogiosas sobre futebol. Tudo de bom que aconteceu ou acontecerá com as equipas por onde passou é seu mérito, todos copiam o seu génio incomparável. Creio que a razão pela qual os Bayerns e os Barcelonas deste mundo não “pegaram” nele é a incerteza sobre o número de espécies em vias de extinção que habitam naquela indescritível cabeleira.

Julen Lopetegui

Um ano e meio para demonstrar que não merecia a oportunidade que lhe foi dada: uma coisa é treinar uma seleção jovem, cheia de jogadores de topo, outra é gerir uma equipa de futebol de um clube, gerir as pequenas e grandes coisas, os egos, as pressões e, já agora, ter uma ideia clara sobre a melhor forma de a organizar em função dos jogadores disponíveis. O basco nunca percebeu a dimensão do desafio, a responsabilidade que tinha nas mãos e preferiu rodear-se de jogadores da sua preferência, sem resultados práticos significativos. Falhou sempre nos momentos decisivos mas manteve a postura de injustiça, de vítima das circunstâncias, mesmo depois de abandonar o Dragão. Fica na memória a derrota em Munique, o empate na Luz (num jogo em que era imperioso tentar ganhar), meses daquele futebol pastoso feito de passes entre a linha defensiva, e a montanha de vezes que perdemos a bola nessa área do campo, com as consequências que são conhecidas.

Pedro Guerra

Já vos falei da montanha de provas sobre tudo e sobre nada? Dos dossiers e dos recortes? E da profunda experiência futebolística como praticante que refere sempre que algum adversário de conversa o põe em causa? O homem jogou no Damaiense, o que lhe confere a autoridade de quem marcou presença nas mais importantes provas do calendário futebolístico internacional… Estamos a falar do homem que foi arquivista, jornalista, assessor do ministro da defesa, assessor do grupo parlamentar do CDS, diretor da BTV, comentador da CM-TV e também da TVi. Serve para tudo e para nada. Mas o mais fascinante é imaginar o Jabba the Hutt benficóide num relvado… Resumindo: mais nojento e arrogante do que o Cervan, mais emproado e desprezível que o Gomes da Silva, ainda mais balofo e e sectário do que o Gobern. Nem alguns benquistas o suportam.

E o “Morcão Douro – Irritação do ano” de 2016 vai para…

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Pedro Guerra

Imbatível, unanime, asqueroso, criador da mais suprema repulsa. Guerra chegou, falou, irritou e arrasou. O Renato Sanches era um candidato muito forte, o Brahimi fez o possível para ser o eleito e o Jesus manteve viva a chama de vencer um troféu que persegue há tantos anos (mesmo antes de ter sido criado…). Mas o Guerra e os seus 300 quilos de banha impuseram-se. Parabéns (uhg!).

 

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5 thoughts on “Morcão Douro: “Irritação do ano 2016”

  1. Sim, senhora, estou a gostar. Por favor continuem assim e bem vindos ao ativo!
    Acho que o Prémio Satisfação do ano é ver o Pobo do Norte com esta qualidade e a não esmorecer, isto promete para o nosso futuro do FCP.

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  2. Lamento mas não concordo. O mais irritante do ano foi mesmo o Porto. Ou melhor a defesa do Porto. Ou melhor o Marcano. Triste. Muito triste. Se da última vez que vimos o caneco fugir por três vezes seguidas já tínhamos o Mourinho desde janeiro, agora ainda andamos aos papéis. Fonix.

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