O escroto do Valdemar

Esta vitória na Madeira deixou o segundo classificado a quatro pontos de distância, o que, não sendo muito, já é alguma coisita. Para além disso, esta vitória deixou o Valdemar Duarte com um formigueiro esquisito no escroto, tal o incómodo que revelou perante, segundo ele, a falta de ambição do Nacional. Tudo lhe fez espécie: a apatia do banco do Nacional, a apatia dos jogadores em campo, a falta de remates à baliza por parte do Nacional. E nem faltou a mais que previsível comparação deste Nacional com o Nacional do jogo com o nono classificado. Até o facto de o treinador do Nacional dialogar muito com os elementos sentados no banco o incomodou. Sugiro ao Valdemar que corte a unha do dedo mindinho. E que, já agora, perceba que o Nacional não jogou com uma equipa qualquer.

E nós temos uma equipa

O jogo de hoje trouxe-me a ideia de que estamos a construir uma equipa de grande qualidade que, sem estar ainda a carburar em pleno, ganha com uma naturalidade e uma simplicidade que me deixa muito optimista para esta época. Um dos indicadores do que acabo de escrever é tão só o facto de hoje terem saído do banco nomes como Ruben Micael, Souza e Fucile. O primeiro é um desenhador a régua e esquadro. A bola nos seus pés sai sempre com intenção, beleza e precisão. Quem se pode dar ao luxo de ter um jogador deste calibre no banco? De Souza, começa a perceber-se que é muito mais do que um mero trinco. O à-vontade com que joga, ainda com pouco tempo de clube, é a prova de que a qualidade está lá, apenas tem de evoluir no sentido de querer ter mais a bola nos pés e arriscar com ela. Quanto a Fucile, é dele, naturalmente, o lugar de defesa-direito, pese embora as boas prestações de Sapunaru nesste início de época. Mas Fucile… é Fucile, e estando a 100%, fisica e psicologicamente, é o melhor lateral-direito a jogar em Portugal.
Quando temos estes três jogadores no banco, e ainda outros como “Cebola” Rodríguez ou Guarín, percebemos que o plantel, este ano, é mais fiável do que o do ano passado. Villa Boas pode bem fazer a gestão rotativa do mesmo sem grandes variações no desempenho. Pelo menos é a minha ideia neste momento.
Hoje, elejo como os melhores em campo o trio Álvaro Pereira, Bellushi e Falcao. o primeiro porque é o nosso melhor extremo-esquerdo. O segundo porque traz aquilo que não tínhamos há muito tempo: um marcador de livres directos fiável e constante. O terceiro porque marcou dois golos e falhou outros dois. Sim, porque até nos falhanços Falcao é um espectáculo.
Uma palavra para Ukra, um jogador que por certo cumpria hoje um sonho de criança: jogar no Estádio do Dragão com a camisola do FC Porto. Nao foi a estreia que ele por certo esperava, mas eu acredito que aquele estádio ainda o vai ovacionar muitas vezes de pé. Não faltarão oportunidades, Ukra!
PS – A noite encerrou com uma óptima notícia. O Benfica não vai emprestar Roberto, ao contrário do que avançou a TSF durante a tarde. O jornal A Bola adianta, no entanto, que o “8 milhões” perderá a titularidade. Pobo do Norte soube de fonte ligada ao processo que Mantorras ter-se-á oferecido para jogar à baliza.

Uns têm Bracalli, outros têm Roberto

Esqueçam Walter, James, Moutinho, etc… Roberto já é a grande contratação do FC Porto da época 2010/2011. Estou mesmo convencido que, tal como somos capazes de desviar jogadores do Benfica, também conseguimos colocar alguns lá dentro. Roberto só pode fazer parte de um plano maquiavélico do nosso Presidente. A sério. O terceiro guarda-redes de um clube que lutou para não descer, por oito milhões? Nem nos melhores sonhos. A forma como ele aborda a bola no segundo golo do Nacional não é de principiante. É de quem não sabe o que é uma bola e uma baliza. Ou então de quem treina com pepinos. Muito mau. Ou muito bom, dependendo da perspectiva. Do outro lado, um Bracalli que poderia estar muito bem num grande. Por exemplo, bastaria trocar de camisola, hoje, com Roberto, e o resultado seria de certeza diferente.
Estou curioso para ver a capa de A Bola de amanhã. É que Jesus ainda não entrou no período “é-para-mandar-embora”. Por outro lado, falar em crise à segunda jornada é capaz de não fazer bem às vendas. Eu aposto numa contratação. Um Drenthe. Ou um novo guarda-redes, por exemplo.

Um fim-de-semana jeitoso

Quando se ouve Jorge Jesus dizer, na conferência de imprensa, que Ramires e Di Maria saíram para “clubes financeiramente, repito, financeiramente melhores que o Benfica… porque no resto não o são“, percebe-se por que é que aquele clube continua a fazer parte do anedotário futebolístico nacional. Mas dizer “massacrámos a Académica” – repare-se no verbo utilizado -, sem nunca referir o pormenor de terem jogado a maior parte do jogo contra 10, já não dá vontade de rir. Este Jesus pode ser grande na hora da vitória, mas na hora da derrota – e vão três seguidas – representa bem a pequenez intelectual do clube que lhe paga o ordenado. Eu apenas vi os últimos vinte minutos do jogo de hoje, mas ainda fui a tempo de ver mais uma agressão de David Luiz passar impune, quando, para ganhar posição ao Sougou, lhe aplica uma cotovelada no tórax. Isto, a dois metros do fiscal de linha.
O Sporting perdeu ontem na Mata Real. Eu não vi o jogo, mas reza a opinião do meu amigo poncio que os leões não estão a jogar nadinha. O sempre insuspeito Record não faz a coisa por menos e aplica um doloroso “Este Leão nem arranha” na primeira página.
Quanto a nós, a vitória foi mesmo o mais importante. A exibição foi fraquinha, principalmente na primeira parte. E o futebol tem destas coisas: Belluschi e Varela, que tinham sido os melhores na Supertaça, ontem foram os piores em campo. Só com a entrada de Guarín – um verdadeiro tornado em campo, para o bem e para o mal – é que o nosso meio-campo começou a mexer e os lances de perigo começaram a aparecer. A vitória foi justa e surgiu na sequência de um penalti bem assinalado pelo árbitro, por muito que os Ruis Santos deste país torçam o nariz.

Os Campeões (ainda) somos nós

Passei há bocado ali pela Rotunda da Boavista e não vi ninguém que tivesse reserbado aquele local na semana anterior para os festejos de não-sei-o-quê. Pensei que ia haver festa, mas, pelos vistos não houve. A avaliar pela generalidade da imprensa, que no outro fim-de-semana não se cansava de dizer “Título adiado para o Dragão“, a coisa estava já praticamente decidida antes do tempo, não se admitindo que, no Dragão, houvesse outra coisa que não o “título”. O próprio Jesus, fiado num qualquer milagre, dizia, como o amigo André Pinto bem apontou, que iam ao Dragão “confirmar” o título. Sim, confirmar algo que não têm, mas que vem sendo assinalado por muitos como “natural”, há muito tempo…

Foi por estas e por outras que a vitória de ontem me soube imensamente bem. A sério. Ainda para mais quando ela foi obtida a jogar com os jogadores “possíveis” (ausências de jogadores fulcrais como Falcao, Varela e Ruben Micael), com menos um em campo, (numa habilidade de Olegário Benquerença, que não quis fazer ao Di María o que fez ao Fucile), e com a maior presença de adeptos benfiquistas que o Dragão já viu. Só tive pena que a polícia de choque não lhes tenha reserbado as costas para os cacetetes quando se puseram a lançar petardos para o meio dos adeptos portistas. E isto comparado ao brutal apedrejamento de que o autocarro benfiquista foi alvo (o veículo ficou irreconhecível, sem poder transitar e foi directo para a sucata), de que a imprensa fez caso nacional, não foi nada, claro. Já estamos habituados.

Sobre o jogo em si, gostei da capacidade guerreira da nossa equipa. Achei que ontem vimos o FC Porto que faltou em momentos-chave no campeonato. Vimos uma atitude, diria eu, à Mourinho (desculpa, lá, Jesualdo). Esta vitória, aliás, fez-me lembrar uma outra, do tempo de Mourinho, contra o mesmo opositor em que, com menos um, virámos o resultado. Ontem, o grande destaque, na minha opinião, foi para Guarín e Bellushi, dois não-titulares na maior parte da época. Mas a nossa defesa também esteve bem, com situações de perigo resolvidas com grande classe, com Álvaro Pereira e Rolando em plano de destaque. Beto fez a melhor exibição ao serviço do FC Porto e deve ter carimbado a ida ao Mundial. O visitante, por seu lado, jogou com todo o seu dream-team e foi derrotado por um conjunto de rapazes que raramente jogaram juntos dois jogos seguintes esta época e com menos um em campo durante toda a segunda parte. Magnífico.

Já li por aí muita gente com fé num golpe de teatro na última jornada. Deixem-se disso. Não acredito que o clube do bairro do Alto dos Moínhos perca em casa com uma equipa em baixo de forma e sem nada a conquistar como o Rio Ave (e já agora, será muito difícil que o Braga vença o Nacional, que ainda tem aspirações à Euroliga). Não nos esqueçamos que há sempre um João-pode-ser-Ferreira pronto a abrir caminho com um penaltizito ou uma expulsão nos primeiros cinco minutos. Se tal não acontecer por iniciativa arbitral, haverá sempre um Delson qualquer a provocar um penalti e a expulsar-se cinco minutos depois. Ao contrário do que se diz, a História repete-se, e todos nos lembramos da forma como este clube ganhou o campeonato com Trapattoni na liderança. Por isso, não se iludam. Aquilo que me traz alguma satisfação é constatar que, afinal, a equipa maravilha que, de forma demolidora, passeou classe por este campeonato, goleou este e aquele, deu tantas manchetes eufóricas aos pasquins do costume, vê os seus jogadores todos os dias cobiçados pelos tibarões europeus, a equipa que tem um treinador genial com uma visão única, só comparável aos Mourinhos, Guardiolas e Wengers deste mundo, afinal essa equipa apenas ganha o campeonato na última jornada! Há coisas, realmente, inexplicáveis!

Nós falhamos e o Paixão decide

Eis a receita para se dizer adeus a um campeonato:

1. Falhar quatro ou cinco golos só com o guarda-redes pela frente.

2. Ver o árbitro sonegar um penalti escandaloso sobre o Ruben Micael.

3. Levar com o anti-jogo do Leixões (que Deus o envie e mantenha na 2ª divisão).

Depois deste bom jogo que fizemos – apesar das contrariedades acima referidas – tenho a certeza de que estamos a construir uma equipa para mais uma série de vitórias em campeonatos seguidos. Resta saber se com Domingos, Vilas-Boas ou Jorge Costa.