A culpa é do (insira o nome)

Os islandeses são maus, porque são fortes, porque só defendem, porque empataram e recolheram a malta toda na sua área, porque dão muito pau, porque arremessam a bola para longe com os lançamentos de linha lateral, etc., etc. Na realidade, as desculpas abundam porque empatamos um jogo que deveríamos ter ganho.

Não gostei das declarações do Ronaldo. Nem da repetição da frase feita “isto não é como começa mas como acaba” pelo Nani, pelo Quaresma e mais alguém cujo nome não me ocorre. São desculpas de mau “empatador”. Mas gostei ainda menos da depressão colectiva e da tendência para a recriminação expressa nas redes sociais.

Os toscos da Islândia  (que não são assim tão “toscos”) fizeram o que sabem fazer, com os fracos meios humanos que têm, com a (in)experiência que possuem em grandes competições internacionais e com muito empenho. Não merecem censura – nós é que partimos embalados por um 7-0 e pela cantiga de que “vamos a França para ganhar isto”. Ficar-nos-ia bem dar os parabéns aos islandeses, reconhecer a nossa azelhice e prometer fazer melhor nos próximos jogos. Era simples e era honesto.

Por outro lado, não vale a pena desatar a arranjar culpados do naufrágio e salvadores da pátria (entenda-se “Vieirinhas” e “Renatos”…) em função de um só jogo. Por exemplo, o alegado “melhor jogador do campeonato português” fez a pior exibição que eu já o vi fazer esta época: deve então o João Mário sair do 11? E foi por causa dele que falhamos quase todas as oportunidades que criamos? E o Ronaldo passou a ser um matreco convencido só porque teve uma performance infeliz?

Este empate pode ter sido uma boa forma de fazer o pessoal “descer à terra”. Mostrar que temos uma selecção acima da média, com um jogador extraordinário, mas que o equilíbrio será a nota dominante deste europeu e que, já agora, Espanha, França, Bélgica, Alemanha, Itália e Inglaterra são conjuntos com mais soluções do que o nosso.

 

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6 thoughts on “A culpa é do (insira o nome)

  1. Não gostei do jogo, não gostei de algumas das reações pós-jogo, nomeadamente do Ronaldo. É um grande jogador e todos detestamos perder, mas humildade não fica mal a ninguém. Há que saber perder/ empatar e simplesmente reconhecer que jogamos mal. Os islandeses jogaram com as armas que possuem. Trata-se de um país com pouquíssimos profissionais de futebol, com pouca experiência, cuja equipa no fundo esteve muito bem.

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  2. Não gosto de várias coisas que rodeiam a seleção. Por exemplo, o jogo com a Estónia serviu de gigantesco veículo de promoção de marcas, com pseudo-infiltrados, ou pseudo-claques, que volta e meia cantavam a canção do Abrunhosa que Sagres e FPF escolheram para o marketing da campanha. Não sei se repararam na estranha articulação do público, que volta e meia desatava a cantar essa pastoral “Tudo o que te dou”, aliás mais adequada para embalar petizes do que motivar adeptos e jogadores de bola. Há muito dinheiro envolvido neste momento e é preciso suscitar nas pessoas um interesse máximo na seleção (por exemplo, para potenciar ajuntamentos públicos ou privados, que levem a um aumento no consumo de cervejola). Daí toda a faladura, assim do nada, de sermos candidatos ao caneco. Temos este dom para atrair sobre nós o ridículo, quando há negócio em causa. Quem não se lembra da célebre promessa do McDonald’s, no Mundial da Coreia-Japão, de 1 hamburguer de borla por cada golo marcado pelo Nuno Gomes? E quantos marcou?

    Falando de bola rolando sobre o relvado, temos excelentes jogadores. Nesse capítulo a seleção não é nada má. Infelizmente, dos 11 que Fernando Santos leva a campo, muito poucos jogam, ou jogaram, juntos nos mesmos clubes. A lentidão da equipa não advém de sobranceria, preguiça, ou desconhecimento táctico. A malta conhece-se de nome e dos estágios. O Fernando Santos podia tentar aproveitar o meio campo do Sporting, mas é arriscado porque William não dá as mesmas garantias defensivas para apagar os fogos causados por uma defesa de estranhos. Note-se que quase não se explorou o corredor central, optando sempre por ir à linha e centrar. Jogar pelo meio exige muita coordenação, sentido táctico e conhecimento do posicionamento dos colegas. Se isso não existe, bola nos extremos, fintinhas e cruzamentos: – não saímos disso. Parece-me que Moutinho cobre muito menos área do que outrora, joga demasiado longe dos avançados e não é capaz de acelerar o jogo. Preferia ver o Adrien a 8, que é capaz de dar mais velocidade às transições.

    E é isto. Há ali bons elementos, mas de equipa temos muito, muito pouco. Qualquer adversário que se comporte como um colectivo unido e solidário vai-nos dar muitos problemas. Por muito limitado que seja.

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  3. O que dizem do Felipe não são más linguas mas sim pessoas que vêm o campeonato Brasileiro.
    Inclusivé um dos treinadores mais conceituados brasileiros da actualidade (Abel Braga).

    Felipe é apenas razoavel mas é melhor que Marcano, Maicon e talvez que Indi.
    Não é preciso ser grande coisa para ser melhor que os que temos actualmente.
    Pessoalmente preferia o Gomez por ter um perfil mais adequado com a identidade historica dos nossos centrais

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