Do mundial (IX)

1. É por isto que nunca hei de gostar do Brasil de Scolari: com 2-0 e vinte minutos para jogar, começaram a despejar bolas para a frente, sem nexo, algumas para fora, outras para o “quintal”. O Brasil a atirar bolas “para o quintal”. O Brasil a jogar à Ramaldense (com todo o respeito pela coletividade de Ramalde). Este Brasil não seduz, este Brasil morde os calcanhares ao adversário até ele cair. Este Brasil não quer massacrar os adversários, este Brasil quer acima de tudo rezar. E que o jogo acabe rapidamente, logo que se apanha a ganhar. Não gosto disto, mas é disto que o Brasil de Scolari é feito.

2. A Colômbia deu 45 minutos ao Brasil, mas também foi forçada a isso. Este é o Brasil mais agressivo – no bom sentido – de que me lembro, o que tornou o jogo de pé para pé dos colombianos uma tarefa quase impossível. Sempre no limiar da falta (ou mesmo em falta), o “exército” de Scolari não deixou a Colômbia respirar e o golo madrugador ajudou, e muito, a desorganizar os jogadores de Pekerman. O selecionador da Colômbia parece ter qualquer coisa contra Jackson Martínez, que, hoje, nem terceira opção foi. Começou o jogo Ibarbo (um mistério para mim, a titularidade deste homem), depois entrou Ramos e, finalmente, Bacca, supostamente quem deveria disputar o lugar com… Jackson. Outro homem que esteve abaixo do que costuma fazer, e disto se ressentiu o jogo de ataque da Colômbia, foi Cuadrado. Com Guarín, no lugar de Aguilar, percebeu-se a intenção de dar mais força ao ataque, mas o ex-FCP passou ao lado do jogo. Correu mal a Pekerman.

3. Poder-se-ia dizer que a falta que dá origem ao livre de David Luiz não existiu. Ou que o fora-de-jogo marcado no golo de Yepes foi assinalado muito tarde (só quando a bola entrou). Mas acho que até aí a Colômbia teve azar. O árbitro teve uma tarefa muito difícil e foi preciso muito sangue frio e tolerância para não desatar a distribuir amarelos a torto e a direito com tantos nervos à flor da pele. Um Xistra varria, hoje, este jogo a amarelos e duplos amarelos.

4. Paulo Sérgio, jornalista da RTP, viu três jogadores colombianos no aquecimento, dois deles Jackson Martínez e Quintero, mas o que lhe saiu foi isto: “Três homens colombianos a aquecerem. Um deles é Carlos Bacca”. Quando Quintero entrou, o homem pareceu surpreendido, como se, de repente, se lembrasse que o miúdo também foi ao mundial. Isto não é propositado. Isto é mesmo incompetência de alguém que está formatado para determinados jogadores de determinados clubes. Não consegue melhor. É mesmo assim.

5. Na hora da verdade, a jovem França não aguentou a parada. Apesar do resultado escasso, nunca me pareceu que a vitória alemã estivesse em perigo. E, depois, quem tem um gigante na baliza (em tamanho e em qualidade) “arrisca-se” a não sofrer golos. Aquele braço estendido, no último minuto, a parar o remate de Benzema, foi o símbolo da força desta Alemanha. E que grande jogo vem aí com o Brasil.

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