Com alma e coração, venceremos o lampião

David Luiz deixou o segundo classificado da liga portuguesa rumo ao quarto classificado da liga inglesa. Na despedida disse que leva o Benfica no coração. Os seus adversários em Portugal, nomeademente Hulk, levaram para casa, em vários fins-de-semana, as marcas dos seus pitons nos calcanhares e dos cotovelos em várias zonas do tronco. Para mim, o bom jogador que nunca chegará ao nível de um Ricardo Carvalho, de um Pepe ou de um Bruno Alves. Uma questão de fiabilidade.
Tinha curiosidade em saber em que posição actuaria na amanhã, no jogo do Dragão, mas felizmente para ele, não vai voltar a cruzar-se com Hulk, pelo menos esta época e em Portugal. Acredito que Hulk venha a jogar em Inglaterra e, se não for no Chelsea, David Luiz que se prepare.
Em relação ao jogo, sinceramente, causa-me alguma preocupação o clima de excessiva confiança de muitos portistas que tomam como referência os 5-0. Ao mesmo tempo, agrada-me o facto de se falar na série de vitórias do Benfica, do “Benfica em alta”, e do Benfica muito diferente do de há uns meses. Nós damo-nos bem com excessos de confiança do outro lado (ver exemplo da supertaça), por isso não convém cair no mesmo erro.
Quem não deve cair nos mesmos erros é Jorge Jesus. Em primeiro lugar porque David Luiz já cá não mora. Em segundo lugar porque não o estou a ver a deixar novamente Saviola no banco. Acredito num jogo de expectativa do Benfica – uma eliminatória a duas mãos permite-o – e contra-ataques rápidos. Nós vamos ter de perceber que não vamos decidir nada amanhã e que será fundamental não sofrer golos. Uma lógica europeia, portanto.
Com Hulk no meio, James e Varela nas alas, ou Hulk e Varela nas alas e Walter/Falcao (recuperado a 100%?) no meio (a minha opção preferida, uma vez que Hulk é terrivelmente mais perigoso quando parte da linha para o centro), temos acima de tudo de dar a alma e o coração em campo, porque grande parte da história do jogo de amanhã vai fazer-se ao nível da atitude e do querer dos jogadores em campo.

A sova do mestre André

Eu era o miúdo que não sabia reagir à pressão, que tinha de ser expulso quando empatava, que não se sabia comportar. Afinal, o graúdo faz figuras piores. Deixo ao vosso critério a análise e a consideração, mas registo com curiosidade a discrepância brutal das decisões tomadas e a preponderância que lhes foi dada.”
O que sei foi apenas o que vi nas imagens televisivas. Há proteccionismo [ao Benfica] evidente em determinado tipo de situações, por parte de alguma comunicação social. Não é novo, é cultural, e é isso que nos faz chegar ao sucesso. O F.C. Porto agradece.
Este rapaz vai ser Presidente do FC Porto. Escrevam isto.

O gordo joga muito

Dizia um tipo umas filas atrás de mim: “O gordo joga muito!”. E repetia. Referia-se a Walter, o brasileiro que hoje fez uma boa exibição no Dragão. A TSF elegeu-o como o melhor jogador em campo (Hulk apenas jogou uma parte) e eu sou capaz de concordar. Walter é muito bom de bola. Recebe, toca, dribla, sempre com muita qualidade. Só lhe falta mais velocidade, qualidade que acredito poder alcançar com uma pré-época decente. Mantenho, porém, a reserva em relação ao seu afastamento dos convocados em determinados jogos, o que não deixa de ser estranho tendo em conta a escassez de pontas-de-lança do plantel. Espero que não haja aqui razões estranhas ao futebol.
O jogo de hoje foi fácil. O Beira-Mar foi mauzinho (não sei se jogou sem alguns titulares) e nós fomos pouco ambiciosos na segunda parte. Se, por um lado, compreendo a necessidade de poupar jogadores nucleares para outros voos, por outro, acho que devemos sempre jogar no máximo das possibilidades e meter a bola lá dentro o maior número de vezes possível. Ainda por cima, hoje, a segunda parte calhou para o meu lado e não vi nenhum golo perto. Não se faz. Fica uma primeira parte de grande nível, com o tridente atacante, James-Walter-Hulk, em grande estilo, secundados por um Moutinho do costume (ou seja, muito bom), um Fernando a dizer a Guarín que se calhar o lugar é mesmo seu, e um Souza mais discreto e menos empreendedor que os outros dois. Na defesa, gostei finalmente de Emídio Rafael, e se este jogo significar que temos ali um valor em evolução, retiro tudo o que disse sobre ele nos jogos anteriores (e que não foi nada simpático). Do outro lado, tivemos um Fucile mais interventivo do que no último jogo para o campeonato, mas ainda assim a precisar de um desfibrilador em certos momentos do jogo para ver se acorda. No meio, jogou aquela que é, para mim, a dupla de centrais do futuro (próximo). Com Maicon ganhamos altura. Com Otamendi ganhamos classe e poder de corte. Com os dois ganhamos velocidade. Desculpa lá, Rolando.
Já agora, o Walter já emagreceu desde que chegou a Portugal.

El Guaro

Freddy Guarin expressa, através do seu twitter, toda a alegria que lhe vai na alma pelo jogão de ontem. El Guaro, como lhe chama Falcao (curiosamente, “guaro” é o nome de uma bebida alcoólica muito popular na América Latina), fez ontem um jogo perfeito em termos ofensivos, com dois grandes golos e acções de construção importantes, deixando-nos completamente inebriados com tamanha contribuição. Guarín parece ser mais um exemplo de que, no nosso clube, o jogador de futebol encontra o espaço ideal para evoluir. Um clube que “faz” jogadores de futebol, que os promove e lhes dá estabilidade. Fui um dos muitos que vaticinaram um futuro cinzento para Guarín no nosso clube, mas, nestes casos, gosto mesmo de perder a razão.
Por outro lado, também devemos ter consciência que, em termos defensivos, Guarín está uns furos abaixo de Fernando, e não me admiraria nada que, dentro de um ou dois jogos, o brasileiro voltasse à titularidade – sendo Belluschi e João Moutinho intocáveis. Quem fica a perder neste jogo competitivo interno é Ruben Micael, um jogador de muito bom passe e inteligente a armar jogo, mas que perde para os restantes na capacidade física (velocidade e explosão).
Voltando ao jogo de ontem, o melhor em campo foi o colombiano, mas muito perto dessa distinção andou João Moutinho. Um amigo meu com quem via o jogo perguntava-me “O Moutinho já jogava assim no Sporting?”. E acho que é uma pergunta legítima porque é de tal forma elevada a qualidade que este jogador põe no jogo da nossa equipa que custa a crer que o Sporting tenha desperdiçado desta maneira um jogador destes, ainda por cima para um rival directo. Ou então voltamos à conversa do primeiro parágrafo e da capacidade que o nosso clube demonstra em fazer evoluir os jogadores.

O fogo de Anselmo

Este Anselmo já me anda a meter uns nervos há uns anos. Com tanta exportação para campeonatos russos, cipriotas, romenos, não há nenhuma alma que ainda tenha levado este Anselmo? O homem decide sempre aparecer em grande contra nós. Foi ao serviço do Estrela da Amadora, agora pelo Nacional, que nos impõe a primeira derrota da época. Uma derrota que não prova nada (por exemplo, que afinal somos fraquinhos, como já li por aí…), mas dá que pensar. Por exemplo, teremos nós, na defesa, alternativas de qualidade aos titulares? Não. Teremos nós um número de pontas-de-lança decente no plantel? Não. Será James Rodriguez um prodígio como se tem dito até agora? Não. Pelo menos ainda não vi nada nele que mereça esse epíteto. Ficam as perguntas no ar, agora que descemos à terra.

Taça é festa

A Taça de Portugal trouxe mais uma vez ao Dragão um ambiente de festa, com o clube a vender bilhetes baratinhos, o povo a aderir e a equipa a responder com uma boa exibição e golos. Mesmo assim, confirmou-se aquilo que eu já pensava, que este Juventude de Évora ia ser mais complicado do que o Benfica. E o resultado aí está para o provar. O próprio treinador dos alentejanos lembrou, no final, e muito bem, que, “atenção, já houve grandes que aqui vieram e perderam por mais”. Por isso, só temos de dar os parabéns a estes simpáticos eborenses por terem dignificado o espectáculo e a nossa vitória (que é um dos lugares-comuns do discurso futebolístico que mais me fascina).
Do jogo que eu vi, a partir dos 35 minutos da 1ª parte, deu para reparar que Álvaro Pereira é imprescindível nesta equipa, que João Moutinho manda ali dentro (e manda bem) e que o James Rodriguez é um diamante que está a ser lapidado – com muito cuidado para não se estragar – para ter um futuro brilhante. Há quem chegue ao exagero de dizer que está ali a despontar qualquer coisa assim parecida com um madeirense que joga no Real Madrid. Eu só quero que o rapaz seja titular quando tiver que ser, e que nos dê muitas alegrias quando tiver que dar, e durante muito tempo. Agora, essas comparações só atrapalham, na minha opinião. Lembrem-se que o Anderson andou a penar pela equipa B e fez-lhe muito bem. O problema foi que depois parou cá pouco tempo.
Ontem vi o Benfica-Braga e achei o jogo tão mau, tão mau, tão mau que pensei em espreitar pela primeira vez a Casa dos Segredos. Vejam lá ao ponto que um gajo chega. No meio de tanta bordoada, tanto amarelo e vermelho perdoado pelo Xistra aos jogadores do Benfica, de tanto chuto na atmosfera e gestos do Jesus que parecia estar a ter um ataque epiléptico, pensei que se calhar tinha isto tudo na Casa dos Segredos – porrada, discussões, perdões e ataques – e ainda podia ver uma ou outra miúda jeitosa (que eles escolhem-nas a olho). Mas resisti na esperança de ver um golinho do Braga a empatar a coisa, o que não aconteceu. O Domingos não tinha ovos e assim não se fizeram as omeletes necessárias. No final, a Luz voltou a entrar en histeria, Jesus voltou a dizer “Estivéramos imparíveis” e o courato e o garrafão voltaram a ter grande saída nas roulottes. E agora, vem aí o Moretto, mais uma vez.

Prémio "Engraçado, nós também"

“Teremos sempre esperança. Vamos encarar jogo a jogo e aguardar para ver o que acontece.”
Roberto, 17.11.10

Engraçado, Roberto, nós encaramos cada jogo teu com a mesma motivação: esperança que voltes a armar barraca, aguardando serenamente para ver o que acontece quando estás entre os postes (ou fora deles, como no golo do Varela).

Hulk não chegou à perfeição

O jornal A Bola apenas atribuiu a nota 10 a um jogador até hoje. Foi a João Pinto, nos 6-3 de Alvalade. Nunca mais um jogador teve direito à nota máxima. Após o FC Porto-terceiro classificado de domingo, lembrei-me que Hulk poderia ser, finalmente, o segundo jogador na história do jornal a ser pontuado com nota 10. Com dois golos marcados, uma assistência e uma exibição na globalidade elogiada pelo adversário (como factor maior para a goleada), Hulk mereceria, na minha opinião, essa nota. Até pelo facto de ter conseguido tudo isto num jogo contra o principal rival (factor, na altura, invocado para a justificação do 10 de JVP). Mas não, o jornal oficioso do terceiro classificado pontuou Hulk com 9. Não é que seja de grande importância este facto. Mas fica registado.

5 minutos e um Lisandro

O Lyon esteve hoje a cinco minutos e um Lisandro de ganhar o jogo na Luz. Acredito que, se o jogo tivesse mais um bocadinho, os franceses teriam chegado ao empate. E, claro, um Lisandro faria toda a diferença. “Os jogadores do Lyon acarditaram que podiam dar a volta”, como disse o profeta, e até vimos o Weldon a chutar a bola para longe, com 4-2, para queimar tempo. Está tudo dito quanto à capacidade desta equipa, que se limitou a marcar de bola parada e de contra-ataque, contra um Lyon que andou a nanar durante 75 minutos. No finalzinho, tivemos a alegria da noite: o regresso de Roberto, el frangador, como que a dizer: “No me olviden, chavales”.