Sporting Clube… e Portugal

Os astros alinharam-se e fizeram deste dia o dia Sporting. Minuto de silêncio por Artur Agostinho, referência do jornalismo, adepto do Sporting. Golo de Varela, ex-jogador do Sporting, onde fez a formação. Empate de Matias Fernandez, jogador do Sporting, num lance em que Rui Patrício, guarda-redes do Sporting, ficou mal da fotografia. No banco, Paulo Bento, cujo último clube que treinou foi o Sporting, assistiu a uma segunda parte muito pobre, ao nível do… Sporting desta época.
Entretanto, há uns minutos vi na TV uma aparição de Futre dizendo que, “se forem a Espanha e perguntarem pelo “El Portugués”, esse sou eu… não é o Mourinho, com muito respeito que tenho por ele, nem o Cristiano Ronaldo, sou eu“. Então está bem, Futre!

Portugal-Argentina: cinco ideias

1. O Real Madrid tem muita força. Cristiano Ronaldo e Di María foram substituídos, respectivamente, aos 60 e 65 minutos de jogo. Cinco minutos de diferença dá para disfarçar, mas não muito.

2. João Moutinho e Carlos Martins passaram ao lado do jogo. Bem-vindosà guerra FC Porto-Benfica, também na selecção.

3. António Tadeia conseguiu atribuir as culpas do primeiro golo da Argentina a Bruno Alves. Deve ser fácil parar esse tal de… Messi.

4. Hugo Almeida falhou um golo a um metro da baliza, mas creio que foi tocado no pé. Pelo menos quero acreditar que sim.

5. Fábio Coentrão fez o penalti que deu a vitória à Argentina. Não se pode dizer que tenha sido um “penalti escusado”, mas ainda bem que não foi o Rolando.

Selecção a meio gás

Estes dois jogos de apuramento para o Europeu confirmaram que a ressaca do Mundial vai ser dura e complicada. Perdemos a referência do meio-campo, Deco, e não temos quem a substitua. Para além disso, falta nervo e aço ao nosso meio-campo, onde jogadores como Raul Meireles, Moutinho, Tiago ou Manuel Fernandes seriam apenas razoáveis suplentes numa selecção como a Espanha, só para citar um exemplo. Na frente, fazer uns números de circo não chega. É preciso ser letal.
É claro que tivemos muito azar no jogo contra Chipre. E que hoje o Eduardo deu a sua contribuição para o descalabro. E que faltam, por lesão, jogadores suficientes para dar outra qualidade ao onze. Tudo isto é verdade, mas temos de aceitar que vamos entrar, ou já entrámos, num período de renovação, com jogadores a entrar na casa dos trinta anos, e que esse período de renovação deveria ser tratado com um cuidado e estabilidade que, neste momento, não existem.

Ó Jesualdo, viste aquele Meireles?

Aquele médio que jogou, fez jogar e marcou o golo de Portugal, ontem, na Bósnia, era capaz de ser uma grande contratação para o FC Porto. Chama-se Raul Meireles e parece que anda perdido em campo quando joga no campeonato nacional. Ó mister Jesualdo, não podíamos ir buscá-lo? Ou a alternativa será trazermos o treinador que o põe a jogar assim, Carlos Queiroz?

Fiquei muito feliz com o apuramento de Portugal para o campeonato do mundo ainda para mais com a contribuição decisiva de dois jogadores do FC Porto e participação de um contingente de ex-jogadores do tetracampeão: Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho, Pepe e Deco. Assim, temos a garantia de uma manchete de A Bola mais patriótica e menos… vermelhusca.

Não vi o jogo da primeira mão, mas, pelo que vi ontem, esta Bósnia era mais fogo de vista do que outra coisa. Vi ali dois jogadores de nível equivalente ao nosso: Dzeko e Pjanic. O resto era muita crença e pontapé para a frente. Sempre que conseguimos pôr a bola a rolar no lamaçal, mostrámos que estamos num patamar bem acima do dos bósnios.

O ambiente era frenético, mas veio confirmar o adágio de que “cão que ladra não morde”. Só não consigo perceber como é que a FIFA permite que se jogue naquelas condições um jogo de tão grande importância. E a agressão ao fiscal-de-linha foi incrível. Só faltou entrar em campo um bósnio e agarrar o pescoço do homem, como se vê, por vezes, em certos campos terceiro-mundistas.

E agora estamos na África do Sul, de onde Carlos Queiroz foi chutado há uns anos. Entrar pela porta grande vai saber-lhe bem.

Portugal é um bocejo

Fui só eu que quase adormeci a ver o jogo de hoje contra a Hungria? E só não passei pelas brasas porque a menina se lembrava de “dar à roca”, de cinco em cinco minutos, produzindo um ruído que tinha tanto de irritante quanto a voz do João Malheiro.

O jogo confirmou que o nosso futebol atravessa uma crise de talento. Os talentos supostamente estão em campo, mas dali não sai uma exibição consistente de domínio e qualidade. E, desculpem-me os fãs do melhor jogador do mundo, o tal que não tem nada a provar, mas Cristiano Ronaldo passa pela pior fase que lhe vi desde que me lembro. Pouca coisa lhe sai bem e recorre cada vez mais ao protesto. Parece-me um jogador sem alegria, sem chama (ele que já há muito se tornou num jogador demasiado “sério” em campo).

Não consigo destacar um jogador português de que tenha gostado. Dos outros, gostei a espaços do Deco e do Pepe. O Liedson jogou?

Salvou-se a vitória, que, nos tempos que correm, é o mais importante. A Dinamarca empatou, o que foi bom porque obriga-os a terem de ganhar à Suécia, o que vai ser bom porque permite-nos alcançar o segundo lugar se ganharmos à Hungria e a Malta. Fácil, não?

Azelhas e vikings

As preces da Igreja Scolarista Lusitana foram ouvidas: Portugal está 99,9% fora do Mundial 2010. E, muito francamente, olhando para este jogo, é difícil colocar o trabalho do seleccionador em causa quando jogadores com a experiência e a qualidade dos que dispomos falham tantos golos. Mas isso é uma parte da história deste (não) apuramento.

Como disse antes, a Dinamarca tinha tudo a seu favor, mas ainda sobrou mais durante a 1ª parte: uma benevolência excessiva com as placagens dos vikings (uma coisa é “deixar jogar” outra é não marcar as devidas faltas), um penalty perdoado e, está claro, uma eficácia demolidora: no primeiro remate decente à baliza de Eduardo fizeram golo. Ainda mais espantoso é ver que Portugal fez uma 1ª parte de domínio absoluto (sobretudo depois dos 20 minutos de jogo), com jogadas ao primeiro toque, aberturas fantásticas mas, na maioria dos casos, remates anémicos ou que erraram o alvo.
Curiosamente, Portugal marcou na 2ª parte, etapa do jogo em que atacou atabalhuadamente e onde os dinamarqueses tiveram várias hipóteses de “matar” o jogo. Foram 40 minutos de absoluto desespero e desordem, em contraste com a harmonia com que as transições foram feitas no 1º período. Depois do golo, marcado na sequência de um canto, por um jogador baixo que nem precisou de tirar os pés do chão (suprema ironia, não é), Portugal voltou a empurrar os Dinamarqueses para trás, mas foi tarde demais.
Poder-se-á dizer que o Liedson deveria ter feito parte do 11 inicial. Que, eventualmente, a história do jogo seria muito diferente se o penalty tivesse sido assinalado. Mas a verdade é que a infelicidade deste e do outro jogo com a Dinamarca não são a causa do nosso mal sucedido percurso na fase de apuramento. Portugal falhou em muitos outros jogos e é por isso que hoje estava à mercê destes acasos do futebol. No futebol, como no resto, a sorte desempenha um papel relevante, mas quando apenas se vence 2 jogos em 7 possíveis, é desonesto evocar esse factor como justificação para o insucesso global.

No reino da Dinamarca

Na linguagem do boxe, dir-se-ia que selecção está encostada às cordas. E isto tem servido para que muitos evoquem o sargentão brasileiro, que desde o desterro douradado onde foi parar não cessa de manifestar a sua má educação – desta vez resolveu zurrar a propósito das críticas mais do que justas que o Sérgio Conceição decidiu fazer.

Lamento que a inépcia de Queiroz sirva para endeusar Scolari: disse e repito que a nenhuma selecção do brasileiro jogava como, por exemplo paradoxal, o Portugal de Carlos Queiroz jogou contra a Dinamarca… apesar da derrota. O conjunto de Scolari era uma equipa burocrática, com tendência a arrastar-se para os penalties, que falhou sempre nos momentos mais cruciais. Ainda que tivesse um Deco no auge, contasse ainda com o Figo e, convirá não esquecer, pudesse ser alicerçada no trabalho que o Mourinho desenvolveu no FCP campeão europeu. E se tivémos um guarda-redes que só servia para os penalties, isso fica a dever-se à casmurrice e ao preconceito então vigentes.
Independentemente do que referi, não defendo o regresso às “vitórias morais” e, efectivamente, amanhã não espero menos do que um triunfo inequívoco. Não porque a Dinamarca seja uma selecção mediana, mas antes porque quem quer mostrar pertencer à elite do futebol mundial tem que ser consequente. Está na altura do Ronaldo contribuir decisivamente para o conjunto e não para as suas vaidades. E, claro, com o Liedson, ainda que longe dos seus melhores dias, deixamos de ter o problema do ponta-de-lança incompetente. É óbvio que não temos uma garantia na baliza, que o Nuno Gomes é uma fraca alternativa ao Liedson e que a pressão está toda do nosso lado. Mas é nestes momento que se vê quem são os verdadeiros heróis da bola, os que não se escondem e os que não se limitam a fazer declarações de intenção nas conferências de imprensa.
Uma nota para os Sub-21: vi a parte final do jogo e adorei observar a classe do Ukra e o toque de bola do Rui Pedro (que presumo seja ainda um dos nossos). Além disso, registei o amuo do Coentrão, que não aceitou os assobios com que a sua pálida exibição foi contemplada – deve achar-se imune à crítica, algo de muito comum para quem joga no clube das gaivotas.