Uma má notícia e uma boa notícia

A má: não vamos ter laterais para Munique.

A boa: Danilo e Alex Sandro irão estar nas meias finais.

Vila do Conde: a resposta competente

Em Vila do Conde, uma grande primeira parte, em que não deixámos o Rio Ave respirar, quase garantia um segundo tempo tranquilo. Digo quase, porque os vilacondenses reduziram (já agora, Danilo e Maicon muito macios na abordagem ao lance) e seis milhões suspiraram que nos acontecesse o mesmo que a eles. Felizmente, houve aquele passe mal feito em zona proibida, Aboubakar foi competente a fazer o que se exigia e Hernâni finalizou com classe. Numa altura em que a questão do goal-average pode ser importante para a definição do título, podíamos e devíamos ter ido atrás de mais golos, mas os criativos já tinham saído (Brahimi e Quaresma) e Lopetegui pareceu dar sinal claro de que era altura de pausar o jogo e, acima de tudo, não meter o pé, não fosse ficarmos privados de mais jogadores por lesão.
Uma última palavra para aquele fora de jogo escandaloso que foi tirado no golo do Brahimi. É que nem se pode dizer que o árbitro auxiliar estivesse mal colocado. Nem se pode dizer que a jogada tenha sido muito rápida. Nem se pode dizer que estivesse em linha ou perto disso. Que se pode dizer, afinal?

Quaresma de luxo

Dá a impressão que Quaresma veio aqui ler o post anterior e decidiu responder com uma exibição fantástica a todos os níveis. Duas assistências  e dois golos. Precisamos muito deste Quaresma, agora que parece confirmada a ausência de Tello nos dois jogos da Champions e no galinheiro. Precisamos de um jogador sem medo, que olhe o adversário de frente e ponha a bola com açúcar na zona de finalização. Um jogador que pressione os defesas aos 77 minutos como no lance que deu origem ao quinto golo (ainda que me pareça, efetivamente, que há falta). Precisamos de um líder e, neste momento, Quaresma parece ser um dos que é capaz de dar um abanão no jogo e levar a equipa atrás.
Queria deixar aqui uma nota negativa para os assobiadores que, a meio da primeira parte, mostraram que ainda estavam com o chip da Madeira. Podiam ter aproveitado o intervalo, que não chovia, e ido para casa. O estádio, já de si longe de encher – perto dos 30 mil -, não precisa de ecoar assobios dos próprios adeptos.

Tello lesionado

Partindo do princípio de que os extremos titulares são Brahimi e Tello, a lesão deste último abre as portas da titularidade para o jogo com o Estoril a Quaresma… ou a Hernâni, que deu muito boa conta de si no jogo contra os coisinhos da Madeira. Aliás, dizem as “más línguas” que Lopetegui não os teve no sítio quando preferiu tirar Hernâni em vez de Quaresma, quando o rendimento deste era manifestamente inferior. Por uma questão de equilíbrio dos humores de balneário, será natural a entrada de Quaresma no onze, mas o cigano vai ter de fazer muito mais do que o que lhe vimos fazer na quinta-feira.

Uns metidos no jogo, outros longe dele

Perder uma vez com o Marítimo e dizer que foram lá uma vez e marcaram ainda se aceita. Agora, perder duas vezes já é burrice, no mínimo. E desleixo. Ninguém me tira da cabeça que esta equipa, este plantel, este treinador já estão completamente com a cabeça na Champions. Enquanto isso, vamos perdendo oportunidades. No campeonato e, agora, na Taça da Liga. Por isso, das duas uma, ou estes jogadores fazem o jogo das suas vidas contra o Bayern (com a devida compensação no resultado) ou levamos que contar.
Lopetegui tem tido um discurso acertado em relação às arbitragens, por muito que isso faça espécie aos José Nunes e aos Carlos Danieis deste país, mas hoje não tem razão em falar do penalti. A questão aqui é só uma: pagámos o preço da adaptação de um extremo a defesa. Ricardo não pode abordar aquele lance daquela maneira, até porque Maicon estava lá para fazer o corte. Ricardo tem estado bem naquela posição, mas é nestes pormenores que se nota quem tem rotinas defensivas e quem não as tem.
Voltamos ao início. Lopetegui diz que o penalti “os meteu no jogo”. É caso para perguntar por que saímos nós do jogo depois da reviravolta. A mim não me impressionam os minutos de posse de bola e as combinações no meio campo se a equipa não é capaz de chegar à área com instinto letal. É que, convenhamos, uma oportunidade de golo em 45 minutos, para uma equipa que se orgulha de estar “entre as oito melhores da Europa” é muito pouco. Foi uma segunda parte mais de confusão do que razão. Pouca ou nenhuma estratégia. Apenas o amontoar de jogadores lá na frente (acabámos com Gonçalo, Aboubakar e Maicon na área).
Sim, Julen, estamos nas “duas competições mais importantes”. Ganhar uma delas, pelo menos, fazia-me esquecer esta eliminação.