Ronaldo e a triste história lusa do tiro ao boneco

Este post usa argumentos tipo “Guerra” – não tem gráficos marotos em Excel mas tem estatísticas, ena!!!, e ainda por cima oficiais (da UEFA).

Vem esta prosa a propósito da “coincidência” de ainda só termos marcado um golo em 180 minutos de jogo face a equipas, vá lá, “algo acessíveis”.

É que neste Euro 2016, segundo a UEFA, o Ronaldo já fez – respirem fundo – 22 remates, sim, vinte e duas tentativas… sem sucesso. Comparativamente, o seu coleguinha do Real Madrid, o Bale, fez “apenas” 11, ou seja, metade, em 3 jogos… e marcou 3 golos!!! Mas o “mistério” desta improbabilidade estatística resolve-se rapidamente quando descobrimos que dos tais 22 remates, 7 foram para fora, 10 foram interceptados e, claro, sobram apenas 5 passíveis de se transformarem em golo. Que não aconteceu. Nem com o jogo parado e o cabelo cuidadosamente penteado.

Colocado sob a perspectiva colectiva, o deprimente desempenho “rematístico” do Ronaldo faz ainda mais sentido (mesmo que a coexistência das palavras “colectivo” e ” Ronaldo” na mesma frase seja algo bizarra e afastada da realidade). Portugal rematou 50 vezes em 2 jogos – sim, perceberam bem, meia centena de intenções concretizadas de golos… que, excepto por uma mísera vez, ficaram por entrar na baliza.

Sim, o Ronaldo é “o melhor do mundo”. Ou para os apreciadores do Messi, o segundo “melhor do mundo”. Isso não muda por ter duas actuações desastradas e desastrosas. O gajo é mesmo muito bom, foi e ainda é, e só vamos voltar a ter um destes novamente dentro de 20 anos. Mas deveria ser motivo para reflexão o facto de uma selecção com um conjunto de matrecos esforçados, como é o caso do País de Gales (ok, para lá do Bale têm o Aarom Ramsey), colocada num grupo bem mais complicado que o nosso, já estar apurada e ter marcado muitos golos. Talvez valha a pena relembrar que o futebol é um jogo colectivo e que não é com Messias que lá vamos, mesmo que os milagres futebolísticos aconteçam com maior assiduidade quando se tem na equipa um predestinado como o nosso madeirense.