5 minutos e um Lisandro

O Lyon esteve hoje a cinco minutos e um Lisandro de ganhar o jogo na Luz. Acredito que, se o jogo tivesse mais um bocadinho, os franceses teriam chegado ao empate. E, claro, um Lisandro faria toda a diferença. “Os jogadores do Lyon acarditaram que podiam dar a volta”, como disse o profeta, e até vimos o Weldon a chutar a bola para longe, com 4-2, para queimar tempo. Está tudo dito quanto à capacidade desta equipa, que se limitou a marcar de bola parada e de contra-ataque, contra um Lyon que andou a nanar durante 75 minutos. No finalzinho, tivemos a alegria da noite: o regresso de Roberto, el frangador, como que a dizer: “No me olviden, chavales”.

Ridículo e caricato

Luís Filipe Vieira aprendeu recentemente o significado de mais duas palavras para juntar às 567 que compõem o seu léxico. Falo das palavras “ridículo” e “caricato”, que logo tratou de colocar em prática para se referir ao nosso treinador. No entanto, é precisamente o seu treinador, Jorge Jesus, quem lhe tem dado mais razões para utilizar em contexto esses vocábulos. Porque “ridículo e caricato” é dizer que no ano passado houve apenas duas equipas na Europa: o Barcelona e o Benfica. Porque “ridículo e caricato” é dizer que “ganhar em Lyon será normal”, para depois levar uma “não-goleada-graças-a-Roberto“. Porque “ridículo e caricato” é dizer que ninguém joga na Europa com a qualidade defensiva com que joga o Benfica. Porque “ridículo e caricato” é dizer que prefere perder por poucos em Lyon porque isso é importante para o apuramento.
PS – Já agora, ouvi ontem na Antena 1 o sr. Joaquim Rita, na antevisão do jogo, dizer do alto da sua fanfarronice vermelhusca que, enste grupo, o Benfica apenas tem de se preocupar com uma coisa: saber se vai ser 1º ou 2º. Como é que se diz, nestes casos, sr. Luis Filipe Vieira?

A palavra de Jesus

O Benfica ganhou os dois últimos dois jogos oficiais. Seguidos. Para Jorge Jesus, foram duas vitórias contra duas grandes equipas. Os israelitas são uma grande equipa. E o Sporting de hoje é uma grande equipa, “superior ao Sporting da época passada”. Não sei quem é que Jesus pretende converter com estas sábias palavras, mas admito que já haja benfiquistas com mais de dois neurónios, que não vão nesta conversa. Ou então eu sou um optimista por natureza.

Euroliga, essa fantástica competição

Depois de um golo ao primeiro remate e dos seiscentos elogios dos comentadeiros da SIC ao trabalho fantástico desse “treinador muito táctico” (esta foi do oleoso, what else?!)… o hiper-mega-fixe SLB 2009/2010 empatou com o último classificado da Liga Alemã!?????! Pois, já me esquecia, o Jesus atribuiu a culpa do resultado ao árbitro… É óbvio, não foi nomeado pelos amiguinhos da LPF!

Impressões digitais

Reza o milagre que Jesus da Galileia tocou com os dedos nos olhos de um cego e este começou a ver. Soubemos hoje que o Jesus da Galinácea pôs os dedos no Rúben Micael, provavelmente para accionar o milagre da multiplicação dos dias de suspensão. A estratégia não funcionou com estes protagonistas, é certo, mas haveria de funcionar com outros.

Lembro que, na altura do jogo com o Nacional, o Jesus da Galinácea disse que os jogadores “estavam a discutir com a adrenalina do próprio jogo“. A adrenalina deve ser a mulher que varre o túnel no final dos jogos e não gosta de ser incomodada. E acrescentou: “Estavam muito acesos e no túnel tentamos que cada jogador fosse para a sua cabine, nada de anormal. O Benfica ganhou 6-1 no campo, não foi no túnel”. Ficámos hoje a saber que também ganharam no túnel, por dois dedos a zero.

Por falar em dedos, aquele gesto simpático do mesmo Jesus, com os quatro dedos em riste, na direcção de Manuel Machado, não deu em nada. Já não há mesmo milagres. Ou será que há?

Abraços e promessas

Foi notícia ontem que Pinto da Costa, um fervoroso crente na religião católica apostólica romana, encontrou Jesus. Parece que deram um abraço fraterno e que o mundo voltou a fazer sentido. Muitos foram os que se atreveram a ver naquele abraço uma espécie de “beijo de morte” do nosso Presidente. Outros vislumbraram ali já um acordo para um futuro contrato. Há quem veja ali também a angariação de mais um sócio.

Hoje, o jornal A Bola revela, orgulhosamente, e talvez para descansar o adepto lampião mais chocado com a cena, aquilo que Jesus disse a Pinto da Costa: “O Benfica vai ser campeão”. Ou seja, mais uma banalidade. O que A Bola não revela, porque não consegue (ou não lhe interessa), é o que Pinto da Costa disse a Jesus. E isso sim, seria grande cacha jornalística! Até porque o que a foto publicada na primeira página sugere é precisamente o nosso grande Presidente a dizer algo que provoca o riso a Jesus. Que lhe terá dito Pinto da Costa, enquanto fita o chão (ou os sapatos de verniz de Jesus)? Aceitam-se sugestões.

É curiosa a frase que surge por baixo do título principal, “Treinador encarnado brincou falando a sério”, uma frase que nada traz de novo, nada revela de importante, mas, servindo-se do paradoxo, protege na perfeição o emissor.