Tão perto do céu

Portugal_de_perfil

Amanhã, para lá de uma final de uma competição futebolística muito importante, ocorrerá um choque de nações, de culturas, de histórias, de tristezas, alegrias, riqueza, pobreza e muito mais. Será o choque da humildade com a arrogância, das sopeiras com os artistas, dos pedreiros com os arquitetos, das empregadas de mesa com os chefes, do centro com a periferia.

Portugal é muito mais do que a imagem dos que partiram para França com pouco dinheiro e pouca formação como bagagem. E os portugueses de lá são hoje uma comunidade multifacetada, presente em todas as dimensões da vida francesa, da arte à indústria, do desporto à haute cuisine.  Mas subsiste a imagem da varina de preto num luto eterno, da empregada que toma conta do prédio, do clube dos portugueses onde a única leitura são os jornais desportivos do país de origem. Persiste o preconceito de que somos uma espécie humana menor do que os glamorosos franceses.

Esse desprezo transpira nas palavras escritas e faladas dos que consideram quase indigno Portugal estar na final do Euro 2016. Que não merecemos, que Ronaldo não finta uma dúzia (e aqui surgem as inevitáveis comparações com Messi), “só” joga em força, “só” usa a velocidade. É verdade que as exibições da seleção não encheram as medidas a ninguém, em nenhum dos 6 jogos disputados. É verdade que aquela tática não fará ninguém converter-se a esta modalidade. É verdade que o percurso, acaso ditado pelo sorteio e pelas classificações da fase de grupos, nos foi favorável. Porém, a equipa de Fernando Santos fez por merecer e nunca foi beneficiado por arbitragens -bem pelo contrário. A França não pode dizer o mesmo…

A seleção tem uma triste história de insucessos no confronto com os franceses. Batidos no épico 3-2 de Marselha, em 1984 e novamente vencidos, em 2000, pelo “golo de ouro” de Zidane. Nas duas ocasiões, fomos batidos por seleções francesas que venceriam a respetiva competição, equipas formadas por jogadores de invulgar qualidade – no caso da equipa de 2000, os então campeões do mundo em título. Está na altura de interromper este fado e nunca terão estado criadas as condições como agora para que isso possa acontecer.

Na final, sejamos gregos, sejamos o que for necessário para vencer, porque mesmo que isto seja apenas futebol, está muito mais de que desporto em causa. Não é uma guerra. Não é um combate. É uma afirmação de orgulho, uma manifestação de transcendência. O resto, o que eles pensam de nós, como disse o Ronaldo, que se foda!

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