Mansinhos

Eu até acho que o Miguel Guedes é o melhor comentador portista de todos os programas do género e que o Trio d’Ataque é um programa que se distingue dos demais por uma certa elevação e qualidade argumentativa de quem compõe o painel, mas o que lhe ouvi no programa de hoje ultrapassa o limite daquele desportivismo que se quer sempre saudável.

Hoje o Miguel Guedes escolheu o jogador dos coisinhos, André Horta, para o seu “Topo” (lembro que o “topo” e o “fundo” são espaços para os quais os comentadores escolhem aquilo que é de elogiar e de criticar, respetivamente) porque foi apoiar a equipa de futsal e, no fim, esteve a  festejar a vitória na supertaça. E o Miguel gosta muito deste tipo de atletas, que sentem muito o clube.

Eh pá, Miguel, tudo bem que gostes deste tipo de jogador que sente o clube, que se envolve nas outras modalidades, que é um exemplo de paixão e não sei o quê, mas nunca esperaria ver o comentador portista a elogiar um jogador do inimigo, ainda para mais, num contexto de vitória num troféu nacional. Achas que algum Rui Gomes da Silva ou Pedro Guerra traria para o seu tempo de antena o destaque a um Gilberto Duarte a festejar um título de basquetebol ou o Reinaldo Ventura a festejar um título de andebol como já vimos no passado no nosso clube? Mas agora prestamos-lhes vassalagem? O que se vai seguir? Um topo com Luís Filipe Vieira por ter ganho as eleições com lista única a concorrer?

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2 thoughts on “Mansinhos

  1. Caríssimos:

    Existe hoje uma flor de pusilanimidade no futebol nacional. O seu nome é FCP. Diz-se, e não contesto, que Miguel Guedes é o melhor comentador portista. Miguel Guedes, vejam só! O eterno jovem, belo e frágil como um Werther! Outros arrombam o comentário desportivo à custa de bílis e arrotos ofensivos libertados por tremendos paquidermes, jagunços institucionais, bêbados iracundos, fanáticos de turbante e cimitarra. O melhor que temos para os contrariar é Miguel Guedes, Deus nos acuda! Eu teria medo de espirrar ao lado de Miguel Guedes! Um eterno Pôncio Monteiro ao lado de Miguel Guedes é o Cassius Clay perfilando-se contra Ana dos Cabelos Ruivos. Poupem-me, meninos…

    Por outro lado, este é um sinal dos tempos. Dragões Diário, Porto Canal, comentadores oficiais e oficiosos, direcção, departamento de futebol, enfim, são tudo pétalas dessa mesma flor de pusilanimidade. O único espinho espreitando em tão delicado caule é o futebol que Nuno Espírito Santo tenta explanar sobre os relvados, honra lhe seja feita. Temo que seja pouco. Não se faz literatura, política e futebol, com bons sentimentos, como dizia o outro.

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